Brasileiros ajudam a encontrar enorme estrutura extragaláctica escondida atrás da Via Láctea

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Imagem de cores falsas Z (azul), J (verde) e Ks (vermelho) de uma região correspondente ao candidato a grupo/aglomerado de galáxias. O círculo pontilhado vermelho delimita a área central de seis arcos-minutos de raio, as linhas verdes indicam as duas posições das fendas longas e os quadrados vermelhos mostram as cinco galáxias observadas com F2. Nos painéis da direita, ampliamos as 58 candidatas de galáxias dentro da área estudada. O comprimento de cada lado dos painéis é de 20 arcos-segundos. (Créditos: arXiv (2022). DOI: 10.48550/arxiv.2210.16332)

Traduzido por Julio Batista
Original de Bob Yirka para o Phys.org

Uma equipe de pesquisadores com membros da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, no Brasil, da Universidade Nacional de San Juan, na Argentina, e da Universidade Andrés Bello, no Chile encontrou evidências de uma grande estrutura extragaláctica escondida atrás de uma parte da Via Láctea. O grupo publicou um paper descrevendo suas descobertas no servidor de pré-publicação arXiv enquanto aguarda publicação na revista Astronomy & Astrophysics.

Os cientistas espaciais sabem há algum tempo que há uma parte do céu noturno que é obscurecida pela visão devido a uma protuberância na galáxia. Conhecida como a “zona de evasão”, ela compõe aproximadamente 10% do céu escuro e fez pesquisadores se perguntarem o que poderia existir por trás disso. Por oferecer tão pouco trabalho aos pesquisadores, a zona não foi muito bem estudada; assim, pouco se sabe sobre o que pode estar escondido por lá. Nesse novo esforço, os pesquisadores usaram uma variedade de ferramentas para entender melhor o que pode estar oculto.

Nos últimos anos, os cientistas usaram uma variedade de ferramentas para sondar a zona de evasão. Os pesquisadores com este novo esforço começaram reunindo todos os dados que foram coletados até agora e adicionaram mais usando informações obtidas recentemente do VVV Survey.

O VVV Survey é um projeto patrocinado por uma organização intergovernamental de pesquisa chamada Organização Europeia para Pesquisa Astronômica no Hemisfério Sul. Envolve várias instalações de pesquisa de última geração localizadas em vários locais. A pesquisa envolveu o estudo das estrelas usando emissões infravermelhas em vez de luz visível. Tais emissões são capazes de passar pelo gás, poeira e luz das estrelas no bojo galáctico e ir para instrumentos instalados aqui na Terra.

Ao estudar as imagens infravermelhas, os pesquisadores descobriram que foram capazes de identificar várias galáxias que existem muito além da Via Láctea. E por causa de seus números, os pesquisadores acreditam que, juntas, elas compõem o que descrevem como uma estrutura extragaláctica maciça. Eles estimam que pode haver até 58 galáxias na estrutura.