A ciência e a religião são compatíveis?

Créditos: Science News.

Por Jerry Coyne
Publicado na obra Faith Versus Fact: Why Science and Religion Are Incompatible

Enquanto a maioria dos crentes aceitam os métodos da ciência, eles também reivindicam métodos adicionais para aprender a verdade: fé, revelação e autoridade. Se esses métodos fossem confiáveis, então, os resultados das investigações científicas e religiosas seriam semelhantes, ou pelo menos conciliáveis.

Mas, evidentemente, eles não são. As religiões fazem alegações de verdade que têm sido repetidamente desmentidas, reivindicações que envolvem fenômenos naturais e sobrenaturais. As reivindicações religiosas refutadas envolvem biologia, geologia, história e astronomia, e incluem essas afirmações: animais e plantas foram criadas na sua forma atual durante um período de tempo, a Terra é jovem e já foi completamente inundada (o grande dilúvio), os seres humanos modernos descendem de apenas dois progenitores, os nativos americanos descendem de imigrantes do Oriente Médio e caucasianos são os resultados de uma experiência de criação de um cientista negro. Tudo isso está errado, e é a ciência, não a fé, que tem mostrado esses erros.

Faith Versus Fact - Why Science and Religion Are IncompatibleMesmo as reivindicações históricas da religião, sem contar os vários mitos da origem, são muitas vezes duvidosas. Não há, por exemplo, nenhuma evidência para o êxodo dos israelitas do Egito, ou para o recenseamento de todo o império romano na época do nascimento de Jesus, conforme descrito no Evangelho de Lucas. Como vimos, não há nenhum relato histórico confiável — e deve haver um — para os milagres da Crucificação, como terremotos e santos ressuscitados, descritos no evangelho de Mateus.

Como os historiadores da época perderam isso? É verdade que alguns fatos históricos apresentados na Bíblia são precisos, pois foram escritos por pessoas que viveram naqueles tempos. Há evidências, por exemplo, de um governador romano da Judeia chamado Pôncio Pilatos, embora não haja nenhuma evidência bíblica extra de que ele julgou Jesus. Mas a arqueologia bíblica tem, de modo geral, experimentado um fracasso após o outro. Se não tens problemas em rejeitar incidentes bíblicos como o Êxodo e o censo de Caesar Augustus, incidentes que, como a Ressurreição, vêm exclusivamente das escrituras, por que aceitar a Ressurreição em si?

Se as verdades checáveis da religião — as “verdades naturais” — são falhas, por que devemos dar crédito para o mais difícil teste das “verdades divinas”? Será que só essas afirmações — a existência de almas, o nascimento de Jesus de uma virgem e sua posterior execução e ressurreição, a presença de uma vida após a morte, a existência de demônios, a ascensão de Maomé ao céu em um cavalo alado — Deus ou seus escribas têm corretas, enquanto eles erraram em muitas outras? Se a Bíblia não começa nem com os fatos básicos da história direito, muito menos os da ciência, como podemos reivindicar autoridade divina ou influência em sua autoria? Estava além de Deus falar diretamente ou através de seus emissários para as suas criaturas que era aconselhável lavar as mãos após defecar, ou que os animais e as plantas não foram criadas de repente, mas evoluíram de outras formas, por um longo período de tempo?

Ao longo dos anos, eu tenho repetidamente desafiado as pessoas a dar-me um fato verificado único sobre a realidade que veio da escritura ou da revelação sozinha que, então, tenha sido confirmado mais tarde pela ciência ou pela observação empírica. Isso se assemelha ao desafio moral de Christopher Hitchens, muitas vezes levanto isso contra oponentes religiosos nos debates: “Deem-me uma declaração ética ou uma ação realizada por um crente que não poderia ter sido feita ou realizada por um não-crente.” Como Hitchens, eu nunca vi uma resposta credível.

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