Cientistas usam bactérias modificadas para atacarem tumores cerebrais

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Salmonella typhimurium — Volker Brinkmann, Max Planck Institute for Infection Biology

Publicado na Vocativ

Mesmo com toda má impressão que a Samonella recebeu como um germe transmitido por alimentos, um grupo de cientista espera que, com algumas edições genéticas, possamos usa-las para ajudar a combater os mais mortíferos dos cânceres cerebrais.

Duke University e Georgia Tech investigaram uma versão castrada e geneticamente modificada da Salmonella typhimurium, uma das cepas comumente responsáveis por 1.2 milhões dos casos anualmente. Eles, então, injetaram no cérebro dos ratos de laboratório que receberam transplantes de glioblastomas, a forma mais agressiva de tumor cerebral. As bactérias foram alteradas para bombardearem dois compostos que matam células, Azurin e p53, mas somente quando estiverem em um ambiente de baixo nível de oxigênio. Como as células cancerosas aproveitam os níveis de energia e oxigênio para crescer tão rápido como elas fazem, a equipe esperava que as bactérias pudessem facilmente penetrar nelas e poupar as células saudáveis.

Seus resultados, publicados  em dezembro na revista Molecular Therapy: Oncolytics, foram certamente intrigantes, ainda que cedo, considerando o quão fatal o glioblastoma tende a ser. Vinte por cento dos ratinhos que receberam a terapia bacteriana sobreviveram durante, pelo menos, 100 dias e entraram em remissão, enquanto que, o comprimento médio de sobrevivência para ratinhos não tratados, foi de apenas 26 dias. Em termos humanos, isso pode equivaler a 10 anos adicionais de vida.

“Como o glioblastoma é tão agressivo e difícil de tratar, qualquer mudança na taxa de sobrevivência média é um grande negócio”, disse Jonathan Lyon, coautor e doutorando, em um comunicado. E, uma vez que poucos sobrevivem a um diagnóstico de glioblastoma indefinidamente, uma taxa de cura eficaz de 20 por cento é fenomenal e muito encorajador.”

O potencial avanço, para Lyons e sua equipe, veio com outra modificação que eles fizeram. Com base em pesquisa promissora anterior, os cientistas tentaram usar Salmonella para incitar o corpo a atacar a si própria, mais especificamente células cancerígenas, mas os bugs nunca cooperaram em ensaios clínicos do mundo real. Assim, a equipe criou sua Salmonella para não ter a capacidade de produzir uma enzima essencial chamada purina. Como os glioblastomas produzem em abundância essa purina, suas edições transformaram Salmonella em um míssil microscópico que procura tumores. Melhor ainda, uma vez que os tumor for varrido, o mesmo ocorrerá com as bactérias.

Tumores cerebrais geralmente crescem sem uma fronteira clara, tornando a cirurgia, o tratamento primário, uma solução muitas vezes fútil. Sem ser capaz de eliminar todas as células cancerosas, os tumores podem crescer e voltar a ser como antes. Usando Salmonella para varrer os últimos pedaços de resistência ou como um tratamento de linha de frente em si, poderia, teoricamente, ajudar significativamente taxas de sobrevivência. Estima-se que apenas 5 por cento dos pacientes atualmente diagnosticados com glioblastomas sobrevivem mais de cinco anos, de acordo com a National Brain Tumor Society.

É claro que muitos dos tratamentos propostos para o câncer deslumbram os cientistas no começo, especialmente quando se trata de câncer no cérebro. Por enquanto, Lyons e sua equipe não só esperam replicar seu trabalho no futuro com produtos químicos diferentes, mais fortes para matar células, mas também descobrir se eles podem melhorar a capacidade da Salmonella de atingir células tumorais em primeiro lugar.

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