Como as plantas colonizaram o ambiente terrestre?

Publicado na Investigación y Ciencia
Estudo publicado na Proceedings of the National Academy of Sciences

Uma equipe formada por pesquisadores do Centro John Innes, em Norwich, da Universidade de Wisconsin-Madison e de outros centros, descobriram como uma alga primitiva conseguiu sobreviver ao ambiente terrestre antes de converter-se na primeira planta do mundo que habitou e colonizou nosso planeta.

Até agora, assumia-se que a alga, depois de chegar-se a Terra, tinha desenvolvido a capacidade de obter nutrientes essenciais através de uma estreita associação com um tipo benéfico de fungo denominado micorriza arbuscular (AM), que ainda existe hoje e que ajuda as raízes das plantas a captar nutrientes e a transformar a água do solo em carbono.

A descoberta prévia de esporos fossilizados de 450 milhões de anos de idade similares as esporas de micorriza arbuscular faz pensar que este fungo havia estado presente no ambiente onde encontravam-se as primeiras plantas terrestres. Também descobriram restos de um fungo pré-histórico no interior das células dos macrofósseis vegetais mais antigos, o que reforça tal ideia. Contudo, os cientistas não sabiam como a alga antepassada das plantas terrestres tinha sobrevivido tempo o suficiente para mediar um acordo quid pro quo com um fungo. A nova descoberta aponta que a alga tinha desenvolvido esta capacidade fundamental enquanto ainda vivia nas águas de nosso planeta.

Os autores do estudo analisaram o DNA e o RNA de algumas das plantas terrestres e algas verdes mais primitivas conhecidas e encontraram evidências de que o antepassado comum que vivia nas águas da Terra detinha o conjunto de genes, ou vias simbióticas, que necessitava para detectar e interagir com o benéfico fungo micorrízico.

Os pesquisadores acreditam que esta capacidade foi fundamental para que a alga pudesse sobreviver fora da água e colonizar a terra. Ao colaborar com o fungo em busca do sustento, a alga mostra uma clara vantagem evolutiva que foi selecionada para prosperar em um ambiente muito diferente e aparentemente estéril.

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Douglas Rodrigues Aguiar de Oliveira
Fundador do projeto de divulgação científica e filosófica Universo Racionalista. Pós-graduação em Ethical Hacking e Cybersecurity do Centro de Inovação VincIT (UNICIV) pela Faculdade Eficaz. Pós-graduação em andamento em Filosofia pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS). Especialização em Epidemiology in Public Health Practice pela Johns Hopkins University (Coursera Specialization). Especialização em Fundamentals of Computing Network Security pela University of Colorado System (Coursera Specialization). Especialização em Journey of the Universe: A Story for Our Times pela Yale University (Coursera Specialization). Especialização em andamento em Computational Social Science pela University of California, Davis (Coursera Specialization). Graduação em Tecnologia em Redes de Computadores pela Universidade de Franca (UNIFRAN). Graduação em andamento em Tecnologia em Radiologia pela Universidade Nove de Julho (UNINOVE). Editor-chefe do Instituto Ética, Racionalidade e Futuro da Humanidade. Colaborador da revista cética argentina Pensar, uma publicação da organização internacional Center for Inquiry. Endereço do Currículo Lattes e do Catarse.