Como dragões de Komodo sobrevivem a mordidas mortais de outros Komodos

Por Kelly Mayes
Publicado na Science

Os dragões de Komodo (Varanus komodoensis) sempre foram excêntricos no mundo dos répteis. Seu sistema cardiovascular incomum e seu olfato excepcionalmente poderoso os ajudam a caçar – e encontrar parceiros – mais facilmente do que outras espécies de lagartos. Agora, os cientistas sabem por que, graças ao primeiro sequenciamento do genoma do dragão de Komodo.

Para entender por que os dragões de Komodo são tão únicos, os cientistas passaram 8 anos coletando dados e sequenciando os genomas de quatro lagartos de quatro zoológicos (incluindo o Slasher, acima, do Zoológico de Atlanta). Eles mapearam a história evolutiva dos Komodos comparando seus genomas com três pássaros, quatro mamíferos e 15 répteis da família Varanidae, incluindo o lagarto crocodilo chinês e o anole de Carolina.

Quase 201 genes se destacaram, incluindo aqueles que codificam algumas das características mais incomuns do dragão de Komodo, como a habilidade de usar feromônios para atacar e emboscar presas. Vários genes parecem aumentar seu metabolismo, permitindo que processem carboidratos mais rapidamente por mais energia durante longos períodos de caça e combate. Os pesquisadores também encontraram genes que codificam proteínas utilizadas na hemóstase, um processo de coagulação do sangue que permite que os lagartos sobrevivam a mordidas de outros dragões de Komodo, cuja saliva contém substâncias que afinam o sangue, relatam os pesquisadores na Nature Ecology & Evolution.

Os cientistas esperam que o novo mapa do genoma do dragão de Komodo não apenas os ajude a entender melhor os lagartos como o Slasher, mas também forneça um modelo para pesquisar – e conservar – outros lagartos da mesma família.

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