Criatura com tentáculos e parecida com uma flor é vista nas profundezas do Pacífico

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Uma nova espécie de pluma-do-mar? (Créditos: Ocean Exploration Trust, NOAA e Universidade Estadual de Oregon/Thurber)

Traduzido por Julio Batista
Original de Jennifer Nalewicki para a Live Science

Novas imagens que mostram uma criatura marinha gigante com tentáculos de aparência peculiar flutuando languidamente nas profundezas do Oceano Pacífico deixaram os pesquisadores questionando se o que estão vendo é uma nova espécie.

Uma equipe de cientistas avistou o estranho animal a bordo do E/V Nautilus, um navio de pesquisa usado pelo Ocean Exploration Trust – uma organização sem fins lucrativos que realiza pesquisas em águas profundas.

Em um vídeo recentemente lançado, os pesquisadores da expedição ficaram maravilhados e assustados quando imagens da criatura bizarra entrou em foco.

“Minha mente está explodindo agora”, um dos cientistas a bordo pode ser ouvido dizendo fora da câmera, enquanto o veículo operado remotamente (ROV, da sigla em inglês) do barco fazia varreduras no fundo do oceano e se aproximava da visão estranha. “Não vou me aproximar mais”, brincou outro cientista.

Momentos depois, os cientistas espiaram outra das criaturas excêntricas nas proximidades, embora não tenham conseguido gravar o vídeo do segundo indivíduo.

Com tentáculos estendendo-se por 40 centímetros a partir de um talo de quase 2 metros de comprimento e um único pólipo de alimentação com tentáculos farpados cobrindo o pólipo como pétalas pontiagudas, a criatura se assemelhava a uma flor muito estranha que nadava livremente e era aproximadamente do tamanho do ROV.

Foi vista em 7 de julho a 2.994 m abaixo da superfície, perto de um monte submarino inexplorado ao norte de Atol Johnston, um território não incorporado dos EUA e um Refúgio Nacional de Vida Selvagem no Oceano Pacífico, a oeste do Havaí.

Os pesquisadores inicialmente suspeitaram que eles haviam se deparado com uma Solumbellula monocephalus, também conhecida como pluma-do-mar Solumbellula, que faz parte do filo Cnidaria que inclui águas-vivas, hidras e corais.

No entanto, os únicos avistamentos conhecidos de plumas-do-mar antes disso ocorreram nos oceanos Atlântico e Índico, então é possível que os cientistas tenham se deparado com uma nova espécie.

Steve Auscavitch, principal pesquisador da expedição e biólogo de águas profundas e pós-doutorando na Universidade de Boston (EUA), descreveu o avistamento como “fascinante”.

“De tempos em tempos, nos deparamos com algo que nunca esperávamos ver, e essas são geralmente as observações mais poderosas”, disse ele à Live Science.

Ele acrescentou: “Estávamos chegando ao final do nossa expedição e estávamos no fundo do fundo do mar quando observamos as duas [plumas-do-mar]. O que capturamos em vídeo era enorme, possivelmente do mesmo tamanho ou maior que o Hércules, nosso ROV. Quando eu vi essa incrível pluma-do-mar em vídeo, eu sabia exatamente o que poderia ser.”

Mas só para ter certeza, Auscavitch buscou informações de biólogos em terra, que ajudaram a confirmar suas suspeitas de que era uma pluma-do-mar, um parente de coral.

Com base no tamanho impressionante do animal, Auscavitch supôs que era bastante antigo, mas ele não pode fornecer uma idade específica. (As plumas-do-mar atingem a maturidade aos cinco ou seis anos de idade e podem viver por mais de uma década.)

“Antes disso, Solumbellula monocephalus nunca havia sido vista no Pacífico central e nunca foi coletada”, disse ele.

Curiosamente, a descoberta de sua equipe ocorreu vários meses depois que cientistas na Espanha nomearam dois novos gêneros de plumas-do-mar: PseudumbellulaSolumbellula, o último dos quais incluiria a nova espécie. Essas descobertas foram publicadas em fevereiro na revista Invertebrate Systematics.

No entanto, Auscavitch disse que mais pesquisas precisam ser feitas para determinar se este é o primeiro Solumbellula monocephalus do Pacífico ou potencialmente uma nova espécie na bacia oceânica.

“Descobertas como essa são raras e nunca esperávamos ver algo assim”, disse ele. “A parte mais empolgante desta pesquisa é que encontramos essas coisas de tempos em tempos, e isso realmente expande nosso horizonte sobre onde os animais podem viver e existir no fundo do mar”.