Criatura do ‘Hobbit’ extinta encontrada nos EUA surgiu logo após a era dos dinossauros

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Conacodon hettingeri, Miniconus jeanninae e Beornus honeyi (da esquerda para a direita). Crédito: Banana Art Studio.

Por Brandon Specktor
Publicado na Live Science

No início de sua jornada para alcançar a Montanha Solitária em O Hobbit de J. R. R. Tolkien (1937), Bilbo Bolseiro e seus amigos cruzam com um enorme guerreiro que muda de forma chamado Beorn.

“Às vezes ele é um enorme urso preto”, diz o mago Gandalf sobre o homem, “às vezes ele é um grande homem forte de cabelos negros com braços enormes e uma grande barba”.

Em qualquer das formas, Beorn é um gigante entre seus conterrâneos. E agora, os paleontólogos imortalizaram o fera peluda com a descoberta de um mamífero extinto que ganhou destaque na época do Paleoceono (65 milhões a 23 milhões de anos atrás), logo após a extinção dos dinossauros. Eles chamam essa criatura peluda e do rosto inchado de Beornus honeyi.

“Sempre fui uma grande fã de Tolkien, e há uma longa tradição de nomear os primeiros mamíferos do Paleoceno com base nos personagens de Tolkien”, disse Madelaine Atteberry, pesquisadora da Universidade de Colorado Boulder (EUA) e autora principal de um novo estudo sobre B. honeyi e seus parentes, ao Live Science por e-mail.

“Eu escolhi B. honeyi por causa do tamanho grande e aparência ‘inchada’ de seus dentes em comparação com os outros mamíferos dessa época”.

Você pode esperar que o Beorn dos mamíferos antigos seja um monstro enorme, parecido com um urso, com dentes e garras afiadas como machados – mas a realidade, assim como a jornada de Bilbo Bolseiro, é um pouco inesperada.

B. honeyi é um condilarte – parte de uma ordem de mamíferos pré-históricos de quatro patas que se pareciam um pouco com cães, mas eram na verdade os ancestrais de mamíferos com cascos como cavalos e rinocerontes, de acordo com o novo estudo, publicado em 17 de agosto no Journal of Systematic Palaeontology.

Mas Beornus não era nada como um rinoceronte; fósseis da mandíbula inferior da criatura sugerem que ela não era maior do que um gato doméstico moderno.

Isso é realmente enorme em comparação com o zoológico de condilartes do tamanho de ratos que vagavam pela América do Norte no início do Paleoceno, de acordo com os pesquisadores. Esse relativo grande porte, mais os molares extragrandes de B. honeyi e as bochechas inchadas, tornavam-no digno de seu nome baseado na obra de Tolkien, disse Atteberry.

Como outros condilartes, Beornus provavelmente usou seus dentes grandes e achatados para moer plantas, mas também pode ter comido insetos ocasionais ou outra fonte de carne, escreveu a equipe.

Mas Beornus foi apenas um dos muitos pequenos mamíferos que parecem ter prosperado após a queda dos dinossauros.

No mesmo estudo, que incluiu vários fósseis de mandíbulas escavados na Bacia da Divisória Continental, no sul do Wyoming, os pesquisadores também identificaram duas outras espécies de condilartes até então desconhecidas pela ciência – Conacodon hettingeriMiniconus jeanninae.

Todas as três espécies recém-descritas eram intimamente relacionadas, mas mostravam diferenças particulares nas formas e tamanhos de seus dentes.

Esses condilartes podem ajudar a reescrever a história dos primeiros mamíferos que povoaram a América do Norte após a extinção dos dinossauros, disse Atteberry. Estudos anteriores da fauna dos primeiros 320.000 anos após a extinção em massa sugerem que os mamíferos ainda estavam se recuperando e que famílias individuais como condilartes estavam se diversificando muito lentamente.

“No entanto, a primeira fauna do Paleoceno na Bacia da Divisória Continental em Wyoming é uma história diferente”, disse Atteberry. “Tem mais diversidade do que poderíamos prever para esta época, o que sugere que não podemos realmente generalizar a recuperação dos mamíferos após a extinção dos dinossauros”.

Em outras palavras, Beorn e seus amigos podem ter feito parte de uma cena próspera de pequenos mamíferos durante o início do Paleoceno. Essas três espécies fazem parte de uma coleção de cerca de 420 fósseis de mamíferos descobertos apenas na Bacia da Divisória Continental, e mais espécies recém-descobertas da mesma época devem aparecer lá, disseram os pesquisadores.

Talvez essas futuras descobertas de fósseis também encontrem um lugar no clube de Tolkien.

Mais de duas dúzias de mamíferos extintos foram nomeados após a tradição literária de Tolkien até agora, incluindo o insetívoro parecido com uma doninha Bubogonia bombadili (nomeado em homenagem ao excêntrico habitante da floresta Tom Bombadil) e o ancestral canino Barophagus orc (nomeado em homenagem aos humanoides monstruosos que as obras de Tolkien popularizaram).