“Deus não está morto 2” – Boogaloo Histórico

13
1984

Por Richard Carrier

A melhor coisa sobre este filme é que ele é voltado para o público. Porque nós vivemos na era da Internet. Assim, qualquer pessoa que alguma vez pensou em verificar os fatos descobrirá que eles mentiram para você. E isso pode causar mais dano à sua fé do que qualquer ateu poderia fazer. Assim como, realmente, a leitura da Bíblia em sua totalidade é a melhor maneira de transformar um Cristão em um Ateu, a verificação factual de “Deus não está morto 2” pode fazer muito do mesmo efeito.

Eu não vou rever o filme. Eu nem pretendia assistir (em meu juízo perfeito, de qualquer forma). Mas depois que alguém me disse que havia uma cena judicial na qual a historicidade de Jesus era “comprovada” eu pensei: Por que não assistir essa parte e criticá-la historicamente? Afinal, nessa cena, nenhum historiador especializado foi chamado para argumentar que Jesus existia. As únicas pessoas que tomaram posse como peritos foram um jornalista aposentado e um policial igualmente aposentado. Nenhum dos quais teria sido autorizado a assumir a posição de peritos no assunto, uma vez que nem estavam legalmente qualificados para fazê-lo. Bem-vindo a uma metáfora hilariante sobre a apologética cristã popular. Que nunca foi muito baseada em fatos. Ou mesmo ouviu a verdadeiros especialistas.

Para corrigir esse fracasso, vou dar uma análise nesta parte do filme em questão. Ah, e no caso de você não saber, ao contrário de Lee Strobel ou James Wallace, eu sou alguém que realmente seria qualificado (sob as regras federais de provas) para testemunhar no tribunal sobre este assunto.

O contexto

A essência do filme é que um estudante de uma escola pública de ensino médio, Brooke, pergunta a sua professora, Grace, se Jesus ensinou sobre a não-violência que inspirou o Dr. Martin Luther King, Jr. que eles estavam aprendendo, e a professora responde que sim. Então ela é processada por “violar a separação entre igreja e estado”. Não é uma ficção plausível, é claro, uma vez que isso nunca aconteceria. Isso simplesmente não é ilegal em nenhum lugar dos EUA. Mas os evangélicos americanos são delirantes e pensam que estão sendo cravados em cruzes e acesos em chamas.

Aliás, a professora insinua incorretamente que Gandhi também recebeu sua mensagem de não-violência de Jesus, quando, na verdade, isso não é verdade. Gandhi a obteve do jainismo, uma filosofia hindu. E muitos especialistas concordam que Jesus realmente não ensinou o Sermão da Montanha que contém esse ensinamento – foi inventado décadas mais tarde por alguém que só atribuiu a Jesus para torná-lo mais autoritário (OHJ, pp. 68), assim como os Cristãos posteriores falsificaram cartas de Pedro e Paulo e as incluíram na Bíblia porque queriam roubar sua autoridade para as coisas que queriam que seu rebanho acreditasse.

Mas – adivinha! – ninguém consegue notar qualquer fato neste filme. Portanto, ele nunca aparece. Mesmo que estes sejam literalmente os únicos fatos legalmente relevantes na narrativa do filme que poderia ter chegado a qualquer lugar perto de um julgamento. E, mesmo assim, dificilmente. Na verdade, uma escola pode, na melhor das hipóteses, repreender tal professora e ensinar corretamente à classe que Gandhi aprendeu a não-violência de uma tradição não-Cristã e que existe realmente uma disputa entre especialistas sobre se Jesus realmente a ensinou. A lei não teria nada mais a ver com o assunto. Mas isso é apenas roteirismo com um enredo ruim. Como o Superman ignorar que ele poderia, a qualquer momento, atacar o Batman com um laser na cara.

A melhor revisão que eu encontrei sobre filme como um todo é uma conversa entre um ateu e um cristão liberal que é realmente bem interessante, e historicamente informativo (no ThinkProgress: “An Atheist And A Christian Review ‘God’s Not Dead 2’”). Lá, mesmo o Cristão Jack Jenkins faz tais observações para o seu colega ateu Zack Ford:

“Sim, veja, a coisa estranha aqui é que a cena do tribunal eventualmente se converte em um debate sobre se Jesus era ou não uma figura histórica real – um argumento que seria completamente desnecessário para ganhar o caso de Grace, já que ela não precisa provar se Jesus existiu, no sentido literal, para sustentar que o Cristianismo e a Bíblia eram diretamente relevantes para o ativismo de Martin Luther King Jr. (E eu não acho que ninguém iria contestar que eram).”

Na verdade, embora tenha razão, a verdadeira razão pela qual a existência de Jesus é irrelevante é que o ponto em disputa era se Jesus ensinou a coisa que inspirou King. Jesus poderia, muito bem, existir, e ainda não ter ensinado isso. Assim, mesmo dentro da ficção criada pelo enredo do filme, o que eles tinham que provar no julgamento era se Jesus ensinou a coisa em questão. No entanto, ninguém prova isso. Eles nem sequer tentam provar. Francamente, se fosse isso o que algum advogado de defesa realmente fizesse, eles perderiam em julgamento sumário. Você nem precisaria de um júri. (Além de que ela também não seria capaz de provar que Jesus inspirou a doutrina de Gandhi da não-violência).

Apesar de tudo isso, Cristãos Evangélicos amaram de paixão esta parte do filme. Como Jeannie Law no The Christian Post, escreve:

“Talvez o argumento mais convincente para Jesus, no filme, seja quando o autor do ‘The Case for Christ’ Lee Strobel e o detetive de homicídios J. Warner Wallace, autor do ‘Cold Case Christianity’, ambos testemunham a posição sobre a validade histórica de Cristo. Ambos os homens provam, incontestavelmente, que Cristo e Sua Palavra são histórias comprovadas e que todo historiador famoso, cristão ou não-cristão, concorda que Jesus existiu.”

Sim… Ok…

O “Esquadrão de Zangões”

Devo fazer uma pausa para observar que não só um jornalista e um detetive não qualificados para testemunhar em um tribunal foram tidos como peritos em história antiga, documentos antigos, línguas antigas ou literatura antiga, mas Strobel e Wallace são ruins mesmo sobre seus próprios trabalhos.

Strobel afirma ser um jornalista em seus livros em que defende Jesus. Mas, em todos eles, ele viola os princípios mais fundamentais do jornalismo competente, com nem sequer entrevistando testemunhas de refutação ou verificando fatos sobre qualquer coisa que ele conta. Similarmente, Wallace afirma ser um detetive de “casos frios”, mas não apenas não entrevista testemunhas de réplica ou verifica, de fato, qualquer coisa com especialistas da especialidade requerida, como ele literalmente apenas acredita em depoimentos anônimos escritos que mostram uma colaboração deliberada (Incluindo o fato dele copiar os testemunhos de cada um ipsis litteris), contendo absurdos de patente, com nem sequer mostrando algo no idioma original em quem as testemunhas teriam escrito, contradizendo um ao outro de uma forma não sutil, e sim descontroladamente, sendo escritos décadas mais tarde por desconhecidos, usando fontes desconhecidas, e nem sequer autenticando, ou, muito menos, ditando sob condições controladas de verificações, que inclui o juramento por partes neutras, como no caso de depoimentos – e, mesmo em uma deposição, nenhum detetive competente apenas “acreditaria” em algo sem corroborar provas. Qualquer detetive que tratasse as evidências testemunhais como Wallace o fez seria demitido quase que imediatamente por qualquer departamento de polícia da nação.

Vale a pena assinalar que, realmente, muitos historiadores antigos eram chamados como peritos em processos judiciais de antigamente. O caso mais famoso foi sobre a filósofa e historiadora Martha Nussbaum, que era uma especialista genuinamente qualificada em grego antigo, e filosofia moral antiga. Sim, esses, realmente, se tornaram problemas nos tribunais dos EUA. Em 1992, pessoas do Colorado votaram para proibir os direitos dos homossexuais. Isto foi desafiado como inconstitucional. Os defensores de uma lei homofóbica do Colorado apresentaram “testemunhas peritas” que argumentavam que ser gay sempre foi imoral ao longo da história humana: “até mesmo Platão, até mesmo Platão!”. E assim foi discutido em todo o percurso da Suprema Corte (Romer v. Evans, 1996). Os defensores dos direitos dos homossexuais chamaram Nussbaum ao debate, que “comeu especialistas homofóbicos no café da manhã”. Nussbaum narra toda a história por si mesma em sua excelente antologia Sex and Social Justice.

Mas, como mostra o caso Nussbaum, as histórias verdadeiras não são tão convenientes para as crenças Cristãs. Então eles inventam histórias, em vez disso, como o filme Deus não está morto 2. Porque as histórias reais os fazem parecer como ruins. Espere… eles não fazem isso desde os Evangelhos, as primeiras histórias que eles contaram? Oh sim, certo.

Lee Strobel, “Jornalista”

A cena na qual me falaram é, na verdade, duas cenas, separadas por um trecho de cena auxiliar não relacionada. Sem dúvida, manter uma apologética interminável zumbindo seria algo muito chato. Primeiro, houve o depoimento de Strobel no tribunal sendo retratado. Então, depois de algum interlúdio dramático, o depoimento de Wallace.

A cena que descreve o testemunho de Strobel (sim, ele se interpreta, e começa a promover seus próprios livros no filme – Que legal!) Que começa em 1:10:15 (indo pela Amazon Digital Direct Edition). Sua perícia declarada no registro é como “professor de pensamento cristão na Universidade Batista de Houston“, na qual (em um julgamento real) a acusação chamaria uma perícia para explicar suas credenciais exatas, uma vez que um título tão vago em uma escola abertamente Evangélica soa Desonesto. Porém, então, ele teria que admitir, o que não está indicado no filme, que ele não tem credenciais relevantes. Ele tem apenas um “bacharel em jornalismo” e um “mestrado em estudos jurídicos”. Sem línguas antigas. Sem treinamento em história antiga. Sem treinamento em literatura antiga. O demandante iria expulsar a testemunha por falta de qualificações em línguas antigas, literatura ou história. A moção seria concedida. Fim de história.

Se a história não fosse uma completa besteira.

Mas vamos continuar no mundo bizarro que esses produtores de filmes cristãos criaram para nós.

É claro que Strobel diz à corte que ele pode provar a existência de Jesus “além de qualquer dúvida razoável”. “Como assim?”, Perguntam. Ele imediatamente responde: O calendário prova isso! “Nosso calendário foi dividido entre A.C. E A.D. baseado no nascimento de Jesus. Que seria uma invenção se ele nunca tivesse existido!” Todos os seres humanos com dois neurônios funcionando devem estar, agora, tendo um mini ataque cardíaco neste momento. Sério isto? “O calendário é baseado em mitos sobre nosso deus, portanto, nosso deus existe além de qualquer dúvida razoável.”

Se isso é o que persuade os cristãos a acreditar, o Cristianismo é um recanto de tolos e ingênuos. Como disse o blogueiro Godless Wolf em Trolling With Logic, “Por essa lógica, o fato de eu ter visto este filme numa quinta-feira deve significar que o Thor é real. Afinal, seria difícil alguém fazer tão grande impacto no calendário se não fossem real!” Oh Yeah! O Wolf te pegou, Lee.

Além disso, a data em que nosso calendário é baseado é falsa. Não vem de um texto antigo. Foi inteiramente composta por um monge medieval. E a data que ele escolheu foi errônea, mesmo que tentássemos extraí-la dos Evangelhos (o que ele não o fez, e nem nós, com as duas histórias de natividade sendo implausíveis, em todos os sentidos, e manifestamente ficcionais, e com falta de fontes declaradas). Mateus coloca inequivocamente o nascimento de Jesus antes de 4 aC; Lucas inequivocamente coloca o nascimento de Jesus após 5 dC. Nenhum deles pode ser reconciliado um com o outro. Mas, pior, nenhum dos dois pode ser reconciliado com a afirmação fabricada pelo monge medieval de que Jesus nasceu em 1 dC. (Sobre a montanha de mentiras que os Cristãos dizem para tentar negar esses fatos, veja meu último tratamento extenso no capítulo 15 de Hitler Homer Bible Christ).

Portanto, não estamos tendo um bom começo aqui.

“Além disso, o historiador Gary Habermas…” são as próximas palavras que saem da boca de Strobel. Em que eu tive que apertar o botão de pausa porque eu realmente vomitei. Não literalmente, mas chegou perto. Habermas é um fundamentalista. Ele é considerado um historiador menos confiável e honesto até mesmo do que David Irving. Se você quiser ver uma confirmação de quão não confiável e desonesto ele é sobre este assunto, basta verificar o meu artigo expondo suas mentiras em que usa estatísticas falsas. Qualquer Martha Nussbaum daria uma surra desse cara no estande. Portanto, provavelmente, não podemos esperar nada além de besteiras desonestas saindo da boca de Strobel nas próximas frases.

E não estamos desapontados. Ele começa com uma variante da apologética 10/42 que já foi profundamente aniquilada por verdadeiros especialistas em história antiga. Supostamente, há “39” fontes sobre Jesus do mundo antigo que enumeram “mais de 100” fatos sobre ele. Note que poderíamos dizer exatamente o mesmo sobre Hércules. Assim, essa afirmação não é nem mesmo capaz de estabelecer alguma historicidade. Precisamos de mais do que apenas “fontes” que “dizem coisas”. Temos toneladas dessas para quase todos os grandes deuses e heróis míticos.

Na verdade, quase não há fontes independentes sobre a vida real de Jesus. E os fatos sobre ele desde nossas primeiras fontes (as epístolas) são todos teológicos, não objetivamente históricos. Além disso, todas as fontes em Jesus são demonstravelmente míticas, ou simplesmente repetem o que dizem essas fontes míticas (ao invés de as corroborar independentemente). Abordo todas as evidências nos capítulos 7 a 11 de On the Historicity of Jesus. Não parece algo bom. De fato, neste ponto em particular, mesmo um estudioso mainstream, que está convencido da historicidade, mesmo alguém escolhido aleatoriamente dentre toda a academia, certamente mostraria que a posição de Strobel é uma grande mentira.

Logo Strobel cita o historiador ateu Gerd Lüdemann dizendo que a crucificação de Jesus é indiscutível – e isso é verdade, e ele o diz, em uma única linha no capítulo 4 de seu antigo livro Ressurrection of Jesus: History, Experience, Theology (1995… Ou seja, há vinte e um anos atrás… Gostaria de saber o quão certo Lüdemann está hoje sobre). Mas isso ilustra uma moda comum entre artistas Cristãos como Strobel. Se você procurar e olhar para essa linha de Lüdemann, você vai achar que ele é apoiado por exatamente zero de evidência. Em nenhum ponto, em qualquer lugar nesse livro, Lüdemann realmente afirma que a crucificação de Jesus é indiscutível, mas ele apenas alega isso. Por ordem. Desculpa, Lee, mas isto não resistiria num tribunal.

A única coisa que é realmente indiscutível é que os primeiros Cristãos acreditavam que Jesus foi crucificado. Em que baseiam tal crença? Paul não menciona ninguém o vendo. A única fonte que ele cita é a escritura. Em outras palavras, “a Bíblia nos disse” (1 Coríntios 15: 3-4, Romanos 16:25). Isso é inadmissível como prova em um tribunal americano. 1ª Pedro também cita apenas a escritura como prova, não como qualquer um tendo testemunhado isso. Nenhuma outra fonte fora dos contos míticos dos evangelhos nunca menciona ninguém vendo isso acontecer. E essas histórias eram desconhecidas para Paulo, e foram inventadas após sua morte, por pessoas desconhecidas, uma vida inteira depois que a religião se iniciou. É por isso que é perfeitamente possível que Paulo quisesse dizer exatamente o que ele diz: Que a crucificação de Jesus era um segredo revelado apenas à aqueles que poderiam interpretá-lo pelas escrituras. (Ver capítulo 11 do OHJ).

Claro, Jesus existir e ser executado realmente não ajuda o caso real que eles devem fazer para o tribunal. A demandante Martha Nussbaum teria de responder sobre a citação de Strobel acerca de Lüdemann, onde Lüdemann não baseou em nenhuma evidência ou argumento, com a conclusão de Dale Allison, argumentada com muita evidência, de que Jesus não pregou o Sermão da Montanha (OHJ, p. 466). E Allison não é negador da historicidade de Jesus. Ele é tão mainstream quanto muitos especialistas históricos atuais, e muito mais qualificado do que Strobel para testemunhar sobre o ponto. (Embora testemunhas peritas devam testemunhar o status de uma questão em seu campo, e como isso, Nussbaum diria que a historicidade do Sermão da Montanha de Jesus é amplamente duvidosa, mas que alguns especialistas ainda discordam sobre o quanto do que é fabricado).

Em seguida, Strobel diz que “podemos reconstruir os fatos básicos sobre Jesus apenas de fontes não cristãs, fora da Bíblia”. Isso não é apenas 100% duvidoso (não há fonte não-cristã fora da Bíblia que não derive suas informações ou dos Evangelhos, ou de Cristãos citando os Evangelhos… assim, com zero fontes independentes, não temos nenhuma corroboração externa do que está na Bíblia), como também é 100% falso. Se o advogado da autora não era um cara arrogante, estúpido e grosseiro como os escritores descrevem, ele indicaria isso. Sua cruz sobre este ponto começaria com: “Ok, podemos verificar se Jesus ensinou o Sermão da Montanha de fontes não-cristãs, fora da Bíblia?”. Na ficção que eles construíram, Lee provavelmente diria a verdade. Porque, caso contrário, ele iria para a prisão. A resposta é não.

Strobel, pelo menos, fecha com um ponto válido, apesar que, de qualquer forma, não seria algo necessário para chamar Strobel para o estande, em primeiro lugar: Que o mais amplo consenso, mesmo entre os especialistas (reais) não-Cristãos é que Jesus existiu. O fato de sua existência é discutível. Mas, para os propósitos de um julgamento como este, isso não importaria. Bastaria que fosse a norma atual na comunidade de especialistas e, portanto, não seria meramente um ponto de teologia. Um ponto que eu já fiz antes. Mas, como já observei, nada sobre este caso tem suporte para estabelecer Jesus existiu. A questão colocada ao tribunal, na ficção que o filme construiu, foi se Jesus ensinou o Sermão da Montanha. Não se ele simplesmente existiu. (Aliás, nem se ele tiver existido apoiaria totalmente a verdade da religião cristã, como estas cenas parecem seriamente propor – e, desta forma, muito menos).

Mas mesmo assim, no mundo real, esse professor poderia simplesmente dizer que os cristãos, e até mesmo alguns especialistas não-cristãos, acreditam que Jesus disse essas coisas, e que, mesmo que não [tenha existido], a Bíblia o descreve dizendo essas coisas e essa representação Inspirou Martin Luther King, Jr. Essas são afirmações factualmente verdadeiras, independentes de qualquer convicção religiosa, e, de nenhuma maneira, declará-las em uma sala de aula pública do ensino médio violam a separação entre igreja e estado. Mas isso nos devolve à implausibilidade do enredo do filme, e não à coerência interna de seu caso para Jesus.

Quando voltarmos a isso, a última linha de Strobel no estande é um completo espantalho. Ele diz que se você não acredita que Jesus existiu, isso prova que nenhuma quantidade de evidência pode persuadi-lo. Desde que documento muitas evidências que me convenceriam em “On the Historicity of Jesus“, no entanto, eu não acredito que seja provável que Jesus tenha existido, e a afirmação final de Strobel seria facilmente refutada no tribunal por qualquer tipo de Martha Nussbaum. Mas, neste filme, o queixoso não tem perguntas para Strobel, e não há testemunhas de refutação para chamar. Porque isso é totalmente realista…

Agora que já vimos o testemunho de Strobel.

James Wallace, “Detetive”

A cena que descreve o testemunho de Wallace (sim, ele também se interpreta, e também promove o seu próprio livro no filme – Que legal!) Começa em 1:18:29 (indo pela Amazon Digital Direct Edition). Sua experiência declarada para o registro é “detetive de homicídio aposentado” (na qual a acusação se moveria para expulsar a testemunha por falta de qualificações em línguas antigas, literatura ou história). Quais provas ele apresenta ao tribunal?

1.

Wallace diz que “olhou para os Evangelhos como faria com qualquer outro conjunto de declarações forenses” e concluiu que “os quatro Evangelhos” contêm “relatos de testemunhas oculares” de Jesus. Que o estabelece como um tolo ou um mentiroso.

Quando perguntado se os autores do Evangelho poderiam ter conspirado para criar suas histórias para promover sua religião, ele nem sequer menciona a evidência real de conspiração (como a cópia literal do testemunho de cada um) – o que faz sentido, porque ele não podia refutar essa evidência, então ele precisa escondê-la da audiên… Quero dizer, do júri – Mas, em vez disso, ele tenta afirmar que haviam muitos deles para manter uma conspiração (embora houvessem apenas quatro, abrangendo um período de sessenta a oitenta anos… Ah, desculpe, ele não menciona isso, também), e que eles estavam sob muita pressão para dizer a verdade de ter mentido, porque “cada uma dessas pessoas foi torturada e morreu por aquilo que eles alegaram ver, e nenhum deles nunca renegou sua história.” Que é 100% falso. Não temos nenhuma evidência de que qualquer um deles tenha morrido por qualquer coisa fora dos Evangelhos, muito menos todos eles. (Nem qualquer evidência que confirme que nenhum deles jamais se retraiu de qualquer coisa, também.) (Ver Did the Apostles Die for a Lie?)

Então. É mentiroso.

“Em vez disso”, diz ele, “o que eu vejo nos evangelhos é o que eu chamo de declarações de apoio à testemunha ocular involuntária”, que ele alega serem coisas como quando Mateus fala dos guardas batendo em Jesus pedirem-lhe para profetizar quem o atingiu, mas só um autor posterior, Lucas, mencionar que Jesus foi vendado. Então, Wallace argumenta, Mateus se esqueceu de mencionar sobre a venda. Mas Lucas sabia disso. Portanto, estes dois autores estão independentemente corroborando um ao outro!

Bons Senhores de Kobol, espero que não seja assim que os analistas de testemunhos forenses operem!

Naturalmente, mesmo se concedêssemos os fatos que este “perito” apresenta no tribunal – O que violaria seu juramento ao tribunal de que ele diria toda a verdade (falarei mais sobre isso em um momento), então, de fato, Wallace está cometendo um crime de perjúrio nesta cena –nenhuma venda era necessária para que os soldados desafiassem Jesus a saber milagrosamente os nomes dos homens que o batiam. Lucas, portanto, poderia simplesmente ter adicionado uma venda para fazer a história soar mais surpreendente, ou porque ele pensou que seria uma história melhor, ou ele simplesmente assumiu que Jesus deve ter sido vendado – todas as causas comumente estabelecidas de enfeites para as histórias de como elas são transmitidas e recontadas. Um investigador forense que não sabe que as histórias rotineiramente são embelezadas exatamente desta maneira já o desqualifica mesmo como um detetive, muito menos como uma testemunha confiável para o tribunal. (Da mesma forma, mesmo o fato dele não poder sequer pensar que adivinhar os nomes dos soldados era bastante desafiador sem uma venda nos olhos).

Mas vamos voltar à sua prisão por perjúrio, já que só se podemos esperar o “corta!” do diretor perdido.

Porque, sabe onde Lucas teve a ideia da venda nos olhos? Da fonte que ele estava copiando: Marcos. Marcos 14:65 diz: “Alguns começaram a cuspir nele, a vendá-lo e a golpeá-lo, dizendo-lhe: Profetiza!” Os guardas também o tomaram e o espancaram. “Marcos usa o infinitivo perikalyptein; Lucas usa o participio perikalupsantes. Mas é exatamente o mesmo verbo: perikalypsô. Marcos diz que “cobriram seu rosto”; Mateus 26: 67-68 também está copiando de Marcos, e ele escolheu derrubar a cobertura, e substituí-la, em vez de cuspir em seu rosto (em vez de simplesmente “cuspir nele”, como Marcos diz ). Mateus acrescentou então o conhecido jogo infantil (Aland Dundes, Holy Writ as Oral Lit, pp. 112-13) de pedir a Jesus para não apenas profetizar, mas profetizar quem estava batendo nele. Lucas 22: 63-65, então, tomou emprestado a cobertura de Marcos, mas ignorou a parte do cuspe. Então ele copia as palavras exatas de Mateus: “Profetiza! Quem é que te atingiu?” Lucas só deixa as palavras “para nós, Cristo!”, Mas usa exatamente as mesmas palavras, exatamente na mesma forma, exatamente na mesma ordem (OHJ, p.471).

Isso não é corroboração testemunha independente. Esta é a redação criativa do depoimento de outra pessoa. Mateus está reescrevendo Marcos. E simplesmente embelezando o texto. E Lucas está reescrevendo Marcos e Mateus toma alguns elementos de um, e alguns do outro. (João, por sua vez, não menciona isso ocorrendo totalmente). Nenhum detetive poderia, possivelmente, não ter notado isso. Nem um detetive honesto poderia concluir que isso significava que os Evangelhos tinham testemunho independente, ou mesmo testemunha ocular. A evidência inequivocamente estabelece que eles estão usando os depoimentos escritos de outras pessoas para construir seus próprios. E nenhuma evidência estabelece que eles tinham qualquer outra fonte, exceto sua própria imaginação criativa.

Já é um fato bem conhecido que grandes porções de Mateus e Lucas são cópias literais de Marcos. O que elimina qualquer possibilidade de que Mateus e Lucas estejam registrando testemunhos oculares. É também um fato bem conhecido que grandes porções de Mateus e Lucas são cópias literais umas das outras. O que significa que Lucas está copiando Mateus, ou Lucas e Mateus estão copiando algum outro texto grego fixo. De qualquer forma, novamente, não é uma fonte de testemunha ocular. Omitir esses fatos de seu testemunho em tribunal é perjúrio.

O fato de Wallace ignorar todas as evidências que o refutavam, e fabricar alegações sobre documentos que são falsos, praticamente o estabelece como um mentiroso. E, em um caso real, o conselho para o queixoso certamente teria apontado isso. Ou sua Martha Nussbaum o faria. E, então, Wallace seriam quem iria precisar de um advogado.

2.

Então, isso é ruim.

Wallace então afirma (ainda não apresenta nenhuma evidência para o tribunal) que os Evangelhos “contêm os relatos confiáveis ​​das palavras reais de Jesus”, porque ele analisou-as como testemunhas oculares. Mesmo que Wallace estivesse qualificado para testemunhar isso no tribunal (ele não está), o advogado do demandante simplesmente chamaria sua Martha Nussbaum para o estande, que tem muito mais credenciais em línguas e literatura antiga do que Wallace, para “comê-lo frito no café da manhã”.

Qualquer Nussbaum observaria imediatamente que Wallace não pode aplicar os princípios da análise de testemunha ocular aos Evangelhos, porque estes não são testemunhos oculares. Eles são, como concordam todos os especialistas, construções literárias de autores desconhecidos, a quem a defesa nem sequer pode estabelecer, conhecer testemunhas, e muito menos gravam fielmente tudo o que disseram. Mas, mesmo que chamassem um detetive para o estande, ele explicaria que quando duas testemunhas lhe dizem exatamente a mesma história palavra por palavra, isso demonstraria colusão – em outras palavras, conspiração. Tais testemunhos não são realmente confiáveis ​​pela polícia ou tribunais. E Lucas não apenas repetidamente copia Marcos literalmente; Ele repetidamente copia Mateus literalmente, inclusive aqui; E tudo o mais que Lucas diz aqui é simplesmente reformulado de Marcos.

Mas, o mais importante é que, a medida em que Lucas copia Mateus (ou algum outro documento grego também copiado literalmente por Mateus) no Sermão da Montanha, a passagem real de relevância para o julgamento é ainda mais extensa. Notavelmente, Wallace não dá à corte nenhum testemunho relativo aos acordos e variações entre Mateus e Lucas sobre a passagem realmente relevante para o caso. Portanto, ele não pode argumentar que essas são testemunhas oculares que se corroboram. Este é um autor copiando e reescrevendo outro. E isso não nos deixa com um relato confiável do Sermão da Montanha.

No entanto, depois de ter escondido do tribunal todas as provas pertinentes que refuta a posição da defesa e do seu próprio perito, o advogado de defesa pede a Wallace para confirmar que Jesus disse exatamente o que o Sermão da Montanha registra. Como eu já observei com Strobel, o problema mais condenável aqui é que é a posição na literatura revisada por pares de verdadeiros especialistas sobre este assunto é que Jesus não disse o que o Sermão da Montanha registra. Não só foi inventado décadas mais tarde, mas foi composto em grego, usando a Septuaginta grega, e não a Bíblia hebraica como sua base. Portanto, não pode conter o testemunho ocular de ninguém. As testemunhas oculares provavelmente não teriam falado grego, nem sido capazes de ler ou recitar a Bíblia grega. Nem Jesus teria usado a Bíblia grega em vez da Bíblia hebraica como base para seu ensinamento.

Wallace usar um texto grego composto usando uma Bíblia grega como sua base bíblica, onde a literatura especializada revisada por pares declarou como forjada décadas depois, e alegar que a vida de Jesus pode, de alguma forma, ser testemunha ocular confiável do que Jesus disse décadas antes em aramaico implica incompetência de sua parte, como a recorrente Martha Nissbaum salientaria, ou, mais uma vez, pura mentira para a corte.

3.

Tendo enganado completamente o tribunal sobre esses pontos, e cometendo perjúrio, Wallace responde à única pergunta que lhe foi feita pelo conselho inepto ao autor, em relação às contradições nos Evangelhos que refutam sua confiabilidade, que “testemunhos oculares confiáveis ​​sempre diferem apenas ligeiramente”. Deixe-me enfatizar tal palavra. Porque isso é o que um advogado competente faria. Porque aquela palavra transforma seu próprio testemunho contra si mesmo.

Uma vez que é um fato demonstrável para o tribunal (nem sequer seria necessário um testemunho de peritos para verificar isto) que Lucas e Mateus copiaram Marcos literalmente em vários lugares, e uns aos outros, literalmente, em vários lugares, se fosse o caso que “sempre diferem apenas ligeiramente”, segue-se que os Evangelhos não podem ser relatos de testemunhas oculares confiáveis. Obviamente, eles estão em conluio: Simplesmente copiando os testemunhos uns dos outros, literalmente. Com pequenas variações, e às vezes grandes, mas isso é exatamente o que os mentirosos, com muita frequência, também fazem. Isso refuta a afirmação de Wallace de que os Evangelhos são testemunhas oculares independentes ou até mesmo que são de testemunhas oculares – porque, até mesmo a mesma testemunha ocular, não repete suas histórias literalmente palavra por palavra, de maneira idêntica, página por página, cada vez que são entrevistadas.

E com o perito da réplica do queixoso indicaria no carrinho, e certamente chamando tal testemunha em todo caso real do tribunal, o argumento de encontro ao perito do réu é muito pior do que aquele. Porque, quando os Evangelhos diferem, eles muitas vezes não apenas “diferem ligeiramente”. Eles diferem radicalmente. Na medida em que, como qualquer detetive real diria, se duas testemunhas se desviassem muito em suas ideias, qualquer detetive competente estaria expulso se uma ou ambas estivessem mentindo.

Aqui está um exemplo que a autora Martha Nussbaum poderia ter usado para ilustrar o ponto, que cito no meu capítulo sobre a historicidade da ressurreição de Jesus no The Christian Delusion (John Loftus, ed., 2010: p.295):

“[Em Marcos e Mateus, descobrindo o túmulo vazio] temos, basicamente, a mesma história. Exceto em Mateus, onde o jovem sentado dentro do túmulo tornou-se um anjo descendo do céu, causando um terremoto e paralisando alguns guardas, que Marcos não faz ideia de que estavam lá. Agora, imagine que você é um policial que chega à cena de um roubo de banco e encontra um cofre vazio e dois caixas. Dizem que foram buscar algum dinheiro e encontraram a abóbada vazia e ninguém estava lá, exceto um jovem dentro de um terno branco – que, desde então, desapareceu misteriosamente, mas na época disseram: “Não se preocupe! Nós levamos isso por uma boa causa!”. Esta já é uma história suspeita. Mas, então, o outro funcionário diz que, quando eles foram para o cofre, um robô com uma jet-pack desceu do céu, paralisado dois fuzileiros navais dos Estados Unidos que estavam guardando a abóbada, por algum motivo, então, repentinamente, abriram, revelando, de alguma forma mágica, que o túmulo estava vazio, e então este robô voador sentou-se em cima da porta do cofre e disse: “Não se preocupe! Nós levamos isto por uma boa causa!” Agora, seja honesto. Você acreditaria na segunda testemunha? Eu duvido que você teria muita confiança, mesmo na já muito estranha primeira história, muito menos no conto selvagem da segunda. E, no entanto, quando se trata de Jesus, não chegamos a entrevistar nenhuma testemunha como esta. Acabamos de ouvir o que algumas décadas mais tarde alguém disse que alguém viu, sem saber como ele sabe disso, ou quem lhe disse (ou por que deveríamos acreditar).”

Esta não é uma variação “ligeira” no testemunho de testemunhas oculares. O que Mateus está escrevendo é 100% besteira. E qualquer detetive honesto diria isso. (Como acontece, a reescrita de Mateus sobre a história de Marcos é parcialmente construída a partir de elementos da história do livro de Daniel, do Antigo Testamento, assim como Apocalypse Now é construído a partir de Heart of Darkness: veja Proving History, pp. 199-204)

Evidentemente, o que também nunca foi trazido nesta prova são as muitas alterações aos textos evangélicos que ocorreram ao longo dos séculos. As versões que temos agora não são literalmente idênticas ao que seus autores originais compuseram; E, na verdade, a versão agora usada para compor nossas bíblias de hoje é uma construção de erudição – o texto grego em que elas se baseiam não existe em nenhum manuscrito na Terra, e mesmo essa versão, que é realmente inteiramente hipotética, é bem conhecida pelos verdadeiros especialistas como não sendo idêntica ao que os autores originais escreveram. Pois, não há apenas centenas de leituras variáveis ​​indecidíveis, mas a inevitabilidade estatística implica ainda que deve haver dúzias de interpolações, deleções, emendas e erros de transcrição que ocorreram antes que qualquer evidência substantiva do manuscrito comecasse no terceiro século dC (e, portanto, não mais visível, em qualquer manuscrito existente). Na verdade, todos os manuscritos que temos derivam de uma única edição composta em uma guerra de propaganda inter-sectária de meados do século II, cem anos depois dos livros do Novo Testamento comecarem a ser compostos – Uma edição que sabemos ter sofrido intervenções de seus editores, mas porque nenhum manuscrito de qualquer edição anterior sobreviveu (nem qualquer citação dele), não temos acesso a como teria sido diferente da edição que temos. (Sobre ambos os pontos, veja: Three Things to Know about New Testament Manuscripts)

Por exemplo, o Codex Bezae de Lucas acrescenta à história do túmulo vazio que a pedra levou “vinte homens para mover”. Pela péssima metodologia de Wallace, este último deve vir de uma testemunha ocular, porque, de que outra forma o escriba produziria essa cópia de Lucas sem ter “conhecido” a razão pela qual as mulheres estavam preocupadas sobre quem iria abrir o túmulo para elas era que o levou “vinte homens” para fazê-lo? Não, Sr. Wallace. O escriba que acrescentou isto só o inventou. Porque esses documentos eram considerados textos livremente alteráveis. Não como testemunhos seladas e invioláveis. Eram histórias. Não relatórios. Mitos. Não histórias.

4.

Wallace conclui afirmando que era “um ateu devoto” quando começou seu estudo forense dos Evangelhos. E foi seu exame que o converteu. Muitos autores como ele dizem isso. Suas histórias, muitas vezes, acabam por ser pouco credíveis. A minha aposta é que ele está mentindo. Mas, se eu supôs-se que ele estava dizendo a verdade, é realmente triste que Wallace foi convertido por essas evidências, quando até mesmo um detetive da polícia como ele deveria ter sabido que os Evangelhos tinham todos os marcadores típicos de falsos testemunhos ao invés de verdades – como o conluio nas declarações ipsis litteris; Contradições irreconciliáveis; Um excesso de alegações fabulosas e improváveis; Falta de corroboração externa; Contradição com fatos históricos conhecidos; E ausência de quaisquer fontes de testemunhas verificadas para qualquer coisa em seus registros.

Em outras palavras … Vamos concluir que Wallace acredita em Jesus porque ele não percebeu que Lucas copiou um detalhe de Marcos? O que você diria de uma pessoa assim?

Honestamente, existem apenas duas possibilidades – e que são ainda piores: Que Wallace seja incrivelmente incompetente… Ou que ele seja simplesmente um mentiroso. E será que ele poderia, na ficção da história, ter sido condenado por perjúrio? Provavelmente. Sua única defesa contra isso seria, afinal, que ele era muito incompetente para o seu testemunho ter sido inscrito na corte.

Conclusão

Dizer que isso é o que os evangélicos pensam que é um bom caso para a historicidade. Exige mentir à todos, fazer declarações falsas sobre evidências (como se tivéssemos fontes independentes e não cristãs sobre a vida de Jesus – ou mesmo quanto a qualquer coisa que ele tenha dito), e esquecendo convenientemente de mencionar fatos inconvenientes (como o fato de Lucas ter sua referência dos olhos vendados copiando o texto de Marcos, e Lucas e Mateus copiando Marcos extensiva e literalmente, e Lucas copiando Mateus extensivamente e ipsis litteris – ou então Lucas e Mateus copiado extensiva e literalmente outro livro grego). E, acima de tudo, os roteiristas deste filme não poderiam sequer imaginar que um autor em um julgamento como este chamaria seus próprios peritos para o outro lado. Eles não só não conseguem imaginar sequer uma Martha Nussbaum, mas nem sequer conseguem conceber o que ela diria.

Mais provável, eles simplesmente não se importam com o que os especialistas reais pensam, ou o que é a evidência real, ou quais são os problemas como eles realmentes são. Eles não querem mostrar nenhuma dessas réplicas que ocorreriam em um julgamento real como este, porque eles não querem acreditar que essas refutações existem. E eles certamente não querem que seu público saibam que elas existem. Eles não querem que o público saiba que verdadeiros especialistas reais (especialistas com credenciais realmente relevantes) concluem que Jesus não ensinou o Sermão da Montanha. Eles não querem que o público saiba que verdadeiros especialistas reais (especialistas com credenciais realmente relevantes) concluem que os Evangelhos não foram escritos por testemunhas oculares e provavelmente não foram escritos por qualquer pessoa que conhecessem testemunhas oculares. Eles não querem que o público saiba que verdadeiros especialistas reais (especialistas com credenciais realmente relevantes) não saibam de nenhuma testemunha ocular que morreu pelo conteúdo dos Evangelhos. Eles não querem que o público saiba que os Evangelhos foram cópias uns aos outros textualmente e, portanto, não podem ser independentes um do outro, nem tiram seu material de testemunhas oculares. Eles não querem que o público saiba que os Evangelhos não apenas “ligeiramente” contradizem uns aos outros, mas contradizem uns aos outros de maneira tão fundamental que qualquer um de sentido iria aduzir a esse fato como evidência de mentira, não de confiabilidade. Eles nem querem que o público saiba que o calendário foi baseado em uma ficção medieval sobre Jesus que nem sequer tem qualquer apoio bíblico dos Evangelhos, muito menos registros históricos reais.

A lição deste filme, mesmo partindo apenas das duas cenas que acabei de analisar, é que os cristãos evangélicos são irremediavelmente incompetentes ou incrivelmente mentirosos. O caso feito para a historicidade de Jesus (e seus ensinamentos exatos) neste filme só podem ser um ou outro. Lee Strobel e James Wallace só podem ser um ou outro. A evidência é clara e nítida.

Sua vez de falar.

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