Dois familiares Vikings morreram em países diferentes. Agora, seus ossos foram reunidos

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Os restos do homem mais velho. Crédito: Museu da Cidade de Odense.

Por Michelle Starr
Publicado na ScienceAlert

Há mil anos, dois vikings morreram violentamente.

Um deles, na ilha dinamarquesa de Fiônia, morreu na casa dos 50 anos, provavelmente devido a uma facada no quadril. O outro morreu na casa dos 20 anos a um mar de distância em Oxford, Inglaterra; seu estava corpo cheio de feridas e foi jogado em uma vala comum.

Não seria a primeira nem a última vez que duas pessoas ligadas pelos laços de parentesco pereceriam separadas por um vasto oceano – mas, milagrosamente, essas duas se reuniram um milênio depois.

De acordo com a análise genética, os dois conjuntos de ossos pertenciam a homens intimamente relacionados.

“Testes de DNA mostram que os dois homens têm parentesco de segundo grau”, disse o geneticista Eske Willerslev, da Universidade de Copenhague, na Dinamarca. “Isso significa que eles são meio-irmãos ou sobrinho e tio”.

A relação entre os dois foi descoberta durante um grande projeto em 2020 para estudar o DNA de 442 indivíduos, de 2400 a.C. até cerca de 1600 d.C., de regiões de todo o hemisfério norte. Essas amostras genéticas foram comparadas às de estudos anteriores, incluindo um banco de dados de 922 indivíduos pré-históricos e 3.855 genomas modernos.

A vala comum. Crédito: Museu Nacional da Dinamarca.

Em tais estudos, não é incomum encontrar indivíduos aparentados e, de fato, os cientistas encontraram vários. Entretanto, normalmente, esses parentes são encontrados na mesma vizinhança geral. A descoberta de dois homens intimamente relacionados separados pelo Mar do Norte foi inesperada.

O homem na casa dos 50 anos, de Fiônia, foi descoberto em 2005. Ele parecia ter levado uma vida difícil. Ele tem sinais de artrite em muitos de seus ossos e uma inflamação nas costelas que pode ter sido causada por tuberculose. Ele seguia uma dieta camponesa com muita carne. E ele estava acostumado com a violência – ele tinha um ferimento em um dos ossos do pescoço causado por algo afiado, mas que havia cicatrizado.

“Mas não só isso”, disse o arqueólogo Jesper Hansen, do Museu da Cidade de Odense, na Dinamarca. “Ele também tem uma lesão violenta na pélvis esquerda, que pode ter se originado de uma punhalada certeira de uma espada. O ferimento daquele golpe pode ter custado a vida, porque não cicatrizou”.

O jovem, cujos ossos foram escavados em 2008, teve uma morte muito mais sangrenta durante uma época de conflito entre os ingleses e os vikings, que se estabeleceram na Inglaterra depois do fim de um período de invasão em 850 d.C.

Em 980 d.C., durante o reinado do inglês Etelredo, o Despreparado, os ataques vikings recomeçaram; em 1002 d.C., depois do aumento de tumultos, Etelredo ordenou que todos os dinamarqueses na Inglaterra seriam condenados à morte.

Muitos dinamarqueses foram mortos no que veio a ser conhecido como o Massacre do Dia de São Brício; outros foram mortos na batalha que se seguiu. Um deles era nosso jovem, cujo corpo mutilado foi enterrado em uma vala comum em Oxford, com pelo menos 35 outros homens, cujos corpos também ficaram gravemente feridos.

O crânio do jovem. Crédito: Museu Nacional da Dinamarca.

Havia pelo menos nove cortes no crânio do homem, causados ​​por objetos pontiagudos. Seus ossos também mostraram sinais de ferimentos de flecha, e lanças foram cravadas em suas costas. Foi uma morte brutal.

Separados por tanto tempo e espaço, os dois parentes agora foram reunidos. Os ossos do jovem foram devolvidos à Dinamarca, onde os dois esqueletos ficarão juntos em exibição, como parte de uma nova exposição chamada Togtet (Reunidos) no Museu Nacional, que começa no dia 26 de junho.