Especulações e estudos sobre outros planetas

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Créditos da Imagem: NASA.

Por Felipe Freires
Publicado na Space Today

Os modelos teóricos “apontam” que a formação de estrelas primordiais começou a cerca de 100 milhões de anos depois do big bang, que ocorreu há 13,82 bilhões de anos, e essas estrelas tinham elementos mais pesados que o Hélio (He), porém a metalicidade era pequena. Posteriormente, ocorreram explosões de estrelas, que explodiram em supernovas, e ao decorrer do tempo, elementos mais pesados foram criados, até a formação de discos protoplanetários.

Existem as chamadas estrelas CEMP, que são estrelas pobres em Ferro, porém, são ricas em carbono, sendo que uma das principais explicações para esse fato é a formação dessas estrelas a partir do remanescente de supernovas primordiais. Segundo essa explicação, houve  colapso, e nele foi criado um buraco negro, sendo que a camada mais externa foi expulsa, liberando Hidrogênio (H), Oxigênio (O), Carbono (C), Nitrogênio (N) e o Iodo (I). Com isso, estrelas CEMP poderiam formar discos protoplanetários, com abundância em carbono (C), mas, com baixo teor de Ferro (Fe).

Estudos com base em estatísticas utilizando dados de mais de 3.000 exoplanetas indicam que as estrelas com baixo teor de ferro (Fe) não costumam ter gigantes gasosos em seus sistemas, ou seja, os gigantes gasosos nesses sistemas planetários devem ser difíceis de ser encontrados.

Créditos da Imagem: Christine Pulliam.
Créditos da Imagem: Christine Pulliam.

Segundo alguns estudos que foram realizados, as atmosferas desses planetas não teriam alta concentração de O2 e O3 e nem mesmo de dióxido de carbono (CO2). As composições atmosféricas desses planetas provavelmente seriam de moléculas mais pobres em oxigênio que a atmosfera terrestre, podendo ter CO se for um exoplaneta quente, ou CH4 caso seja um exoplaneta frio.

Esses planetas não seriam muito densos devido à ausência de metal, e poderiam ter um campo magnético fraco por causa da falta de ferro e elementos pesados em seus núcleos, porém, especula-se que eles possam ter diamantes em seus núcleos, ou talvez na crosta, porque eles são feitos de carbono, que ao ser superaquecido se transforma em diamante. Um exemplo é o exoplaneta 55 Cancri e, um exoplaneta que os astrônomos detectaram variações térmicas, que foram atribuídas às erupções vulcânicas, ou seja, talvez ele tenha grande volume de diamante, porque foi detectado carbono, e sua temperatura possa superar os 2000 K.

Podemos pensar nesses planetas como planetas escuros, talvez ricos em diamantes, questão que foi levantada, sendo planetas misteriosos e intrigantes, assim como qualquer outro exoplaneta, um estudo fascinante.

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Sergio Sancevero
Graduado em Geofísica pela Universidade de São Paulo (1999), mestrado em Ciências e Engenharia do Petróleo pela Universidade de Campinas (2003) e doutorado em Geociências pela Universidade de Campinas (2007). Atuou na empresa ROXAR entre os anos de 2007 e 2011 como consultor especializado na área de modelagem de reservatórios, participando ativamente das atividades da empresa em toda América do Sul. Atualmente trabalha na Landmark como especialista em Geologia voltado exclusivamente para buscar soluções que respondam às atuais demandas do mercado brasileiro. Tem experiência na área de Geociências com ênfase em Geofísica Aplicada.