Estagiário de arqueologia encontra espetacular adaga romana de 2.000 anos

Após uma restauração de nove meses, a lâmina elaboradamente decorada e sua bainha brilham como se fossem novinhas em folha.

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Adaga e bainha restauradas, após nove meses de jateamento e esmerilhamento. Créditos: LWL / Eugen Müsch.

Traduzido por Julio Batista
De Katherine J. Wu, da Smithsonian Magazine

No que diz respeito a estágios, Nico Calman sem dúvida teve um especialmente marcante.

No ano passado, durante sua passagem pelo Departamento de Vestfália de Preservação e Manutenção de Monumentos do Campo na Alemanha, Calman, de 19 anos, desenterrou uma adaga de prata de 2.000 anos que pode ter auxiliado os romanos em uma guerra contra uma tribo germânica no primeiro século d.C.

Achada ainda em sua bainha no túmulo de um soldado no sítio arqueológico de Haltern am See, a arma estava quase irreconhecível por conta de séculos de corrosão. Mas nove meses de jateamento meticuloso revelaram uma lâmina e uma bainha espetacularmente ornamentadas de 33 centímetros de comprimento, que antes estavam penduradas em um cinto de couro combinando, relata Laura Geggel para o Live Science.

“Esse conjunto de lâmina, bainha e cinto completamente preservados, juntamente com informações importantes sobre exatamente onde foram encontradas, é algo incomparável”, disse Michael Rind, diretor de arqueologia do conselho de Vestfália-Lippe, a Oliver Moody a Times.

Datado do período agostiniano, que durou de 37 a.C. ao 14 d.C., a lâmina e seus acessórios provavelmente fizeram parte de algumas das derrotas mais humilhantes da história romana, segundo a Times. Naquela época, Haltern, que ficava em uma região de fronteira do vasto império romano, abrigava uma base militar para soldados – até 20.000 dos quais foram abatidos quando tribos germânicas invadiram a região em 9 d.C.

Muitos desses homens foram enterrados em um cemitério próximo, onde a equipe de Vestfália vem aos poucos coletando artefatos. A adaga em questão, embutida em um bloco de terra, apareceu enquanto Calman estava escavando uma vala.

Embora a adaga estivesse envolta em uma espessa camada de ferrugem, a arqueóloga Bettina Tremmel rapidamente reconheceu seu valor e entrou em contato com restauradores para escavar e restaurar a lâmina. O tratamento retornou a arma para uma condição surpreendentemente primitiva, mostrando uma alça brilhante e uma bainha incrustada de prata e vidro no topo de uma lâmina de ferro cônica e ranhurada. Também se destaca uma bainha forrada de madeira, complementada com esmalte vermelho, que ainda tinha quatro anéis que tempos atrás se prendiam ao cinto do soldado.

A aparência requintada da adaga era uma indicação clara de status. Mas a lâmina pequena, útil apenas a curta distância, provavelmente não teve muita ação no campo de batalha, sendo mantida principalmente como uma arma de reserva usada apenas quando as espadas fossem perdidas ou danificadas.

Ainda assim, disse Tremmel à Live Science, sua descoberta foi “emocionante” para a equipe.

“Estávamos sem palavras”, acrescenta ela. “Embora milhares de soldados romanos ocuparam Haltern por quase 15 anos ou mais, existem apenas algumas descobertas de armas, especialmente completas e intactas”.

Mesmo que a equipe continue escavando, a adaga pode continuar sendo um achado único.

“Não era prática comum soldados romanos serem enterrados com seu equipamento militar”, disse Tremmel à Live Science. Os pesquisadores continuam incertos por que a arma acompanhou seu dono até o túmulo.

Agora retirada de sua tumba, a adaga será exibida no museu de história romana de Haltern a partir de 2022.