Cientistas estão construindo um teletransportador quântico baseado em buracos negros

Teoricamente, isso transformaria os teletransportadores em um buraco de minhoca funcional.

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Crédito: Victor Tangermann.

Traduzido por Julio Batista
Original de Dan Robitzski, no Futurism

Buraco de minhoca funcional

Uma equipe de físicos tem um plano para construir um buraco de minhoca funcional que possa funcionar como uma ponte através de dois pontos no espaço. E tudo o que será necessário são… dois buracos negros quanticamente emaranhados.

A sabedoria convencional nos diz que nada escapa da imensa força gravitacional de um buraco negro. Mas, de acordo com a pesquisa teórica de alguns anos atrás, dois buracos negros totalmente entrelaçados poderiam ser capazes de transmitir informações quânticas entre eles – em vez de destruí-las – depois de passar pelo horizonte de eventos, informa a Quanta Magazine.

Nesse sentido, os buracos negros recriariam um fenômeno chamado teletransporte quântico, que os engenheiros exploram na construção de computadores quânticos. A física do teletransporte quântico fica impossivelmente densa, mas ela basicamente envolve a transmissão de informações criptografadas de uma máquina para outra.

Versão em escala de laboratório

Criar e vincular buracos negros reais em um laboratório é um enfoque além das capacidades científicas modernas, mas agora os pesquisadores da Universidade de Maryland Christopher Monroe e Brian Swingle disseram a Quanta que talvez poderiam construir circuitos quânticos que se comportariam como buracos negros emaranhados.

O mais desconcertante é que, de acordo com modelos anteriores, o circuito se comportaria exatamente como um buraco negro minúsculo, segundo a Quanta. Isto é, o sistema resultante não está apenas tentando recriar a atividade de um buraco negro – seria indistinguível da coisa real.

Se funcionasse, eles seriam capazes de inserir informações quânticas em um circuito de “buraco negro”, que iria codificá-las e depois consumi-las. Depois de um tempo, essa informação sairia do segundo circuito, já decifrada e decodificada. Isso diferencia das técnicas de teletransporte quântico existentes, como descreve a revista Quanta, enquanto as informações transmitidas surgem totalmente codificadas e precisam ser descriptografadas, tornando o processo mais demorado e menos preciso, pois um computador quântico propenso a erros tenta recriar a mensagem original.

Dispositivo de teletransporte

Enquanto a ideia de buracos de minhoca e buracos negros enredados nos remete a ficção científica de exploradores navegando em warp time pelo cosmos, não é bem isso que está acontecendo aqui.

Pelo contrário, é uma maneira sugestiva de melhorar a tecnologia de computação quântica. Recriando e enredando as propriedades estranhas dos buracos negros, disse à Quanta Norman Yao, pesquisador da Universidade da Califórnia, Berkeley, “permitiria o teletransporte no menor tempo possível”.