Este ‘crocodilo aterrorizante’ tinha dentes do tamanho de bananas – perfeito para comer dinossauros

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Reconstrução do fóssil do Deinosuchus hatcheri. Créditos: Daderot / Wikimedia Commons.

Por Peter Dockrill
Publicado na ScienceAlert

Ele viveu em uma época diferente. Perto do final do período Cretáceo, a América do Norte foi dividida em duas com um gigantesco mar em seu meio. Os dinossauros, chegando ao fim de seu reinado, ainda abundavam neste lugar quente e úmido. Mas eles tinham que tomar cuidado com seus passos, especialmente se estivessem na beira da água.

Na parte rasa estava Deinosuchus: o ‘crocodilo aterrorizante’. Este gigante crocodiliano extinto era o maior carnívoro em seu ambiente semi-aquático – um poderoso superpredador que se banqueteava até de dinossauros caso eles se aproximassem demais.

Os fósseis de Deinosuchus foram encontrados pela primeira vez nos Estados Unidos na década de 1850 e foram estudados por bem mais de um século, mas as classificações das espécies dentro do gênero têm sido debatidas há muito tempo.

Em um novo estudo, pesquisadores da Universidade de Iowa, Estados Unidos, revisitaram as evidências fósseis existentes e também examinaram espécimes fósseis recém-coletadas.

Crânio de um Deinosuchus schwimmeri. Crédito: Journal of Vertebrate Paleontology.

Os resultados de sua reavaliação filogenética sugerem que três espécies distintas de Deinosuchus podem ser discernidas no registro fóssil: a espécies-tipos D. riograndensisD. hatcheri, e uma espécie recentemente identificada, D. schwimmeri .

Deinosuchus era um gigante que deve ter aterrorizado dinossauros que vinham até a beira da água para matar a sede”, disse o pesquisador e paleontólogo Adam Cossette que liderou a pesquisa, agora no Instituto de Tecnologia de Nova York.

“Até agora, o animal completo era desconhecido. Essas novas espécimes que examinamos revelam um predador bizarro e monstruoso com dentes do tamanho de bananas.”

Embora o mais antigo espécime de Deinosuchus conhecido até o momento tenha aproximadamente 82 milhões de anos, os pesquisadores dizem que uma população ancestral comum para todas as diferentes espécies é provável, e teria existido na América do Norte antes que o aumento do mar levasse a formação do Mar Interior Ocidental, que cortou o continente no meio.

Quando isso aconteceu, o pesquisador especula que diferentes ambientes nas costas leste e oeste levaram a adaptações evolutivas que resultaram em morfologias e tamanhos corporais ligeiramente divergentes entre os D. riograndensisD. hatcheri e D. schwimmeri.

Impressão artística do Deinosuchus. Crédito: Tyler Stone.

“Era um animal estranho”, diz o paleontólogo Christopher Brochu. “Isso mostra que os crocodilianos não são ‘fósseis vivos’ que não mudaram desde a era dos dinossauros. Eles evoluíram tão dinamicamente quanto qualquer outro grupo.”

Com base na evidência fóssil, D. riograndensis e D. hatcheri passavam seus dias caçando dinossauros no oeste da América do Norte, de Montana ao norte do México. D. schwimmeri, entretanto, viveu ao longo da costa atlântica, entre New Jersey e Mississippi, nos Estados Unidos.

Independentemente de suas adaptações costeiras, no entanto, essas criaturas gigantes – que variavam entre os 10 metros de comprimento – eram alguns dos maiores e mais temíveis crocodilianos de todos os tempos, e tinham uma aparência mais próxima dos aligátores modernos do que dos crocodilos.

“Na época em que moravam aqui no leste dos Estados Unidos, não havia nada maior”, disse o geólogo e paleontólogo da Columbus State University, Geórgia (EUA), David Schwimmer ao Ledger-Enquirer.

Schwimmer não se envolveu com o novo estudo, mas foi a inspiração para a nomeação do D. schwimmeri, por suas contribuições na área.

“Na verdade, temos marcas de mordidas desses caras em ossos de dinossauros. Agora, a única pergunta que você pode fazer: eles estavam se alimentando de carniça ou eram predadores?”, disse Schwimmer.

“Meu palpite é que eram predadores… Esta criatura era grande o suficiente para derrubar a maioria dos dinossauros. Além disso, curiosamente, a maioria das mordidas que vemos são nos ossos das pernas e ossos do cóccix. Se você for capturar um dinossauro vivo, são os únicos lugares que você consegue agarrá-lo.”

As descobertas foram publicadas no Journal of Vertebrate Paleontology.