Estudo conclui que a religião não está relacionada com o pensamento intuitivo ou racional

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Por Carlos Zahumenszky
Publicado no Gizmodo

Um novo estudo da Universidade de Oxford acaba de descartar que o sentimento religioso está relacionado ao pensamento intuitivo. Além disso, a conclusão descarta também que a religiosidade é algo com o qual nascemos.

Até agora, a psicologia cognitiva explicava o desenvolvimento do sentimento religioso no cérebro como resultado do pensamento intuitivo. Em outras palavras, que as crenças religiosas emergem intuitivamente e que diferentes religiões canalizam uma conclusão que as pessoas chegam adiantadamente seguindo um processo natural. De acordo com essa hipótese amplamente aceita, os crentes são mais intuitivos do que analíticos.

Uma equipe combinada de neurocientistas, psicólogos e filósofos do Centro de Avanços em Ciências do Comportamento nas Universidades de Coventry e Oxford examinou essa suposição conduzindo um estudo sobre um grupo de peregrinos do Caminho de Santiago.

O estudo começou entrevistando seus voluntários para determinar seu grau de crenças religiosas e sobrenaturais. Depois foram submetidas a uma longa baterias de testes de lógica, matemática e probabilidade projetadas para analisar seu grau de pensamento intuitivo. Finalmente, eles foram submetidos a um experimento não-invasivo de eletroestimulação no giro frontal inferior, uma área do cérebro que deveria estar associada à inibição de crenças sobrenaturais em pessoas ateias.

Nenhum dos experimentos permitiu provar conclusivamente a relação que assumiu entre o sentimento religioso e o pensamento intuitivo. De acordo com o autor principal do estudo, Miguel Farías:

O que nos leva a crer em deuses? A intuição ou a razão, o cérebro ou o coração? Existe um longo debate sobre essa questão, mas nossas conclusões desafiam a teoria de que as crenças religiosas são determinadas pelo pensamento intuitivo ou analítico. Nós acreditamos que as pessoas nasçam crentes da mesma forma que todas acabam aprendendo de maneira inevitável algum tipo de linguagem.

Se não é intuitivo ou de nascimento, de onde vêm os sentimentos religiosos? Farías aponta para fatores sociais:

Os dados sociológicos e históricos que dispomos mostram que nossas crenças estão fundamentalmente ligadas aos fatores sociais e educacionais, e não em diferenças cognitivas, como a dicotomia entre pensamento intuitivo ou analítico. O sentimento religioso está baseado muito provavelmente na cultura de cada um, não em algum tipo de intuição ou sentimento primitivo.

Referência

  • Miguel Farias et al, Supernatural Belief Is Not Modulated by Intuitive Thinking Style or Cognitive Inhibition, Scientific Reports (2017). DOI: 10.1038/s41598-017-14090-9
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