Estudo conclui que a religião não está relacionada com o pensamento intuitivo ou racional

Créditos: Pixabay.

Por Carlos Zahumenszky
Publicado no Gizmodo

Um novo estudo da Universidade de Oxford acaba de descartar que o sentimento religioso está relacionado ao pensamento intuitivo. Além disso, a conclusão descarta também que a religiosidade é algo com o qual nascemos.

Até agora, a psicologia cognitiva explicava o desenvolvimento do sentimento religioso no cérebro como resultado do pensamento intuitivo. Em outras palavras, que as crenças religiosas emergem intuitivamente e que diferentes religiões canalizam uma conclusão que as pessoas chegam adiantadamente seguindo um processo natural. De acordo com essa hipótese amplamente aceita, os crentes são mais intuitivos do que analíticos.

Uma equipe combinada de neurocientistas, psicólogos e filósofos do Centro de Avanços em Ciências do Comportamento nas Universidades de Coventry e Oxford examinou essa suposição conduzindo um estudo sobre um grupo de peregrinos do Caminho de Santiago.

O estudo começou entrevistando seus voluntários para determinar seu grau de crenças religiosas e sobrenaturais. Depois foram submetidas a uma longa baterias de testes de lógica, matemática e probabilidade projetadas para analisar seu grau de pensamento intuitivo. Finalmente, eles foram submetidos a um experimento não-invasivo de eletroestimulação no giro frontal inferior, uma área do cérebro que deveria estar associada à inibição de crenças sobrenaturais em pessoas ateias.

Nenhum dos experimentos permitiu provar conclusivamente a relação que assumiu entre o sentimento religioso e o pensamento intuitivo. De acordo com o autor principal do estudo, Miguel Farías:

O que nos leva a crer em deuses? A intuição ou a razão, o cérebro ou o coração? Existe um longo debate sobre essa questão, mas nossas conclusões desafiam a teoria de que as crenças religiosas são determinadas pelo pensamento intuitivo ou analítico. Nós acreditamos que as pessoas nasçam crentes da mesma forma que todas acabam aprendendo de maneira inevitável algum tipo de linguagem.

Se não é intuitivo ou de nascimento, de onde vêm os sentimentos religiosos? Farías aponta para fatores sociais:

Os dados sociológicos e históricos que dispomos mostram que nossas crenças estão fundamentalmente ligadas aos fatores sociais e educacionais, e não em diferenças cognitivas, como a dicotomia entre pensamento intuitivo ou analítico. O sentimento religioso está baseado muito provavelmente na cultura de cada um, não em algum tipo de intuição ou sentimento primitivo.

Referência

  • Miguel Farias et al, Supernatural Belief Is Not Modulated by Intuitive Thinking Style or Cognitive Inhibition, Scientific Reports (2017). DOI: 10.1038/s41598-017-14090-9
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Douglas Rodrigues Aguiar de Oliveira
Sou fundador da Universo Racionalista | Graduando em Tecnologia em Redes de Computadores pela Universidade de Franca | Especialista em Fundamentals of Computing Network Security ( • Design and Analyze Secure Networked Systems • Basic Cryptography and Programming with Crypto API • Hacking and Patching • Secure Networked System with Firewall and IDS ) pela University of Colorado | Especialização em andamento em Cybersecurity ( • Computer Forensics • Network Security • Cybersecurity Fundamentals • Cybersecurity Risk Management • Cybersecurity Capstone ) pela Rochester Institute of Technology | Certificação em Information Security Specialist ( • InfoSec Foundation • Ethical Hacking Essentials • Computer Forensics Foundation ) pela ITCERTS | Certificação em Information Security Analyst ( • Information Security Policy Foundation • Vulnerability Management Foundation ) pela ITCERTS | Cursei integralmente as disciplinas teóricas em Licenciatura em Filosofia pela Universidade de Franca, mas não realizei o estágio supervisionado para a obtenção do diploma de Ensino Superior | Especialista em Journey of the Universe: A Story for Our Times pela Yale University | Colaborador do Instituto Ética, Racionalidade e Futuro da Humanidade | Colunista da Climatologia Geográfica | Membro da Rede Brasileira de Astrobiologia | Abaixo, segue o endereço do currículo na plataforma Lattes e LinkedIn.

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Evane Ferreira Junior
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Evane Ferreira Junior

Precisamos definir o Religioso. Para o psiquiatra Checo Stanislav Grof, um dos propositores da Psicologia Transpessoal junto com Abraham Maslow , Antony Sutich e tantos outros, há distinção clara entre Ciência, Religião e Espiritualidade. As duas primeiras muito ligadas aos aprendizados sociais e vida social, a última mais relacionada ao intrínseco e transcendente que jaz no fundo da psique. Você pode ir à igreja e nunca ter lá uma experiência espiritual, mas certamente terá uma experiência social. No entanto pode ser que o êxtase espiritual ocorra ao estudar ciência profundanente. Há várias tecnologias do sagrado , utilizadas pelas sociedades em… Read more »

Roberto Gallo
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Roberto Gallo

Depois, qdo alguém diz que a verdade não existe vcs vêm com papo de “postmod”, pfff. Não existe mesmo, ora!

Louis Charles Morelli
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Existe uma alternativa diferente que de imediato parece inaceitavel mas conhecendo os argumentos pode se tornar racional (sugerida pela Matrix/DNA Theory). E’ possivel que a crenca em deuses supernaturais seja efeito de genetica transmissao de “pais” em puro estado de consciencia para rebentos em estado de consciencia fetal embebidos num meio material. Modernos neurologistas informam que a consciencia seja produto da materia, porem nunca ninguem viu materia se tornando auto-consciente de sua propria existencia e isto parece impossivel ( como diz-se ter sido provado por teoremas de Godel e Tarski). Entao o crente nesta teoria precisa de inventar uma ideia… Read more »

Tiago
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Tiago

Alguém saberia informar se existe/existiu algum povo que não possui/possuiu religião?

Henrique Afonso
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Henrique Afonso

Parece que desde o início da história da humanidade existe religiões e crendices, o pico disso parece ter sido na idade média, onde todos viviam com medo.

Wesley
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Wesley

A tribo brasileiras, Pirahã

Flávio
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Flávio

Esse artigo nem tangencia a questão da religião ou do “instinto religioso” ser inato ou adquirido, somente reforça a importância do aprendizado na equação. A religiosidade é em parta inata e em parte adquirida. A “Teoria da Mente” ou a suposta capacidade inata de todo ser humano prever a ação de terceiros extrapolando seus sentidos imediatos pode estar na origem do sentimento religioso e na crença em espíritos sobrenaturais. É necessário provar que tal módulo cognitivo realmente existe e se ele é universal, provar que a Teoria da Mente é um dispositivo que independe do aprendizado e que está disponível… Read more »