Um dos ‘milagres’ mais famosos da Bíblia era apenas o primeiro registro de um eclipse

O eclipse anular do dia 21 de agosto. Créditos: AP Images.

Por Carlos Zahumenzky
Publicado no Gizmodo

O antigo testamento está cheio de supostos milagres, mas há um que revelou ser verdadeiro, embora não precisamente sobrenatural. É um eclipse solar ocorrido há 3.224 anos. Até o momento, é o relato mais antigo.

A passagem aparece no livro de Josué (versículos 12 e 13 do capítulo 10). O texto diz o seguinte:

Então Josué falou ao Senhor, no dia em que o Senhor deu os amorreus na mão dos filhos de Israel, e disse aos olhos dos israelitas: ‘Sol, detém-te em Gibeom, e tu, Lua, no vale de Aijalom. E o ‘Sol se deteve, e a Lua parou, até que o povo se vingou de seus inimigos. Isto não está escrito no livro de Jasher? O Sol, pois, se deteve no meio do céu, e não se apressou a pôr-se, quase um dia inteiro.

Há tempos suspeitam que a passagem, na realidade, não é realmente uma licença poética, mas a descrição de um fenômeno real. A hipótese usa como base o fato de que a passagem provém de uma tradução do inglês, realizada em 1611, na denominada Bíblia do Rei Jaime. A tradução do hebraico não está inteiramente correta e, em vez de fazer referência ao fato de que o Sol e a Lua estavam parados, pode ser interpretada como que eles deixaram de fazer o que normalmente fazem.

Imagem da primeira edição da Bíblia do Rei Jaime.

O problema é que ninguém, até o presente o momento, tinha conseguido confirmar que realmente aconteceu um eclipse nas datas referidas da passagem, que correspondem ao êxodo dos israelitas a Canaã e sua vitória sobre os amorreus (em algum momento entre os anos de 1500 e 1050 AEC).

Uma nova série de cálculos astronômicos, realizada por um grupo de pesquisadores da Universidade de Cambridge, conseguiu definir a data de um eclipse, que combina perfeitamente não apenas com a Bíblia, mas com os registros históricos dos faraós do antigo Egito. O eclipse, do tipo anular como o que aconteceu em 21 de agosto de 2017, ocorreu exatamente no dia 30 de outubro do ano de 1207 AEC e foi perfeitamente visível a partir de Canaã.

Os dados não revelam apenas o primeiro registro documentado de um eclipse na história da humanidade, mas servem para datar com uma precisão de um ano os reinados do faraó Ramsés II e seu filho Merenptah.

Referências

  • Colin Humphreys and Graeme Waddington. ‘Solar eclipse of 1207 BC helps to date pharaohs.’ Astronomy & Geophysics (2017). DOI: 10.1093/astrogeo/atx178
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Douglas Rodrigues Aguiar de Oliveira
Sou fundador da Universo Racionalista | Graduando em Tecnologia em Redes de Computadores pela Universidade de Franca | Especialista em Fundamentals of Computing Network Security ( • Design and Analyze Secure Networked Systems • Basic Cryptography and Programming with Crypto API • Hacking and Patching • Secure Networked System with Firewall and IDS ) pela University of Colorado | Especialização em andamento em Cybersecurity ( • Computer Forensics • Network Security • Cybersecurity Fundamentals • Cybersecurity Risk Management • Cybersecurity Capstone ) pela Rochester Institute of Technology | Certificação em Information Security Specialist ( • InfoSec Foundation • Ethical Hacking Essentials • Computer Forensics Foundation ) pela ITCERTS | Certificação em Information Security Analyst ( • Information Security Policy Foundation • Vulnerability Management Foundation ) pela ITCERTS | Cursei integralmente as disciplinas teóricas em Licenciatura em Filosofia pela Universidade de Franca, mas não realizei o estágio supervisionado para a obtenção do diploma de Ensino Superior | Especialista em Journey of the Universe: A Story for Our Times pela Yale University | Colaborador do Instituto Ética, Racionalidade e Futuro da Humanidade | Colunista da Climatologia Geográfica | Membro da Rede Brasileira de Astrobiologia | Abaixo, segue o endereço do currículo na plataforma Lattes e LinkedIn.

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Jefferson
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Jefferson

Agora só falta saber como que tal povo viu o tal eclipse lá pra 1200 a.C., se as datas dos primeiros registros bíblicos datam depois do sec. X a.C…

Pedro Moacyr Mendes de Campos
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Pedro Moacyr Mendes de Campos

Não é difícil imaginar a complexidade dos cálculos. Se o sol e a lua “pararam”, o que não creio, sabe-se que muitos fenômenos o correram através da história muitos dos quais associados à crenças diversas. O estado emocional, seja de um indivíduo ou de um coletivo permite dimensionar a passagem do tempo sob diversas formas principalmente o tempo de duração quando observavam o fenômeno. O medo sabe dimensionar o estado emocional.

Rafael
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Rafael

Tudo bem, digamos que o fato narrado pela Bíblia foi um eclipse, não um “milagre”. Mas como explicar a última parte do texto bíblico que diz: “O Sol, pois, se deteve no meio do céu, e não se apressou a pôr-se, quase um dia inteiro.”? Foi um eclipse que durou quase um dia todo? Nunca vi fato semelhante.

Astuto
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Astuto

Aí sim entra a licença poética. Um fato pode ser exacerbado por seus escritores, visto que até onde nós sabemos, a Bíblia não tem necessariamente a função de responder de modo preciso fatos históricos.

Mark
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Mark

Acredito que esse “Quase um dia inteiro” como em muitas outras oportunidades, é apenas mais uma expressão forte, era comum naquela época, o povo era muito fanático e supersticioso.

Luiz
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Luiz

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