Figuras sinistras com cabeças enormes são descobertas em pinturas de caverna na Tanzânia

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(Créditos: M. Grzelczyk, Antiquity, 2021)

Por Michelle Starr
Publicado na ScienceAlert

Em 2018, os arqueólogos fizeram uma descoberta surpreendente na Reserva de Caça Swaga Swaga, no centro da Tanzânia: 52 abrigos rochosos anteriormente não documentados, com pinturas de arte rupestre. O intemperismo havia destruído quase todos; mas dos que foram preservados, um era um enigma absoluto.

O local, chamado Amak’hee 4, foi elaboradamente pintado com um friso de arte figurativa – incluindo três misteriosas figuras antropomórficas com cabeças extremamente grandes.

De acordo com o arqueólogo Maciej Grzelczyk, da Universidade Jaguelônica na Polônia, isso poderia ser uma pista para descobrir o que poderiam ser as outras três figuras semelhantes encontradas em outros trechos de arte rupestre.

Esse trecho artístico do Amak’hee 4 é difícil de datar, mas Grzelczyk foi capaz de avaliar que tem pelo menos algumas centenas de anos. É quase inteiramente pintado em pigmento vermelho, exceto por cinco figuras em branco. O desgaste desse pigmento e a ausência de animais domésticos sugerem que ele é bastante antigo, remontando à época das sociedades de caçadores-coletores da região.

(Créditos: M. Grzelczyk, Antiquity, 2021)

Retratados no trecho estão animais que parecem se assemelhar a gnus, elandes, búfalos e até mesmo uma girafa, bem como algumas figuras humanas com cabeças grandes. Mas um grupo se destaca.

“Particularmente notável entre as pinturas de Amak’hee 4 é uma cena que gira em torno de três imagens”, escreveu Grzelczyk em seu estudo.

“Nessas três, as figuras parecem apresentar cabeças de búfalo estilizadas. Essas formas lembram a depressão central no perfil da cabeça do búfalo de onde os dois chifres se elevam e depois se curvam para fora da cabeça, bem como as orelhas voltadas para baixo.”

(Créditos: M. Grzelczyk, Antiquity, 2021)

A cultura do povo Sandawe, que descende daqueles que habitavam a região, não tem mitos e temáticas de pessoas com cabeça de búfalo ou pessoas que podem se transformar em búfalos (ou vice-versa), então as imagens podem representar outra coisa. Grzelczyk observa que os chifres de búfalo desempenham um papel significativo em alguns rituais Sandawe.

Quaisquer que sejam, as estranhas figuras têm precedentes. Não muito longe de Amak’hee 4, na região de Kondoa, no centro da Tanzânia, duas pinturas de abrigos rochosos em particular apresentam uma forte semelhança com essas três.

No sítio arqueológico Kolo B2, três figuras são representadas juntas. Em Kolo B1, três figuras são representadas horizontalmente, deitadas no chão.

(Créditos: M. Grzelczyk, Antiquity, 2021)

Todos os três sítios arqueológicos mostram figuras semelhantes, com grandes cabeças, embora as figuras dos sítios Kolo ostentem um elemento padrão listrado na cabeça, interpretado como um cocar. (Outras figuras de Kondoa são interpretadas como tendo penteados elaborados).

Em todos os três sítios, as figuras são conectadas por uma linha na altura média do abdômen. E em todos os três, as figuras têm arranjos e direções semelhantes para as mãos e os braços.

Amak’hee 4 tem algumas diferenças importantes. As cabeças parecem ser preenchidas com uma cor sólida e parecem muito mais importantes para a ação ao seu redor.

“As figuras de Amak’hee 4 são visivelmente maiores do que as de Kolo e estão em um ponto focal central, parecendo fazer parte de um tema principal em torno do qual o resto da narrativa aparenta ocorrer. Em contraste, as imagens de Kolo são representações isoladas, sem conexão clara com o resto das pinturas”, escreveu Grzelczyk.

Em Kondoa, alguns dos sítios de arte rupestre ainda são usados pelos Sandawe para uma variedade de atividades rituais. Os sítios recentemente documentados também são conhecidos pelas comunidades locais, então é possível que eles possam ajudar a esclarecer o que significam as figuras misteriosas.

Enquanto isso, os arqueólogos continuarão o trabalho de documentar os sítios para que possam ser adicionados ao registro público.

O artigo foi publicado na Antiquity.