Fitoterapia: da planta à farmácia

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Muito do que conhecemos hoje sobre medicamentos advém das plantas, uma das primeiras fontes conhecidas de terapia.

As plantas são a base das que hoje conhecemos como ciências farmacêuticas. Desde os primórdios da humanidade, são utilizados extratos vegetais, essências, chás e infusões, bem como diversas outras preparações obtidas a partir da flora, com o intuito de se buscar alívio para os mais variados problemas de saúde. Ou mesmo no sentido de conservá-la, auxiliando no metabolismo e como complemento nutricional.

De geração em geração, os conhecimentos empíricos sobre os usos das plantas medicinais foram sendo experimentados e aprimorados.Salix

Um grande exemplo é o da casca do salgueiro (gênero Salix, daí o nome do grupo: salicilatos), do qual se retira o ácido acetilsalicílico – AAS, conhecido antiinflamatório não-esteroidal (AINE) e antiagregante plaquetário e que hoje em dia é sintetizado artificialmente.

Dentre outras vantagens, como o alívio da dor inflamatória, o AAS é usado por pacientes que tiveram infarto agudo do miocárdio ou outras complicações cardíacas, porque dificulta a formação de trombos, que podem provocar um entupimento dos vasos sanguíneos. Ver aqui as diretrizes sobre o tratamento pós infarto agudo do miocárdio, inclusive com o uso de AAS e as combinações feitas com outros fármacos.

AVISO: Risco de sangramento ao consumir este produto, procure um profissional de saúde e peça orientações.

A CIÊNCIA E AS PLANTAS

Atualmente temos a Farmacognosia (pharmakon + gnosis), que é uma disciplina que estuda o conhecimento sobre os fármacos de origem natural. Como representante, temos no Brasil a Sociedade Brasileira de Farmacognosia – que está linkada como referência. Ao mesmo tempo, podemos pensar na Farmacobotânica (que se preocupa com as matérias-primas e os extratos vegetais) e na Farmacozoologia (que se preocupa com as matérias-primas e os extratos animais).

Como forma de obter conhecimento na área, usualmente se recorre aos grandes tratados e compêndios de plantas que existem catalogadas.

QUAL A DIFERENÇA DA INFUSÃO PARA O CHÁ?

Uma infusão consiste na imersão de folhas, flores de plantas ou mesmo cascas ou raízes em água quente. Dessa preparação se obtém aromas e sabores diferenciados, geralmente buscados pelo paladar ou até mesmo para fins terapêuticos, pois muitas dessas matérias-primas possuem efeito farmacológico quando da dose correta.

Um chá é obtido a partir da infusão especificamente da planta Camellia sinensis (que possui basicamente quatro variedades: chá preto, branco, azul ou oolong e o verde, um dos mais comuns na literatura científica sobre chás). Existem diversas propriedades terapêuticas e benefícios observados nessa planta, sobretudo no que diz respeito a efeitos antioxidantes, que auxiliam no metabolismo do corpo, com destaque para a eliminação de toxinas e demais excretas.

POR QUE USAR PLANTAS PODE SER PERIGOSO?

Assim como qualquer medicamento industrializado, as plantas podem induzir reações tóxicas se utilizadas numa dose acima da tolerada pelo organismo (assim podemos falar em janela terapêutica), da mesma forma que podem levar à morte se usadas para os fins indevidos.

É essencialmente recomendado que se procure alguém que sabe com o que está lidando. Os farmacêuticos, médicos e demais especialistas relacionados podem ajudar a compreender os efeitos das plantas, bem como prescrever a dose correta para cada caso. Utilizar plantas sem a devida noção do que se está fazendo pode ser considerado automedicação, e devemos ao máximo evitá-la.

Assim como devemos ter cuidado e orientação ao tomar um comprimido de analgésico, devemos nos preocupar com a procedência, o armazenamento e o preparo de cada produto derivado das plantas.

Alguns exemplos de plantas comuns utilizadas na Farmácia

Passiflora
Passiflora

• Maracujá (Passiflora edulis ou P. incarnata), usado como sedativo leve e hipnótico (o popular “calmante”), sem esquecer dos seus diversos usos culinários principalmente para doces e tortas;

Erva-cidreira
Erva-cidreira

• Melissa ou erva-cidreira (Melissa officinalis), muito conhecida e apreciada pelo sabor adocicado da sua infusão, pelo aroma característico e por seus efeitos sedativos e ansiolíticos;

valeriana
Valeriana

• Valeriana (Valeriana officinalis), depressora do sistema nervoso central, atuando como ansiolítica;

cha-camomila
Camomila

• Camomila (Matricaria chamomilla), sobretudo pela infusão que possui efeito ansiolítico, com sabor e aroma suaves, levemente cítrica;

Mamão

• Mamão ou papaia (Carica papaya), do qual se extrai a papaína, um agente proteolítico, isto é, que tem ação enzimática sobre proteínas. É muito utilizada no tratamento de úlceras e outros tipos de feridas.

ATENÇÃO: Favor não confundir fitoterapia com homeopatia, pois são distintas e seguem princípios diferentes. Enquanto que para a fitoterapia existem larga base de evidências, para a homeopatia ainda se questiona seus fundamentos por completo (esta trabalha com princípios como a “lei dos semelhantes” e a “dose infinitesimal”, que possuem pouco ou nenhum respaldo científico).

Referências consultadas

• Links indicados ao longo do texto.

• Relação Municipal de Medicamentos Essenciais: REMUME/Prefeitura Municipal de Vitória. 3.ed. Vitória: Secretaria Municipal de Saúde, 2009. 584 p.

Não sou farmacêutico, mas dedico este post aos/às colegas da área. Total reconhecimento e respeito a uma das mais fascinantes das ciências da saúde que é a de vocês.

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