História – A Revolução Industrial da Música

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No início era o silêncio a não ser que você soubesse tocar um instrumento ou cantar. Ou você podia também assistir a alguém tocar. Essa era a única forma de ouvir uma música. Até que Tomas Edson conseguiu a proeza de guardar a música numa caixinha para ouvir mais tarde. Na verdade era um fonógrafo que consistia num cilindro de estanho, que era tanto gravado quanto reproduzido por uma agulha ligada a um diafragma dentro um cone.

Conta a lenda que a apresentação do fonógrafo, ao demonstrar a possibilidade de “guardar” a música em 1877, repercutiu no mundo mais até do que a chegada do Homem à lua, mesmo porque, até hoje, infelizmente 25% dos norte-americanos não acreditam neste último feito. O fonógrafo inicialmente foi pensado para gravar e reproduzir a voz falada,  mas rapidamente evoluiu para o mercado da música e daí para o disco. Tomas Edson foi o maior detentor de patentes de sua época. Sua agulha registrava o cilindro em sulcos verticais, enquanto Graham Bell patenteou a gravação através de sulcos horizontais. A fusão das duas patentes resultou na reprodução do som estereofônico, sendo que um dos canais reproduz o registro dos sulcos verticais e o outro canal o faz através dos sulcos horizontais. Apesar de termos hoje equipamentos de 5 ou até 7 canais, a música Hi-Fi continua a ser gravada em apenas dois canais, o que são suficientes para registrar e reproduzir uma “imagem” tridimensional do som já que temos apenas 2 ouvidos.

Durante a fase de popularização dos discos em 1888, a rotação consagrada pelo mercado, foi a de 78 RPM e duravam no máximo 4 minutos de cada lado. Inclusive o Brasil foi o primeiro país do mundo a prensar um disco dos dois lados em 1902.

Somente em 1948 chegaria o Long play com 12 polegadas; 33 + 1/3 RPM e magníficos 20 minutos de duração em cada lado. Assim, o mercado passou a ser inundado por música erudita gravada, que geralmente é mais longa do que a música popular e não cabia nos discos de 78 RPM, além disso, houve também um incremento na qualidade sonora da reprodução dos discos. Estava acontecendo a revolução industrial da música. Ou seja, a música deixou de ser somente um serviço prestado pelos executantes e passou para o setor secundário da indústria de transformação, onde o som é fixado numa base estável, passível de ser reproduzido inúmeras vezes como um produto manufaturado. Médicos, professores e engenheiros prestam um serviço que existe somente no instante em que ele acontece, e com a música não era diferente. Quando a música passa a ser industrializada ocorrem, inclusive, questões de âmbito sindical já que os músicos tinham acordo de gravar apenas 8 minutos por disco e com a chegada do long play, passam a gravar 40 minutos num único disco. O que era visto como ameaça ao emprego dos músicos que tocavam ao vivo. A música passa a ser um produto tangível como qualquer outro fabricado pela indústria, na era de sua reprodutibilidade técnica.

Um outro aspecto que demonstra a inegável industrialização da música, é que uma composição passa a ser igual em milhões de cópias, seja executada na minha ou na sua vitrola. Até a música erudita ( conhecida por música clássica ) , no passado, possuía momentos de improvisação aos moldes de uma Jam Session, uma criação coletiva, composta cada vez fosse executada, mas passou a ser reproduzida de forma igualmente rigorosa tanto pelos discos como pelos músicos justamente no final do século XIX, o que coincide com a invenção de Edson.

 

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