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Jarros recuperados do oceano revelam os segredos do vinho romano antigo

Traduzido por Julio Batista
Original de David Nield para o ScienceAlert

Uvas de origem local e piche importado podem ter sido as normas para os vinicultores ao longo da costa da Itália durante o período romano, de acordo com jarros recuperados do oceano perto do porto de San Felice Circeo.

Três jarros de vinho diferentes, ou ânforas, foram recuperados e analisados, dando aos pesquisadores uma visão incrível das práticas de produção de vinho nesta região específica no século 1-2 a.C., parte do período greco-itálico tardio.

O que torna a pesquisa particularmente notável é que ela combina algumas das mais recentes técnicas de análise química com outras abordagens usadas na arqueobotânica para descobrir mais sobre esses jarros do que seria possível com outros métodos.

“Três ânforas no mar, recuperadas em 2018 do antigo ancoradouro de San Felice Circeo (Itália), ofereceram uma rara oportunidade de desenvolver pesquisas interdisciplinares por meio de análises arqueobotânicas e químicas”, escrevem os pesquisadores em seu paper publicado.

Uma das técnicas de laboratório utilizadas aqui foi a combinação de cromatografia gasosa e espectrometria de massa, diferentes formas de separar e identificar assinaturas químicas em um material – neste caso, treinados para identificar resíduo orgânico deixado nos vasos.

Os pesquisadores também procuraram pólen preso nesse resíduo. Esse tipo de análise já foi feito antes, mas não com frequência em jarros de vinho como esses, e raramente com o objetivo de tentar entender o contexto histórico mais amplo de um artefato.

Um estudo cuidadoso do pólen da videira revelou que os jarros eram usados para fazer vinho tinto e branco, e que plantas locais eram usadas – embora não esteja claro se essas plantas foram cultivadas domesticamente ou não na época.

Enquanto isso, vestígios de pinho sugerem que foi usado para impermeabilizar os jarros e talvez também para dar sabor ao vinho. O piche que incluía o de pinheiro teria sido obtido de fora da região, disseram os pesquisadores, talvez da Calábria ou da Sicília.

Alguns dos grãos de pólen utilizados no estudo. (Créditos: Chassouant et al., PLOS One, 2022)

“A presença tanto do pólen quanto do carvão permitiu um melhor entendimento sobre a origem do piche, impossível de ser alcançada apenas com a análise de resíduos orgânicos”, escreveram os pesquisadores.

As descobertas em torno do porto de San Felice Circeo, cerca de 90 quilômetros a sudeste de Roma, incluem uma variedade de outras cerâmicas e artefatos. Os arqueólogos pensam que a área pode ter sido perto de um canal romano.

Embora os pesquisadores não possam ter certeza sobre todas as conclusões a que chegaram em seu estudo, eles foram capazes de ir mais longe devido à variedade de métodos interdisciplinares usados ​​para desvendar a composição química do que resta nesses frascos.

Isso significa combinar conhecimentos químicos e botânicos com outros registros históricos e arqueológicos e estudos anteriores em jarros de vinho como esses – indo além da análise química para investigar a história circundante dos artefatos.

“Ao usar diferentes abordagens para desvendar o conteúdo e a natureza da camada de revestimento das ânforas romanas, nos aproximamos ainda mais na compreensão das práticas antigas do que teria sido com uma única abordagem”, disseram os pesquisadores.

A pesquisa foi publicada no PLOS One.

Julio Batista

Julio Batista

Sou Julio Batista, de Praia Grande, São Paulo, nascido em Santos. Professor de História no Ensino Fundamental II. Auxiliar na tradução de artigos científicos para o português brasileiro e colaboro com a divulgação do site e da página no Facebook. Sou formado em História pela Universidade Católica de Santos e em roteiro especializado em Cinema, TV e WebTV e videoclipes pela TecnoPonta. Autodidata e livre pensador, amante das ciências, da filosofia e das artes.