Kepler 186f: É Habitado?

Crédito da Imagem: The Huffington Post.

Por Seth Shostak

Isso é tão longe que, mesmo se você reservasse uma viagem com os nossos mais rápidos foguetes, você gastaria 100 milhões de anos para aperfeiçoar suas habilidades de Sudoku em rota para Kepler 186f.

Isso provavelmente não vai acontecer. Mas o que aconteceu é que uma equipe de astrônomos, após analisar cuidadosamente os dados do Telescópio Kepler da NASA, finalmente achou um mundo que pode ser semelhante ao nosso.

Mas é habitado?

Ultimamente Kepler 186f tem sido notícia, tanto quanto como Vladimir Putin, embora o primeiro seja mais atraente. Pela primeira vez, descobrimos um planeta que – ao contrário de Vênus, Marte ou das outras divindades romanas do nosso Sistema Solar – pode ter uma mera semelhança com a Terra. Ele tem quase o mesmo tamanho de nossa casa planetária e tem temperaturas que permitem oceanos em estados líquidos.

Então aqui está a grande questão: Será que esta similaridade estende à biologia? Kepler 186f é um mundo cheio de vida?

Não é fácil encontrar a resposta.

Para começar, poderíamos virar um telescópio para este mundo na esperança de encontrar vapor de água, oxigênio ou alguma outra impressão digital da vida. No entanto, não seria fácil. Ele está muito longe. A astrônoma Elisa Quintana, do Instituto SETI (principal autora do artigo que descreve a descoberta), observou que até mesmo com os grandes telescópios da próxima geração, eles não terão a capacidade necessária para farejar tais pistas em Kepler 186f.

Mas há uma outra abordagem: Nós podemos caçar sinais de rádio que indicam que há vida inteligente neste mundo. O Instituto SETI examinou este sistema estelar usando seu Allen Telescope Array, à procura de transmissões em uma ampla faixa do dial de rádio, de 1 a 10 GHz. Até agora, não obtivemos nenhum dado, embora, certamente, continuaremos tentando.

O fato de que ainda não detectamos os ruídos de rádio deste mundo irmão chega a ser desencorajador. Para começar, Kepler 186f está a cerca de 500 anos-luz de distância. Para detectar os sinais de rádio com o Allen Array, exigiria que os alienígenas tivessem um transmissor de pelo menos 100 milhões de watts, montado em uma antena do tamanho de um campo de futebol. Eles também teriam que mover a antena em nossa direção.

Mas é claro, eles não sabem sobre o Homo sapiens, por isso qualquer incentivo para enviar sinais em nossa direção é, provavelmente, pequeno.

Isso é uma questão de incentivo. Mas a preocupação maior é a seguinte: Mesmo que Kepler 186f tenha sido “agraciado” com a vida por bilhões de anos, isso também nos leva a pensar se estas criaturas poderiam construir um transmissor de rádio? Afinal de contas, os alienígenas poderiam ter mirado seus equipamentos de espionagem em nossa direção por mais de 4 bilhões de anos sem receber coisa alguma, embora a Terra teve vida por quase todo esse tempo. Somente nos últimos 70 anos ou mais que começamos a enviar sinais de alta frequência, as ondas de rádio de alta potência em direção ao céu – principalmente os sinais de rádios FM, radares e televisão.

Na verdade, esta simples observação sugere que, se você quer ter uma boa chance de encontrar os extraterrestres, é preciso analisar muitos planetas semelhantes à Kepler 186f.

Quantos “seriam necessários”? Bem, vamos dar a nossa própria perspectiva como exemplo: Não se sabe quantos mais terráqueos continuarão a emitir ondas de rádio que irão dizer a alguém que estamos aqui. Mas vamos ser otimistas e assumir que nós vamos continuar conversando para o cosmos para mais 10.000 anos. Isso significa que o Homo sapiens seria visível para receptores de rádio de outra pessoa para apenas cerca de 0,0002% do tempo de vida do nosso planeta. Se isso for uma circunstância normal, apenas 1 em meio milhão de mundos habitáveis ​​estará enviando sinais a qualquer momento.

Assim, verificando o primeiro que você encontrar – neste caso , Kepler 186f – será, obviamente, uma boa ideia. Mas você não deve ter muitas esperanças.

Então para descobrir os alienígenas podem ser apenas uma questão de olhar para muitos e muitos mundos habitáveis​​. Isso é certamente possível nas próximas décadas. Mas de quantos sistemas estelares estamos falando? Planetas como Kepler 186f são abundantes ou raros?

A resposta para esta pergunta – uma resposta que melhor define a magnitude da tarefa – ficará ainda mais claro se encontrarmos um segundo exemplo.

É assim: Se você andar em um casino de Las Vegas, você poderá ver filas e filas de jogadores sérios alimentando os slots. Parece desanimador. Mas se você sair um pouco, você pode ouvir a música alegre de um jackpot em algum lugar entre as fileiras de máquinas. Isso prova que é possível ganhar muito – mas qual a probabilidade? Talvez, você só teve sorte, entrando no casino num único dia daquele ano, quando alguém ganhou. Mas se você ficar esperando ouvir um segundo jingle de jackpot, então você vai ter dados suficientes para realizar uma aproximação de quantas vezes será necessário jogar para ganhar muito dinheiro.

Portanto, não há dúvida de que a descoberta do primeiro planeta em zona habitável do tamanho da Terra, vai estar nos livros de história. Mas não descarto o número dois. Encontrar um segundo pode dar um forte indício sobre quantos sistemas estelares precisamos reconhecer antes que nossas antenas ressoem sobre os sons de outra cultura, de outra sociedade e em outra instância de criaturas inteligentes. Não precisamos encontrar individualmente outro mundo candidato, do mesmo jeito que Kepler 186f; nós só precisamos de uma ideia melhor sobre que fração de estrelas que exibem tais planetas.

É uma situação da qual os cientistas do projeto Kepler estão bem conscientes. E eles estão trabalhando duro para ouvir o jingle.

Fonte

Seth Shostak. Kepler 186f: Is It Inhabited? The Huffington Post. June 21, 2014.

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Douglas Rodrigues Aguiar de Oliveira
Sou fundador do Universo Racionalista | Graduando em Tecnologia em Redes de Computadores pela Universidade de Franca | Pós-graduando em Ethical Hacking e Cybersecurity do Centro de Inovação VincIT (UNICIV) pela Faculdade Eficaz | Especializando em Cybersecurity pela Rochester Institute of Technology (edX MicroMasters Programs) | Especialização em Fundamentals of Computing Network Security pela University of Colorado System (Coursera Specialization) | Especialização em Journey of the Universe: A Story for Our Times pela Yale University (Coursera Specialization) | Graduação interrompida em Licenciatura em Filosofia pela Universidade de Franca | Colaborador do Instituto Ética, Racionalidade e Futuro da Humanidade | Colunista da Climatologia Geográfica | Membro da Rede Brasileira de Astrobiologia | Membro do Science Vlogs Brasil | Interesse em Divulgação Científica das ciências fáticas em geral | Interesse em Filosofia da Ciência no problema da demarcação entre Ciência e Pseudociência e da justificação entre Realismo e Antirrealismo | Estudando também o problema entre Tecnologia e Pseudotecnologia na Filosofia da Tecnologia | Interesse em Segurança Defensiva e Segurança Ofensiva em sites, servidores e redes de computadores | Endereço do Currículo Lattes e do LinkedIn.