Mais e mais humanos estão desenvolvendo uma artéria extra nos braços, mostrando sinais da evolução ao vivo

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Créditos: SincerelyMedia / Unsplash.

Por Mike McRae
Publicado na ScienceAlert

Retratar como nossa espécie poderá se parecer em um futuro distante costuma ser um convite à especulação selvagem sobre nossas características mais marcantes, como alturatamanho do cérebro e pele. No entanto, mudanças sutis em nossa anatomia hoje demonstram como a evolução pode ser imprevisível.

Pegue como exemplo algo tão mundano como um vaso sanguíneo extra em nossos braços, que, de acordo com as tendências atuais, pode ser comum em apenas algumas gerações.

Pesquisadores da Universidade Flinders e da Universidade de Adelaide, na Austrália, notaram que uma artéria que passa temporariamente pelo centro de nossos antebraços enquanto ainda estamos no útero não está desaparecendo com a frequência com que costumava.

Isso significa que há mais adultos do que nunca circulando por aí com o que parece ser um canal extra de tecido vascular fluindo sob o pulso.

“Desde o século 18, os anatomistas têm estudado a prevalência desta artéria em adultos e nosso estudo mostra que está claramente aumentando”, disse o anatomista da Universidade Flinders, Teghan Lucas.

“A prevalência era de cerca de 10 por cento nas pessoas nascidas em meados da década de 1880, em comparação com 30 por cento nas nascidas no final do século 20, de modo que é um aumento significativo em um período bastante curto de tempo, quando se trata de evolução”.

A artéria mediana se forma bem no início do desenvolvimento em todos os humanos, transportando sangue pelo centro de nossos braços para alimentar o crescimento de nossas mãos.

As três artérias principais no antebraço – a mediana é a do centro. Créditos: ilbusca / Digital Vision Vectors / Getty Images.

Por volta das 8 semanas, essa artéria diminui, deixando a tarefa para dois outros vasos – o radial (que podemos sentir quando medimos o pulso de uma pessoa) e a artéria ulnar.

Os anatomistas já sabem há algum tempo que essa diminuição da artéria mediana não é uma garantia. Em alguns casos, ela permanece por mais um mês ou mais.

Às vezes, nascemos com ela ainda bombeando, alimentando apenas o antebraço ou, em alguns casos, a mão também.

Para comparar a prevalência da persistência do canal sanguíneo, Lucas e colegas Maciej Henneberg e Jaliya Kumaratilake, da Universidade de Adelaide, examinaram 80 membros de cadáveres, todos doados por australianos de ascendência europeia.

Os doadores passaram de 51 a 101 anos de suas mortes, o que significa que quase todos nasceram na primeira metade do século XX.

Observando a frequência com que encontraram uma artéria mediana volumosa capaz de transportar um bom suprimento de sangue, eles compararam os números com os registros encontrados em uma pesquisa bibliográfica, levando em consideração apenas os casos que poderiam representar a aparência bem desenvolvida do vaso.

O fato da artéria parecer três vezes mais comum em adultos hoje do que era há mais de um século é uma descoberta surpreendente que sugere que a seleção natural está favorecendo aqueles que mantêm esse pedaço extra de suprimento sangrento.

“Esse aumento pode ter resultado de mutações de genes envolvidos no desenvolvimento da artéria mediana ou de problemas de saúde nas mães durante a gravidez, ou ambos na verdade”, diz Lucas.

Podemos imaginar que ter uma persistência da artéria mediana poderia resultar em dedos hábeis ou antebraços fortes com um reforço no bombeamento de sangue muito tempo depois de nascermos. No entanto, ter uma artéria mediana também nos coloca em maior risco de desenvolver a síndrome do túnel do carpo, uma condição desconfortável que nos torna menos capazes de usar as mãos.

Identificar os tipos de fatores que desempenham um papel importante nos processos de seleção de uma persistência da artéria mediana exigirá muito mais investigações.

Quaisquer que sejam, é provável que continuemos a ver mais desses aumentos nos próximos anos.

“Se essa tendência continuar, a maioria das pessoas terá a artéria mediana do antebraço em 2100”, diz Lucas.

Esse rápido aumento do desenvolvimento da artéria mediana em adultos não é diferente do reaparecimento de um osso do joelho chamado fabela, que também é três vezes mais comum hoje do que há um século.

Por menores que sejam essas diferenças, pequenas mudanças microevolutivas somam-se a variações em grande escala que definem uma espécie.

Juntos, essas próprias mudanças criam novas experiências, colocando-nos em novos caminhos que se relacionam a saúde e a doença e que agora parece algo difícil de imaginar hoje.

Esta pesquisa foi publicada no Journal of Anatomy.