Muitos amantes de gatos estão dando carinho indesejado a seus gatos, sugere estudo

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(Créditos: Veronika Homchis/Unsplash)

Traduzido por Julio Batista
Original de David Nield para o ScienceAlert

Um novo estudo revela que as pessoas que se consideram pais ou mães de gatos experientes podem, de fato, estar dando muito carinho aos seus felinos – ou pelo menos não transmitindo da melhor maneira.

Pesquisas anteriores ajudaram a estabelecer como os gatos devem ser tratados para deixá-los à vontade, ou pelo menos menos hostis e talvez um pouco mais afetuosos. Isso inclui áreas do corpo onde os animais gostam de ser acariciados e como e quando eles preferem ser pegos.

Com base nas descobertas da nova pesquisa, os “pais/mães de gatos” confessos tendem a acariciar os animais em áreas com as quais não se sentem tão à vontade e dão aos felinos menos escolha sobre como são tratados.

“Claro, cada gato é um indivíduo e muitos terão preferências específicas de como preferem interagir”, disse Lauren Finka, pesquisadora de comportamento e bem-estar animal na Universidade de Nottingham Trent, no Reino Unido.

“No entanto, também existem alguns bons princípios gerais a serem seguidos para garantir que cada gato esteja o mais confortável possível e que suas necessidades específicas sejam atendidas”.

O estudo envolveu cerca de 120 voluntários que receberam cinco minutos cada no lar de animais Battersea Dogs and Cats Home com três gatos que eles não conheciam. Cada voluntário foi convidado a preencher uma pesquisa com antecedência, avaliando sua personalidade e experiência com gatos.

Além de serem instruídos a deixar os gatos se aproximarem deles, em vez de seguir os animais, os envolvidos no experimento foram incentivados a interagir com os felinos como normalmente fariam com os gatos que poderiam ter em casa.

Os pesquisadores descobriram que as pessoas que se classificaram como mais experientes com gatos eram mais propensas a tocar os animais na base da cauda, ​​pernas, costas e barriga – áreas onde os gatos normalmente não gostam de ser acariciados (eles geralmente preferem orelhas, bochechas e sob o queixo).

Além disso, os participantes que relataram ter mais gatos em casa e que têm gatos há mais tempo eram menos propensos a dar aos gatos muito controle e liberdade durante as interações quanto eles realmente deveriam ter.

“Nossas descobertas sugerem que certas características que podemos supor que fariam alguém bom em interagir com gatos – o quão experiente eles dizem que são, suas experiências de posse de gatos e ser mais velho – nem sempre devem ser considerados como indicadores confiáveis ​​da adequação de uma pessoa para adotar certos gatos, particularmente aqueles com necessidades específicas de cuidado ou comportamentais”, disse Finka.

Ao se tratar da idade e dos tipos de personalidade das pessoas, aqueles que eram mais velhos e com maior classificação de neuroticismo eram os voluntários mais propensos a segurar e conter os gatos mais, enquanto os extrovertidos tendiam a iniciar o contato com mais frequência e acariciar as áreas menos preferidas dos corpos dos gatos.

Por outro lado, as pessoas com classificação mais alta em amabilidade eram menos propensas a tocar as áreas mais sensíveis dos gatos. Além disso, aqueles que relataram ter experiência formal de trabalho com gatos mostraram-se mais ‘amigável aos gatos’ em termos de sensibilidade aos desejos dos animais.

O pensamento por trás do estudo não é envergonhar ninguém pela maneira como eles lidam com os gatos, mas incentivar interações benéficas para os felinos, tanto por donos de gatos experientes quanto novos. Battersea criou uma animação sobre o tema dos cuidados com os gatos que você pode ver aqui.

Também há implicações para encontrar novos lares para gatos – e a mensagem é que as pessoas que são novas em fazer amizade com gatos podem aprender a ser cuidadoras tão boas quanto aquelas que têm anos de experiência.

“É importante ressaltar que, dentro dos abrigos, também devemos evitar discriminar potenciais adotantes sem experiência anterior de propriedade de gatos, porque com o apoio certo, eles podem ser cuidadores de gatos fantásticos”, disse Finka.

A pesquisa foi publicada em Scientific Reports.