Pesquisadores na Argentina descobrem uma nova espécie de dinossauros minúsculos, mas durões

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Ilustração de um artista de dois J. kaniukura. (Créditos: Mauricio Álvarez e Gabriel Díaz Yanten)

Traduzido por Julio Batista
Original de Stephanie Pappas para a Live Science

Fósseis de um pequeno e espinhoso dinossauro descoberto recentemente na América do Sul podem representar toda uma linhagem de dinossauros blindados anteriormente desconhecidos pela ciência.

A espécie recém-descoberta, Jakapil kaniukura, parece um parente primitivo de dinossauros blindados como anquilossauro ou o estegossauro, mas veio do Cretáceo, a última era dos dinossauros, e viveu entre 97 milhões e 94 milhões de anos atrás.

Isso significa que toda uma linhagem de dinossauros blindados viveu no Hemisfério Sul, mas passou completamente despercebida até agora, relataram paleontólogos em um novo estudo.

J. kaniukura pesava tanto quanto um gato doméstico e tinha uma fileira de espinhos protetores que iam do pescoço à cauda e provavelmente chegavam a cerca de 1,5 metro de comprimento. Era um herbívoro, com dentes em forma de folha semelhantes aos do estegossauro.

Paleontólogos da Fundação de História Natural Félix de Azara, na Argentina, descobriram um esqueleto parcial de um J. kaniukura subadulto na província de Río Negro, no norte da Patagônia.

O dinossauro provavelmente andava ereto e ostentava um bico curto capaz de dar uma mordida forte. Provavelmente teria sido capaz de comer vegetação dura e lenhosa, relataram os pesquisadores na quinta-feira (11 de agosto) na revista Scientific Reports.

(Créditos: Riguetti, F.J. et al., Scientific Reports, 2022)

O novo dinossauro se junta ao estegossauro, anquilossauro e outros dinossauros blindados em um grupo chamado Thyreophora (tireóforos).

A maioria dos tireofóros são conhecidos do Hemisfério Norte, e os fósseis dos primeiros membros deste grupo são encontrados principalmente em rochas do período Jurássico da América do Norte e Europa de cerca de 201 milhões de anos atrás a 163 milhões de anos atrás.

A descoberta de J. kaniukura “mostra que os primeiros tireóforos tinham uma distribuição geográfica muito mais ampla do que se pensava anteriormente”, escreveram os paleontólogos da Fundação de História Natural Félix de Azara Facundo J. Riguetti e Sebastián Apesteguía e o paleontólogo da Universidade do País Vasco Xabier Pereda-Suberbiola no novo paper.

Também foi surpreendente que essa antiga linhagem de tireóforos tenha sobrevivido até o final do Cretáceo na América do Sul, acrescentaram.

No Hemisfério Norte, esses tipos mais antigos de tireóforos parecem ter sido extintos no Jurássico Médio.

No supercontinente meridional Gonduana, no entanto, eles aparentemente sobreviveram até o Cretáceo. (Tireóforos posteriores sobreviveram por mais tempo. O anquilossauro, por exemplo, foi extinto com o resto dos dinossauros não-aviários há 66 milhões de anos.)

O nome “Jakapil” vem de uma palavra que significa “portador de escudo” na língua indígena Puelchean ou Tehuelchean do norte da Argentina. “Kanikura” vem das palavras que significam “crista” e “pedra” na língua indígena Mapudungun.

Você pode ver como J. kaniukura teria sido quando estava vivo, graças a esta simulação de computador de Gabriel Díaz Yantén, um paleoartista chileno e estudante de paleontologia da Universidade Nacional de Río Negro.