Múltiplas variantes da COVID-19 estão desenvolvendo mutações que evitam vacinas

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Uma partícula do vírus SARS-CoV-2. (Créditos: NIAID/Flickr/CC BY 2.0)

Por Catherine Schuster-Bruce
Publicado no Business Insider

A variante do coronavírus encontrada pela primeira vez no Reino Unido e que está se espalhando pelo mundo parece estar desenvolvendo uma mutação que os cientistas temem que possa ajudar o vírus a contornar as vacinas.

A mutação também é encontrada nas variantes identificadas na África do Sul e no Brasil. Os cientistas acreditam que ela permite que o vírus contorne os anticorpos produzidos pelo corpo, após a imunização ou por uma infecção anterior por coronavírus. Vacinas e certos medicamentos com anticorpos podem, portanto, não funcionar tão bem.

Onze casos da variante, chamada B.1.1.7, tinham a mutação E484K em um conjunto de dados de mais de 200.000 sequências no Reino Unido, informou a Public Health England em 26 de janeiro.

Lawrence Young, um virologista da Universidade de Warwick, disse que a mutação era uma “preocupação”.

O fato de que a variante encontrada no Reino Unido parece estar adquirindo essa mutação “mostra que é muito provável que o vírus esteja se adaptando à nossa resposta imunológica”, disse ele.

A variante identificada na África do Sul “pode ​​ser capaz de reinfectar de forma mais eficiente indivíduos que já foram infectados com a forma original do vírus”, disse ele em um comunicado.

“Isso é provavelmente devido, em parte, à mutação E484K, que pode enfraquecer a resposta imunológica.”

Ele disse que a mutação também pode afetar a duração da resposta do anticorpo.

A variante detectada no Reino Unido foi sequenciada em 55 países, incluindo os EUA. Existem pelo menos 342 casos nos EUA, de acordo com relatórios baseados em dados do GISAID.

O fabricante da vacina Novavax disse na quinta-feira que sua vacina foi considerada menos eficaz para a variante encontrada na África do Sul. A Johnson & Johnson disse na sexta-feira que sua injeção foi considerada menos eficaz na África do Sul – os cientistas sugeriram que isso se devia à mutação E484K.

A Pfizer e a Moderna disseram que suas vacinas funcionam, embora de forma um pouco menos eficiente, contra variantes artificiais de laboratório que contêm a mutação. Nenhuma das empresas testou contra variantes do coronavírus do mundo real.

‘Desenvolvimento preocupante’

“Se esta mutação E484K for adquirida pela maioria das variantes B.1.1.7 do Reino Unido, as recentes garantias de estudos recentes mostrando que as vacinas de mRNA” – como as da Moderna e Pfizer – “ainda oferecerão proteção ideal contra a variante original do Reino Unido podem não se aplicar mais”, disse Julian Tang, virologista clínico da Universidade de Leicester, em um comunicado.

É “um desenvolvimento preocupante, embora não totalmente inesperado”, disse Tang.

Simon Clarke, professor associado de microbiologia celular na Universidade de Reading, disse que embora nenhuma avaliação tenha sido feita sobre a eficácia das vacinas em uso no Reino Unido – da Pfizer e AstraZeneca – elas podem funcionar de forma menos eficiente contra B.1.1. 7 variantes com esta mutação.

As mutações acontecem quando um vírus se replica e comete erros; este é um processo normal. Mas as mutações se tornam preocupantes quando afetam o comportamento do vírus.

Public Health England disse que informações preliminares sugerem que mais de um “evento de aquisição” causou a mutação E484K.

Também pode ter ocorrido porque alguém foi infectado com uma variante identificada na África do Sul ou Brasil, bem como com a variante encontrada no Reino Unido, disse Tang. Isso é visto com os vírus da gripe, mas é mais raro com os coronavírus, acrescentou Tang.

Young disse que quaisquer mudanças que tenham ocorrido na B.1.1.7 ou em qualquer outra variante do vírus, medidas padrão para restringir a transmissão – lavagem das mãos e distanciamento social, por exemplo – ajudariam a prevenir a infecção.