Neandertais desapareceram da Europa milhares de anos antes do que pensávamos

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Maxilar e mandíbula reunidos de um Neandertal tardio da Caverna do Espião. Créditos: Patrick Semal / RBINS / Agence France-Presse.

Por Issam Ahmed
Publicado na ScienceAlert

Os fósseis de Neandertais de uma caverna na Bélgica que se acredita pertencerem aos últimos sobreviventes de sua espécie já descobertos na Europa são milhares de anos mais velhos do que se pensava, segundo um novo estudo publicado na segunda-feira.

A datação anterior por radiocarbono dos restos da chamada Caverna do Espião revelou idades tão recentes quanto aproximadamente 24.000 anos atrás, mas os novos testes empurra o período para entre 44.200 a 40.600 anos atrás.

A pesquisa apareceu nos Proceedings of the National Academy of Sciences e foi realizada por uma equipe da Bélgica, Grã-Bretanha e Alemanha.

O coautor Thibaut Deviese, da Universidade de Oxford e da Universidade Aix-Marseille, disse à Agence France-Presse que ele e seus colegas desenvolveram um método mais robusto para preparar amostras, que foi mais capaz de excluir contaminantes.

Ter uma noção sólida de quando nossos parentes humanos mais próximos desapareceram é considerado um primeiro passo fundamental para entender mais sobre sua natureza e suas capacidades, bem como saber por que eles eventualmente foram extintos enquanto nossos próprios ancestrais prosperaram.

O novo método ainda depende da datação por radiocarbono, considerada por muito tempo o padrão-ouro de datação arqueológica, mas refina a forma como os espécimes são coletados.

Todas as coisas vivas absorvem carbono da atmosfera e de seus alimentos, incluindo a forma radioativa de carbono-14, que se decompõe com o tempo.

Como as plantas e os animais param de absorver o carbono 14 quando morrem, a quantidade que resta quando eles são datados nos revela há quanto tempo eles viveram.

Quando se trata de ossos, os cientistas extraem a parte composta de colágeno por ser orgânico.

“O que fizemos foi dar um passo adiante”, disse Deviese, já que a contaminação do ambiente em sepultamentos ou por meio de colas usadas em trabalhos de museu podem estragar a amostra.

Em vez disso, a equipe procurou os blocos de construção do colágeno, moléculas chamadas aminoácidos e, em particular, aminoácidos individuais específicos que eles podiam ter certeza que faziam parte do colágeno.

Estrutura confiável

Os autores também dataram espécimes de Neandertal de dois locais adicionais na Bélgica, Fonds-de-Forêt e Engis, encontrando idades comparáveis.

“Datar todos esses espécimes belgas foi muito emocionante, pois eles desempenharam um papel importante na compreensão e definição dos Neandertais”, disse o coautor Gregory Abrams, do Centro Arqueológico da Caverna Scladina, na Bélgica.

“Quase dois séculos após a descoberta da criança neandertal de Engis, fomos capazes de fornecer uma idade confiável”.

O sequenciamento genético foi, entretanto, capaz de mostrar que um osso do ombro de Neandertal datado de 28.000 anos atrás estava fortemente contaminado com DNA bovino, sugerindo que o osso tinha sido preservado com uma cola feita de ossos de bovinos.

“A datação é crucial na arqueologia. Sem uma estrutura confiável de cronologia, não podemos realmente estar confiantes na compreensão das relações entre os neandertais e o Homo sapiens“, acrescentou o coautor Tom Higham, da Universidade de Oxford.

O uso de certas ferramentas de pedra foi atribuído aos Neandertais e foi interpretado como um sinal de sua evolução cognitiva, disse Deviese.

Mas se a linha do tempo para a existência dos neandertais está sendo adiada, acrescentou Deviese, então as ferramentas paleolíticas deveriam ser reexaminadas para determinar se realmente foram obra das extintas espécies de hominídeos.