Nova classe de proteínas que inibe a ação do vírus HIV é encontrada em recifes de corais da Austrália

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Crédito da Imagem: Shutterstock.

Pesquisadores descobriram uma nova classe de proteínas capaz de bloquear a penetração do vírus HIV nos linfócitos T. A descoberta dá esperança para que essas proteínas possam ser adaptadas para lubrificantes sexuais, provendo uma barreira contra a infecção do vírus.

Nominadas de cnidarins, as proteínas foram encontradas em uma amostra de corais coletada nas águas da costa norte australiana. Os pesquisadores acharam-nas depois da triagem de milhares de extratos naturais que estavam em um biorrepositório. “É sempre emocionante quando você encontra uma nova proteína da qual ninguém ouviu falar nela antes”, diz o investigador sênior Barry O’Keefe, PhD e vice-chefe do Molecular Targets Laboratory – que faz parte do instituto americano destinado às pesquisas contra o câncer. “E o fato de que ela aparece para bloquear o vírus HIV – e fazê-lo de um modo completamente inovador – faz da descoberta mais excitante”.

A AIDS – acrônimo em inglês para síndrome da imunodeficiência adquirida – afeta milhões de pessoas por ano e, por enquanto, não tem cura. Mesmo que hajam inúmeros tratamentos, a prevenção sempre é o melhor caminho e embora o uso da camisinha seja um método eficiente, muitos homens se recusam a usá-la. Porém, essa descoberta pressiona a necessidade de microbicidas anti-HIV que as mulheres possam usar para proteger-se da doença, prevenindo-se da irresponsabilidade do parceiro. Koreen Ramessar, pesquisador PhD, diz que as cnidarins poderiam ser ideais e facilmente introduzidas em produtos como lubrificantes e géis, já que, além de bloquear o vírus, elas também desencorajam-no a tornar-se mais resistente a outras drogas.

“Ao desenvolver mais drogas, nós estamos sempre conscientes da possibilidade deste encorajamento do vírus”, diz O’Keefe. “Mas, mesmo ele se torne resistente à essas proteínas, ele ainda seria sensível a todas as opções terapêuticas atualmente disponíveis”.

O time de pesquisadores identificou e purificou as proteínas cnidarins e depois testaram a sua atividade em laboratórios com a presença do HIV. As proteínas mostraram-se surpreendentemente potentes, capazes de bloquear o vírus nas concentrações de um bilionésimo de um grama, impedindo o primeiro passo da sua transmissão, no qual o vírus tem de penetrar um tipo de célula imunitária, conhecidas como células-T. “Nós descobrimos que as cnidarins ligam-se ao vírus e impedem que ocorra o contato com a membrana celular do linfócito T”, diz Ramessar. “Isso é uma coisa completamente diferente do que nós vimos em outras proteínas, então nós achamos que as cnidarins têm um mecanismo único de ação”.

O próximo passo é criar métodos para gerar as proteínas em grandes quantidades para que elas sejam testadas com o objetivo de identificar potenciais atividades ou efeitos contra outros vírus. “Fazer mais dela é uma grande alternativa”, disse O’Keefe. “Você não pode simplesmente tirar o coral do seu habitat para obter a proteína, então nós temos de focar agora em encontrar modos de produzi-la para que prossigamos com os testes pré-clínicos”.

“O depósito de extratos naturais é um tesouro nacional”, diz O’Keefe. “Você nunca saberá o que encontrará. Felizmente, descobertas como essa irão encorajar mais os investigadores a usar do mesmo recurso para identificar extratos que agem contra doenças infecciosas”.


Referências Bibliográficas:

O artigo foi baseado nos materiais fornecidos pela American Society for Biochemistry and Molecular Biology. 29 de Abril de 2014.

American Society for Biochemistry and Molecular Biology. Coral reefs provide potent new anti-HIV proteins. Science Daily, 29 April 2014.

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