Nova imagem do James Webb revela novos detalhes nos famosos Pilares da Criação

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Nova imagem do JWST dos famosos Pilares da Criação. (Créditos: NASA, ESA, CSA, STScI; J. DePasquale, A. Koekemoer, A. Pagan/STScI)

Traduzido por Julio Batista
Original de Michelle Starr para o ScienceAlert

Uma das imagens mais esperadas do Telescópio Espacial James Webb (JWST, na sigla em inglês) finalmente chegou.

Com seu olho dourado segmentado, o JWST olhou profundamente no coração da Nebulosa da Águia a 6.500 anos-luz de distância, oferecendo uma incrível visão infravermelha das famosas estruturas conhecidas como Pilares da Criação.

Projetando-se na cavidade de uma vasta nuvem cósmica como dedos de gigantes, os Pilares primeiro chamaram a atenção quando o Telescópio Espacial Hubble – então apenas cinco anos em sua missão em andamento – fotografou a região em 1995. As estruturas eram como nada que já havíamos visto antes; majestosas nuvens de poeira espessa e brilhante e gás reluzente estendendo-se por vários anos-luz no espaço.

Agora, o JWST, o telescópio espacial mais sensível da história, nos deu a imagem mais detalhada das estruturas até agora.

A nova imagem, em toda a sua glória detalhada. (Créditos: NASA, ESA, CSA, STScI; J. DePasquale, A. Koekemoer, A. Pagan/STScI)

Os astrônomos estão ansiosos para obter a perspectiva do JWST sobre os pilares, não apenas por sua beleza estonteante, mas por causa da atividade que eles contêm. As estruturas são conhecidas como berçários estelares – aglomerados empoeirados em uma nebulosa na qual nascem estrelas bebês. Isso ocorre quando uma mistura rodopiante na poeira colapsa sob a gravidade e começa a acumular mais material da nuvem ao seu redor.

Quando uma estrela fica grande o suficiente, seus ventos e radiação afastam a poeira ao redor. Ou assim diz a teoria – esses estágios iniciais da formação de estrelas estão literalmente encobertos de vista.

Nossa melhor esperança de espiar dentro é procurar a luz infravermelha que se infiltra, já que os comprimentos de onda mais longos não espalham partículas de poeira como os comprimentos de onda mais curtos da luz óptica. Em vez disso, eles podem viajar através da poeira, o que significa que os instrumentos infravermelhos podem efetivamente ver através das paredes de poeira no espaço.

Uma comparação com uma imagem de 2014 do Hubble em comprimentos de onda ópticos (esquerda) e a visão infravermelha do JWST (direita). (Créditos: NASA, ESA, CSA, STScI; J. DePasquale, A. Koekemoer, A. Pagan/STScI)

Já vimos os Pilares da Criação em luz infravermelha antes. O Telescópio Espacial Spitzer da NASA capturou em infravermelho a estrutura em 2007, e o Observatório Espacial Herschel da Agência Espacial Europeia nos deu uma visão infravermelha da Nebulosa da Águia em 2012. Até o Telescópio Espacial Hubble entrou em ação com esta imagem infravermelha, tirada em 2014.

Mas o JWST é muito mais poderoso do que qualquer um desses instrumentos, e sua imagem dos Pilares da Criação mostra novos detalhes. Por exemplo, as regiões vermelhas vistas nas pontas dos Pilares são evidências de estrelas bebês no processo de expulsão de poeira. Os choques que surgem neste processo produzem calor visível como radiação térmica infravermelha.

A imagem infravermelha do Hubble dos Pilares (esquerda) e a nova visão do JWST (direita). (Créditos: NASA, ESA, CSA, STScI; J. DePasquale, A. Koekemoer, A. Pagan/STScI)

Isso significa que os cientistas poderão usar a imagem para realizar um censo mais completo e preciso da formação de estrelas nas nuvens densas – bem como lançar uma nova luz (literalmente) sobre os estágios iniciais da formação de estrelas, que historicamente têm sido extremamente difíceis de observar.

E para todos os outros, a nova imagem é um espetáculo de tirar o fôlego que nos lembra o quão bonito o Universo pode ser.

Você pode baixar a imagem em toda a sua glória de alta resolução no site do JWST.