Novo gênero de lagartos é descoberto no Brasil

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A fauna brasileira é, deveras, vasta e imensa e uma prova disso é o salto que o número de espécies de répteis cresceu em tão pouco tempo. De 2005 para 2015, o número de répteis em solo brasileiro cresceu 22% – antes eram 663 espécies, hoje são 773 -, segundo dados atuais da Sociedade Brasileira de Herpetologia. O Brasil é o terceiro maior celeiro de répteis do mundo, perdendo só para a Austrália e o México.

O gênero Rondonops foi descrito ano passado na revista Zootaxa e é uma homenagem ao marechal Cândido Rondon, que explorou a Amazônia no início do século 20. Esse gênero novo tem duas espécies catalogadas, Rondonops biscutatus e R. xanthomystax (imagem) que são dois lagartos que vivem na Floresta Amazônica.

A pesquisa foi feita através de uma parceria entre a Universidade de São Paulo (USP) e a Universidade de Brasília (UnB).  Miguel Trefaut Rodrigues, da USP e Guarino Colli, da UnB, descreveram os animais. O R. biscutatus que é bem pequeno: da ponta do rabo até a ponta do nariz, ele mede só 6,5 cm. “É um bichinho fessorial, que vive fuçando. Tem uma cauda longa e uns bracinhos pequenos, que ficam colados ao corpo. Ele se locomove como se fosse uma cobra, quase nadando entre as folhas caídas, num movimento serpentiforme”, explica Guarino Colli.

As características desse novo gênero são a forma e contagem das escamas e a coloração específica, quase única. As escamas dos lagartos são cruciais para a determinação da espécie; elas recobrem os lagartos de uma forma peculiar e específica para cada espécie.

Apesar da descrição recente, o R. biscutatus já está em perigo de extinção. Dois espécimes foram coletados no chamado “arco do desflorestamento” em Rondônia, sul da Amazônia, local que abriga grandes hectares com gado e plantação de soja. “Áreas onde estivemos em 2000 não existem mais. Viraram lavoura de soja”, conta Colli. Apesar da coleta de espécimes variados no local acontecer desde o século 19, nunca antes esses lagartos haviam sido capturados.

“Miguel havia coletado um material parecido àquele que eu estava descrevendo. Daí resolvemos escrever juntos e definir o novo gênero”, diz Colli sobre a espécie R. xanthomystax, que foi coletada no sudoeste do Amazonas, mais especificamente no rio Abacaxis. A região em que essa espécie foi encontrada está em situação melhor do que a encontrada em Rondônia.

No geral, o Brasil abriga 36 espécies de tartarugas, cágados e jabutis(Testudines), 6 espécies de jacarés (Crocodylia), e 731 espécies de Squamata (sendo 73 anfisbênias, que também são popularmente conhecidas como ‘cobras cegas’, 329 serpentes e 266 lagartos). Todos os anos, muitas espécies novas e gêneros novos de animais são descobertos, deixando essa lista ainda mais recheada.

Via Fapesp

 

 

 

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