O delicado – e já ameaçado – recife de corais da Amazônia

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Um sistema encantador e muito extenso de recife na foz do Rio Amazonas foi encontrado e deixou muita gente boquiaberta. O recife estava literalmente escondido debaixo da pluma de água doce e barrenta do rio – local onde, tecnicamente, esse tipo de sistema não deveria existir. A descoberta foi feita por várias instituições nacionais e publicada na revista Science Advances.

O Rio Amazonas representa 20% da descarga fluvial mundial para o oceano gerando muita pluma e extensos fundos lodosos. Essas e outras condições são totalmente desfavoráveis para o surgimento de recifes.

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Mapa da ocorrência do recife

No geral, o recife possui cerca de 9500 km2 que se estende entre o a fronteira do Brasil com a Guiana Francesa até o Maranhão. O recife tem 120 metros de profundidade e é o lar de esponjas gigantes que passam dos dois metros de comprimento. O sistema é o maior que o da Região Metropolitana de São Paulo.

A pesquisa foi confirmada em setembro de 2014 durante viagens com o navio Cruzeiro do Sul. Havia a suspeita de que recifes gigantes estivessem escondidos por conta de algumas coletas feitas por pesquisadores americanos no local. A surpresa dos pesquisadores foi enorme quando, ao puxar as primeiras redes lançadas no rio, uma infinidade de esponjas coloridas e rodolitos surgiu – uma única rede coletou 900 quilos de esponjas de 30 espécies diferentes.

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fragmentos de recifes superficiais (à esquerda) e correspondentes imagens petrográficas (direita)

O trabalho classifica o sistema como recife marginal, que se submete a forçar condições ambientais de mineralização ideal para o surgimento de corais, esponjas e estromatólitos justamente por não estarem em condições favoráveis.

O recife surpreendeu, também, por conta da baixa taxa de luz que alcança o sistema: apenas 5% a 15% da luz alcança em alguns locais do Rio Amazonas. No local em que o recife foi encontrado cerca de 2% de luz do Sol alcança o recife, que é também atolado em lama, e mesmo assim lindas esponjas conseguem sobreviver.

Os pesquisadores estão bastante preocupados com o recife, que está ameaçado por conta da exploração de petróleo e gás que acontece exatamente sobreposto à área de ocorrência desse ecossistema.

O extenso e delicado recife da Amazônia precisa de cuidados urgentes, tanto de novas pesquisas sobre sua biodiversidade, quanto para sua importância para natureza. É preciso que as políticas ambientais possam proteger o recife, que já é um corredor biogeográfico seletivo e importante entre o Caribe e o Oceano Atlântico Sul. A ações precisam ser pensadas logo pois o ciclo hidrológico da Amazônia com secas extremas e inundações podem influenciar o funcionamento ou o desaparecimento desse grande tesouro.

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