O neurocientista pioneiro Miguel Nicolelis detona as alegações da Neuralink de Elon Musk

0
143
Créditos: Neuralink / NicolelisLab / Reuters.

Por Dan Robitzski
Publicado no Futurism

O médico e pioneiro da neurociência Miguel Nicolelis não poupou palavras em suas críticas a Elon Musk e sua empresa de interface cérebro-computador (ICC), Neuralink.

“O sr. Musk não entende nem um pouco de neurociência e o que é o cérebro”, disse Nicolelis ao Inverse. “Ele mal sabe onde está localizado”.

A Neuralink está trabalhando em um implante cerebral que permite algumas formas de interação entre a mente humana e um computador graças a fios perfurados no crânio. Os especialistas dizem que o CEO Elon Musk, no entanto, exagerou muito o que a Neuralink seria capaz de realizar, até alegando que seria capaz de curar de alguma forma uma ampla variedade de doenças e distúrbios – promessas que contrastam fortemente com o que os neurocientistas chamam de demonstrações tecnológicas massivamente decepcionantes.

Em defesa da Neuralink, parece que a tecnologia pode ter alguma utilidade para pessoas com paralisia, embora outros pesquisadores venham desenvolvendo tecnologia semelhante há anos. Além disso, os especialistas parecem concordar que o hardware da Neuralink demonstra alguma engenharia sofisticada.

Ainda assim, Nicolelis, que dirige um laboratório de ICC na Universidade Duke (EUA) – um laboratório onde Max Hodak, cofundador da Neuralink, foi aluno – repetiu algumas das mesmas críticas: “[Musk] vende coisas que foram inventadas antes e ele tenta dizer que ele fez algo incrível”, disse ele ao Inverse.

“A Neuralink não fez nada que eu considerasse inovador”, acrescentou Nicolelis. “Eu só acho um pouco ofensivo quando vejo esses caras da tecnologia que se comportam como deuses dizendo: ‘Oh, vamos fazer muito melhor’”.

No final das contas, Nicolelis disse que a pior afronta de Musk e da Neuralink foi focar na tecnologia e no hardware antes de considerar se isso poderia prejudicar as pessoas que fariam uso disso – especialmente devido aos riscos da cirurgia invasiva do cérebro necessária para instalar o implante.

“O que vejo é a maioria desses caras, esses caras da tecnologia, indo lá e falando sobre tecnologia como se não houvessem seres humanos por trás do que será feito”, disse Nicolelis ao Inverse.