O número global de mortes causadas pelo coronavírus ultrapassou um milhão de pessoas

0
245
Cientistas coletam morcegos para uma pesquisa sobre o coronavírus em 12 de setembro de 2020 na cidade de Ratchaburi, Tailândia. Créditos: Lauren DeCicca / Getty Images.

Por Simon Malfatto
Publicado na ScienceAlert

Mais de um milhão de pessoas morreram por conta do coronavírus, de acordo com um número fornecido para a Agence France-Presse, depois que a doença mortal surgiu há menos de um ano na China e se espalhou pelo mundo.

A pandemia devastou a economia mundial, causou tensões geopolíticas e destruiu vidas, desde favelas indianas e florestas do Brasil até a maior cidade da Estados Unidos, Nova York.

Eventos esportivos, entretenimento ao vivo e viagens internacionais foram paralisados ​​enquanto torcedores, públicos e turistas foram forçados a ficar em casa, mantidos isolados por conta de medidas rígidas impostas para conter a disseminação do vírus

Medidas drásticas de controle que colocaram metade da humanidade – mais de quatro bilhões de pessoas – sob alguma forma de confinamento em abril desaceleraram a princípio o ritmo da contaminação, mas desde que as restrições foram amenizadas, os casos dispararam novamente.

No domingo, 19:30 no horário de Brasília, foram totalizadas 1.000.009 vítimas fatais de 33.018.877 infecções registradas pela COVID-19, de acordo com uma contagem da Agence France-Presse usando fontes oficiais.

Os Estados Unidos têm o maior número de mortos, com mais de 200.000 mortes, seguidos por Brasil, Índia, México e Grã-Bretanha.

Para o caminhoneiro italiano Carlo Chiodi, esses números sombrios incluem seus pais, que ele diz ter perdido dias atrás.

“O que tenho dificuldade em aceitar é que vi meu pai saindo de casa, entrando na ambulância, e tudo que pude dizer a ele foi ‘adeus’”, disse Chiodi, 50 anos.

“Lamento não ter dito ‘eu te amo’ e lamento não tê-lo abraçado. Isso ainda me machuca”, disse ele à Agence France-Presse.

Com os cientistas ainda correndo para encontrar uma vacina que funcione, os governos são novamente forçados a um difícil ato de equilíbrio: as medidas de controle do vírus diminuem a propagação da doença, mas prejudicam economias e empresas que já estão es recuperando.

O FMI alertou no início deste ano que a turbulência econômica poderia causar uma “crise como nenhuma outra”, com o colapso do PIB mundial.

A Europa, duramente atingida pela primeira onda, agora enfrenta outro aumento de casos, com Paris, Londres e Madri, todas forçadas a introduzir medidas de controle para retardar as infecções, ameaçando sobrecarregar os hospitais.

Máscaras e medidas de distanciamento social em lojas, cafeterias e transportes públicos já fazem parte do dia a dia de muitas cidades.

Em meados de setembro, houve um aumento recorde de casos na maioria das regiões do mundo, e a Organização Mundial da Saúde alertou que as mortes pelo vírus podem até dobrar para dois milhões sem mais ações coletivas globais.

“Um milhão é um número terrível e precisamos refletir sobre isso antes de começarmos a considerar um segundo milhão”, disse o diretor de emergências da OMS, Michael Ryan, a repórteres na sexta-feira.

“Estaremos preparados coletivamente para fazer o que for preciso para evitar esse número?”

Lidando com a COVID-19

O vírus SARS-CoV-2 que causa a doença conhecida como COVID-19 fez sua primeira aparição conhecida na cidade de Wuhan, centro da China, o marco zero do surto.

Como ele chegou lá ainda não está claro, mas os cientistas acreditam que se originou em morcegos e poderia ter sido transmitido a pessoas por meio de outro mamífero.

Wuhan entro em lockdown em janeiro, enquanto outros países olhavam sem acreditar nas medidas de controle draconianas da China, mesmo enquanto continuavam seus negócios normalmente.

Em 11 de março, o vírus havia aparecido em mais de 100 países e a Organização Mundial da Saúde declarou uma pandemia, expressando preocupação com os “níveis alarmantes de inação”.

Patrick Vogt, médico de família em Mulhouse, uma cidade que se tornou o epicentro do surto na França em março, disse que percebeu que o coronavírus estava em toda parte quando os médicos começaram a adoecer, alguns morrendo.

“Vimos pessoas em nosso consultório que tinham problemas respiratórios muito grandes, jovens e pessoas não tão jovens que se sentiam exaustos”, disse ele. “Não tínhamos soluções terapêuticas”.

Frustrações, protestos

O vírus não poupou os ricos ou famosos este ano.

O primeiro-ministro britânico Boris Johnson passou uma semana no hospital. Madonna testou positivo após uma turnê pela França, assim como Tom Hanks e sua esposa, que se recuperou e voltou para casa em Los Angeles após uma quarentena na Austrália.

As Olimpíadas de Tóquio, o famoso carnaval do Rio de Janeiro e a peregrinação muçulmana a Meca estão entre os eventos de destaque mundial adiados ou interrompidos pela pandemia. O futebol da Premier League foi reiniciado, mas com estádios vazios. O torneio de tênis de Roland Garros está limitando seu público a 1.000 por dia.

Israel entrou em lockdown total novamente e as pessoas no grupo de risco ​​de Moscou receberam ordens para ficar em casa.

À medida que as restrições aumentam, os protestos e a raiva também aumentam por conta de empresas que se preocupam com suas sobrevivências e indivíduos que ficam frustrados com as incertezas sobre seus empregos e sustento para suas famílias em face de outra rodada de medidas de lockdown.

Manifestantes anti-lockdown e a polícia entraram em confronto no centro de Londres no sábado, enquanto policiais dispersavam milhares de pessoas em uma manifestação.

“Esta é a gota d’água – estávamos começando a nos recuperar”, disse Patrick Labourrasse, dono de um restaurante em Aix-en-Provence, uma cidade francesa perto de Marselha que está sendo novamente forçada a fechar bares e restaurantes.

Junto com essa turbulência, porém, existe alguma esperança, com Wuhan agora parecendo ter controlado a doença.

“A vida voltou ao padrão do que tínhamos antes”, disse o morador An An. “Todos que vivem em Wuhan se sentem à vontade”.

E o FMI diz que as perspectivas econômicas parecem melhores agora do que em junho, mesmo que permaneçam “muito desafiadoras”.

De forma crucial, nove vacinas candidatas estão em testes clínicos no último estágio, com a esperança de que algumas sejam lançadas no próximo ano, embora ainda haja dúvidas sobre como e quando elas serão distribuídas ao redor do mundo.