Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica está com inscrições abertas

Estão abertas as inscrições para escolas de todo o Brasil participarem da 22ª Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica (OBA), a maior olimpíada científica do Brasil, até o dia 17 de março.

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Prof João Canalle, coordenador da Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica.

Ao observar o céu à noite, você fica curioso sobre como as estrelas se formam, evoluem e morrem? Você se interessa sobre buracos negros, Big Bang e cosmologia? Então, o seu lugar é na Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica (OBA). Fique atento, pois a edição desse ano, a vigésima segunda, já está com as inscrições abertas para as escolas.

Realizada em fase única, a olimpíada acontece no dia 17 de maio e é voltada para todos os estudantes dos ensinos fundamental e médio. Escolas públicas e particulares que ainda não participam já podem se cadastrar pelo site www.oba.org.br. O prazo para inscrições de escolas vai até o dia 17 de março.

Em 22 anos de existência, a OBA já mobilizou cerca de 10 milhões de participantes e distribui anualmente cerca de 50 mil medalhas. A edição de 2018 teve a participação de 776.338 estudantes de 8.456 escolas de todos os estados do Brasil e do Distrito Federal, além de duas do Japão.

A olimpíada é dividida em quatro níveis – os três primeiros são para alunos do ensino fundamental e o quarto para os do ensino médio – e a prova é composta por dez perguntas: sete de astronomia e três de astronáutica. A maioria das questões é de raciocínio lógico. As medalhas são distribuídas conforme a pontuação obtida por cada nível.

Os melhores classificados na OBA representam o país nas olimpíadas Internacional de Astronomia e Astrofísica e Latino-Americana de Astronomia e Astronáutica de 2020. E os participantes dessa edição ainda vão concorrer a vagas na Jornada Espacial, que acontece em São José dos Campos (SP), onde os participantes recebem material didático e assistem a palestras de especialistas.

O objetivo da OBA, de acordo com o Dr. João Batista Garcia Canalle, astrônomo da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e coordenador nacional do evento, é levar “a maior quantidade de informações sobre as ciências espaciais para a sala de aula, despertando o interesse nos jovens”.

Os alunos e os professores podem se preparar para a prova através do aplicativo “Simulado OBA”, disponível para celulares, tablets, e computadores, e pelo site da olimpíada, que fornece vídeos explicativos, além de provas e gabaritos das edições anteriores.

– Queremos promover a disseminação dos conhecimentos básicos de forma lúdica e cooperativa entre professores e alunos, além de mantê-los atualizados – explica o Dr. João Canalle.

Oficina didática do prof João Canalle coord. da OBA para professores do ensino Fundamental e Médio.

MOBFOG 

Organizada pela OBA, a 13ª Mostra Brasileira de Foguetes (MOBFOG) também está com inscrições abertas. O evento avalia a capacidade dos estudantes de construir e lançar, o mais longe possível, foguetes feitos de garrafa pet, de tubo de papel ou de canudo de refrigerante.

A MOBFOG é voltada para alunos dos ensinos fundamental e médio de escolas públicas e particulares de todas as regiões do país. Jovens que concluíram o ensino médio podem participar, desde que representando a instituição na qual se formaram, com a concordância da mesma ou pela Universidade se já nela estiverem. O evento acontece dentro da própria escola e tem quatro níveis.

As inscrições para as instituições que ainda não participaram da OBA e da MOBFOG vão até o dia 17 de março. O cadastro é único para os dois eventos e deve ser feito pelo site www.oba.org.br. Os estudantes do ensino médio que conseguirem lançar seus foguetes acima de 100 metros serão convidados para a Jornada de Foguetes (no máximo uma equipe por escola), evento anual que reúne alunos de todo país na cidade de Barra do Piraí, no interior do Rio de Janeiro. Em 2018, a MOBFOG contou com 119.414 alunos. Para essa edição são esperados mais de 125.000 alunos.

Os foguetes devem ser elaborados e lançados individualmente ou em equipe. Após o dia 17 de maio (data da prova da OBA), a escola deverá informar os nomes dos participantes e os alcances obtidos por seus foguetes. No final, todos, incluindo professores e diretores, recebem um certificado e os estudantes que alcançarem os melhores resultados receberão medalhas.

Os alunos do nível 1 (do 1º ao 3º ano do ensino fundamental) lançam foguetes construídos com canudinhos de refrigerantes. Os do nível 2 (do 4º ao 5º ano do fundamental) elaboram foguetes com tubinhos de papel. Já os alunos do nível 3 (do 6º ao 9º ano) constroem foguetes com garrafas PET, mas usam somente água e ar comprimido para lançá-los.

Os alunos do ensino médio ou superior também fazem foguetes de garrafa PET, mas com um elemento mais complexo, pois têm que usar combustível químico, ou seja, vinagre e bicarbonato de sódio. Durante o trabalho, os participantes aprendem, na prática, a famosa Lei da Física da Ação e Reação, de Isaac Newton. Além de desenvolverem os foguetes, os estudantes terão que construir a base de lançamento.

No site da OBA, no tópico “Downloads”, encontram-se todos os detalhes para a construção dos projetos, além dos vídeos explicativos. Os resultados serão obtidos por meio das distâncias medidas ao longo da horizontal entre a base de lançamento e o local de chegada dos foguetes.

Organização

A OBA é coordenada por uma comissão formada por membros da Sociedade Astronômica Brasileira (SAB) e da Agência Espacial Brasileira (AEB) e conta com o apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Universidade Paulista (UNIP).

Além de ter crescido, a OBA se multiplicou ao longo dos seus 22 anos. Dentro da olimpíada foi criada a Mostra Brasileira de Foguetes, a MOBFOG, que cresce anualmente. Mas não é só isso. Também nasceram as Jornadas Espaciais, as Jornadas de Foguetes, os Acampamentos Espaciais e os Encontros Regionais de Ensino de Astronomia (EREA). Este último, promovido desde 2009, já capacitou mais de 7.000 professores passando por 71 cidades do país, até mesmo na longínqua Oiapoque, no extremo norte do Amapá. Ele é realizado com parcerias locais e principalmente com recursos obtidos junto ao CNPq. Outro projeto promovido pela olimpíada é o OBA de Olho no Céu, que leva astronomia para cerca de 25.000 alunos por ano por meio do seu Planetário Digital.

Quem desejar organizar um EREA em sua região ou receber o Planetário Digital, basta entrar em contato com a secretaria (oba.secretaria@gmail.com).

Oportunidades

A Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica é um evento que abre muitas portas para aqueles que se dedicam ao seu amor pela astronomia. As olimpíadas, quando realizadas no Fundamental, ajudam a desenvolver o interesse dos alunos e prepará-los para as próximas etapas de sua educação, que tanto pública ou particular, são etapas difíceis do seu aprendizado que podem ser percorridas com mais leveza caso o estudante descubra logo cedo os assuntos pelo qual ele se interessa e quer se dedicar.

No Ensino Médio, a OBA além de atestar a capacidade do estudante em estudar à fundo assuntos fora da grade curricular, coloca-o em contato com oportunidades incríveis que estão sujeitas somente à vontade de estudar e aprender do estudante, salvo casos de participantes de escolas públicas, que enfrentam em comparação com a maioria dos participantes de Olimpíadas Internacionais que provém de escolas particulares, por exemplo, dificuldades maiores de participação e dedicação que não são superadas somente pelo mérito. No entanto, no geral, a OBA conecta estudantes com oportunidades como a Jornada Espacial, que é considerada pelos que foram um evento incrível que permite os alunos sonharem, por uma semana, com um futuro melhor e uma educação de altíssima qualidade. A Jornada Espacial, nas edições de 2017 e 2018 ao menos, levou entre 70 e 100 estudantes de todo o Brasil que se destacaram na prova do nível 4 da OBA à uma espécie de congresso em São José dos Campos, São Paulo, acompanhados por seus professores. Lá, por uma semana, palestras, excursões e oficinas incríveis foram oferecidas, que são difíceis de se pensar considerando o panorama educacional público brasileiro. Os alunos visitam o Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA), o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e diversos outros polos tecnológicos brasileiros, além de ter palestras com pesquisadores e executivos que seriam completamente inacessíveis se não fosse a realização de tal evento.

A Jornada Espacial, por uma semana, permite estudantes do Brasil se conectarem e desenvolverem laços de amizade e colaboração que levam para sempre. O evento também estimula os estudantes a todo momento, ressaltando que essa oportunidade não é acessível à todos os participantes, embora a organização deseje. Desse modo, os estudantes ganham a confiança necessária para pensar mais alto sobre sua educação, cogitando procurar mais olimpíadas do conhecimento, dedicarem-se para seletivas de olimpíadas internacionais, atrever-se a procurar uma graduação fora do seu estado de origem e quiçá, fora do Brasil. A OBA e a Jornada Espacial, juntamente com a MOBFOG, a Jornada de Foguetes e a Seletiva das Olimpíadas Internacionais como a OLAA e a IOAA terão com certeza sua enorme parcela na formação de um Brasil melhor no futuro.

Foto da Jornada Espacial de 2017 em São José dos Campos, tirada no Memorial Aeroespacial Brasileiro, em frente ao VLS (Veículo Lançador de Satélites).

Crédito Fotográfico: Divulgação/OBA.

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