OMS lista as 12 bactérias resistentes que representam a maior ameaça

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Wikimedia Commons

Com o objetivo de chamar mais atenção para o problema e guiar os esforços pela busca de novos antibióticos, a Organização Mundial de Saúde publicou ontem (27/02) uma lista composta por 12 bactérias que devem ser o foco principal das pesquisas.

A lista é dividida em três categorias: situação críticaalta prioridade média prioridade.

Situação crítica:

Acinetobacter baumannii – resistente à carbapenema

Pseudomonas aeruginosas – resistente à carbapenema

Enterobacteriaceae – resistente à carbapenema e produtora de ESBL (beta-lactamases de espectro estendido, enzima que neutraliza a ação de certos antibióticos)

Alta prioridade:

Enterococcus faecium – resistente à vancomicina

Staphylococcus aureus – resistente à meticilina, resistência intermediária e resistência à vancomicina

Helicobacter pylori – resistente à claritromicina

Campylobacter spp. – resistente à fluoroquinolona

Salmonellae – resistente à fluoroquinolona

Neisseria gonorrhoeae – resistente à fluoroquinolona e às cefalosporinas

Média prioridade:

Streptococcus pneumoniae – não susceptível à penicilina

Haemophilus influenzae – resistente à ampicilina

Shigella spp – resistente à fluoroquinolona

Discussão

O que a maioria dessas bactérias têm em comum é o fato de serem Gram-negativas, conhecidas por serem naturalmente mais resistentes aos antibióticos. A principal característica dessa classificação de bactérias é que elas possuem duas membranas plasmáticas, com uma parede celular entre elas. A membrana externa possui uma sustância chamada lipopolissacarídeo – ou endotoxina -, que, caso essas bactérias atinjam a corrente sanguínea, estimula uma potente resposta imunológica, que pode causar queda na pressão sanguínea, febre elevada e até choque séptico.

Essa membrana plasmática extra, a externa, torna a bactéria Gram-negativa menos susceptível a tratamento com diversos antibióticos. Além dessa membrana, outro fator que influencia na resistência dessas bactérias é a presença de canais proteicos que bombeiam para fora da célula substâncias potencialmente nocivas à sua integridade.

Imagem demonstrando a diminuição da ação de um antibiótico (seta preta) em uma célula Gram-negativa. (anvisa.gov.br)

Por isso que o topo da lista (situação crítica) é composto por Gram-negativas. Isso e o fato de que elas são as principais responsáveis pelas infecções hospitalares como meningite, infecção de locais de cirurgia, pneumonia, etc. E, infelizmente, ainda tem mais: a carbapenema é considerado um antibiótico de último recurso – utiliza-se quando todo o resto falha. No caso das Gram-positivas, existem outras formas de combate quando a carbapenema não é mais viável; no entanto, por causa dos fatores já citados, a Gram-negativa é mais dificilmente tratada por outros meios, o que nos deixa praticamente sem opções.

Para os outros dois grupos da lista, compostos por Gram-negativas e algumas Gram-positivas, ainda há alguns antibióticos que conseguem combatê-los, embora seja apenas uma questão de tempo para que também surjam resistência aos últimos recursos, que já estão sendo utilizados em alguns casos.

Em 2016, foi divulgada na Assembleia Geral das Nações Unidas a Revisão de Resistência a Antibióticos, que definiu guias e objetivos para combater o que pode vir a ser a maior ameaça à saúde humana. Mais de 190 países assinaram uma declaração de combate a esse problema.

Espera-se que este direcionamento da OMS e a ação conjunta dos governos do mundo inteiro estimulem a pesquisa e promovam a conscientização acerca do uso de antibióticos, seja no sistema de saúde ou na agropecuária.

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