Pesquisadores brasileiros desenvolvem nova teoria física para Anomalia do Campo Magnético

Jovens pesquisadores do Mato Grosso do Sul estudaram aspectos da Anomalia Magnética do Atlântico Sul e necessitam de apoio para apresentar seus resultados na Feira Brasileira de Ciências e Engenharia, a ser realizada na USP, em Março de 2019.

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Um grupo de três pesquisadores do Ensino Médio e seu orientador elaboraram uma nova explicação para o enfraquecimento do Campo Magnético que vêm ocorrendo sob a América do Sul, conhecido como a Anomalia Magnética do Atlântico Sul.

Maria Vitória Moura, Letícia Tonon, Carlos Vinícius Ferri, o orientador George Camargo e o coorientador Maurício Tsutsumi são do Mato Grosso do Sul e frequentam a escola militar preparatória General Osório. Sua pesquisa foca em um problema que aflige principalmente o Brasil e demais países da América do Sul.

Os jovens foram selecionados para participar da Experiência Beta, uma mostra científica da iniciativa Cientista Beta no Rio Grande do Sul e também da maior feira de ciências do Brasil, a FEBRACE (Feira Brasileira de Ciências e Engenharia), com o único projeto que trata de física teórica em toda a feira de 2019. Tiveram ajuda de um pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais que é especialista em Clima Espacial, área que engloba a AMAS, para realizar o projeto. Além disso, estão inscritos na Google Science Fair e na Genius Olympiad, ambas feiras de ciências americanas.

Porém, buscam apoio para comparecer à feira. O projeto inovador de pesquisadores do Ensino Médio tem potencial científico internacional, já que propõe para o Campo da Terra uma teoria nova e trabalha com dados de sondas e anomalias magnéticas extraterrestres. Para ir do Mato Grosso do Sul à USP, apresentar a pesquisa em Março, é necessário aproximadamente R$5000,00 para dois dos jovens e um orientador. Precisamos da sua ajuda para fazer a ciência brasileira se destacar e ser valorizada! Doe pela Vakinha online aqui ou nos procure (pelo e-mail: mariavick2014@outlook.com) caso esteja interessado em patrocinar nossa pesquisa ou doar diretamente por depósito.

Sobre a Pesquisa

Ao perceber que detalhes da Anomalia não eram consenso para a comunidade científica e que o assunto é extremamente relevante para o Brasil, a equipe estudou a origem da Anomalia, e concluiu que, ao contrário do que muitos pesquisadores disseram ao apontar o núcleo externo como causador da descontinuidade do Campo Magnético, o núcleo interno, feito de ferro sólido, é o responsável pela Anomalia, pois encontra-se deslocado cerca de 500km de seu centro original. Esse deslocamento, além de produzir a Anomalia Magnética do Atlântico Sul (AMAS), também é a causa da inclinação da Terra em 23°27′, e consequentemente, causa as estações do ano.

A área em azul escuro é a Anomalia Magnética do Atlântico Sul, e nota-se no lado diametralmente oposto, na Oceania, a área onde o Campo é mais intenso. Fonte: Research Gate.

A partir disso, um novo modelo para a dinâmica do Campo Magnético Principal Terrestre teve que ser confeccionado pois o antigo não levava em consideração o núcleo sólido interno. Em meio à modelagens anteriores toroidais (em forma de rosquinhas, vazias no meio) e poloidais do Campo, os pesquisadores sugeriram um modelo de Solenoide (espiras/fios enrolados no mesmo eixo) com uma ‘barra de ferro’ no meio, que analogamente se refere  ao núcleo externo como os fios e a barra de ferro como o núcleo interno sólido deslocado. Foram feitos protótipos e experiências que simularam a anomalia com a aplicação do modelo físico proposto.

Além disso, para saber mais sobre a evolução da Anomalia, não basta só olhar para a Terra. A Anomalia é conhecida desde 1958 e por isso há relativamente pouca informação sobre ela ainda. Os pesquisadores compilaram informações dos campos magnéticos de outros planetas e corpos do Sistema Solar de bancos de dados da NASA e através dos dados de sondas como a Voyager e a Mariner, concluíram que os corpos do sistema solar cujos campos magnéticos apresentam as anomalias magnéticas mais parecidas com a estudada são Júpiter e Mercúrio, e estes devem nos guiar no estudo da nossa própria.

Após análises, uma ótima evidência é que tanto a anomalia magnética de Júpiter quanto a de Mercúrio convergiram para um mesmo cenário: elas ‘cresceram’ tanto que tomaram conta do hemisfério sul inteiro dos respectivos planetas, enquanto que o Campo Magnético teve que se reduzir e caber apenas no hemisfério Norte. A conclusão dos pesquisadores é que isso deve acontecer com a Terra: o Campo Magnético Terrestre deve continuar enfraquecendo ano após ano e a Anomalia aumentando, pondo em risco as comunicações e quiçá, a vida na Terra tal como a conhecemos. Sem o Campo Magnético, estaríamos expostos à radiação e partículas do vento solar. Qualquer explosão solar de grandes proporções, sem o Campo nos protegendo, poderia ser catastrófica.

Campo Magnético de Júpiter, mostrando que o Campo se reduziu e cabe no Hemisfério Norte, enquanto que uma poderosa Anomalia Magnética domina o Hemisfério Sul. Um possível panorama de evolução da AMAS. Fonte: Nature.
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