Pesquisadores criam molécula que pode matar o HIV

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Bactérias e vírus renderizados em 3D.

Publicado na Eurek Alert

Em animais de laboratório, uma partícula desenvolvida por cientistas da UCL, Stanford e NIH acorda células virais dormentes e, em seguida, as deixam inanimadas.

Drogas anti-HIV atuais são muito eficazes em fazer o HIV indetectável e em permitir que os vírus tenham vidas longas e saudáveis. Os tratamentos, uma classe de medicamentos chamados de terapia antirretroviral, também reduz grandemente a chance de transmissão de pessoa para pessoa.

Mas os medicamentos não conseguem de fato eliminar os vírus do organismo, que tem a habilidade de eludir medicamentos ao ficar dormente em células chamada Células T CD4+, que fazem a sinalização para outro tipo celular, as CD8, que são responsáveis por destruir células infectadas por HIV. Quando uma pessoa com HIV para o tratamento, o vírus emerge e se replica no corpo, enfraquecendo o sistema imune e aumentando as chances de que uma infecção oportunista possa adoecer ou até matar o paciente.

Pesquisadores tem procurado por meios de eliminar essas “reservas” onde o vírus se esconde, e a equipe da UCL, Stanford e NIH pode ter desenvolvido uma solução. A abordagem envolve enviar um agente para “acordar” o vírus dormente, o que faz com que ele comece a se replicar para que ou o sistema imune ou o próprio vírus mate as células infectadas.

Os cientistas chamam a técnica de “Chutar e matar”.

Destruir as células de reserva viral pode livrar parcial ou totalmente do vírus as pessoas infectadas. E apesar que a técnica ainda não ter sido testada em humanos, uma molécula sintética que eles desenvolveram foi eficaz em “chutar e matar” o HIV em animais de laboratório, de acordo com o estudo publicado em 21 de setembro na PLOS Pathogens.

“A reserva latente de HIV é muito estável e pode reativar a replicação viral se o paciente parar de tomar os antirretrovirais por qualquer motivo” disse Matthew Marsden, autor primário do estudo. “Nosso estudo sugere que podem haver meios de ativar o vírus latente no corpo do paciente enquanto este toma os medicamentos para prevenir o vírus de se espalhar, e isso pode ajudar a eliminar pelo menos um pouco desta reserva latente”.

Para testar essa abordagem, os pesquisadores deram drogas antivirais para ratos que foram infectados com o HIV, e então administraram um composto sintético chamado de SUW133, que foi desenvolvido na Stanford, para ativar o HIV dormente dos ratos. Até 25% das células previamente dormentes que passaram a expressar o HIV morreram após 24h.

Com mais desenvolvimento, a técnica pode ser capaz de abaixar a reserva o suficiente para que pessoas com HIV sejam capazes de descontinuar sua terapia antirretroviral, disse Marsden.

SUW133 é baseado na bryostatin 1, um composto natural extraído de um animal marinho chamado Bugula neritina. A pesquisa determinou que o composto sintético é menos tóxico do que a versão natural.

“Os achados são significantes porque diversas tentativas anteriores de ativar o vírus latente tiveram sucesso limitado” disse o autor sênior Jerome Zack, professor e diretor do Departamento de Microbiologya da UCLA. “A maioria dos estudos mostravam uma fraca ativação do vírus, uma toxicidade severa, com pouco efeito sobre a reserva”.

Marsden disse que resultados em camundongos não necessariamente se traduzem em resultados em humanos. Em estudos futuros, os cientistas pretendem descobrir como fazer o SUW133 menos tóxico, e avaliar seus efeitos em animais maiores, antes que ele possa ser testado em humanos.

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