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Por que animais ainda são mais rápidos que robôs?

robô correndo

Nos últimos anos, demos alguns passos significativos em robótica e IA, mas ainda não construímos robôs que possam superar o melhor que a natureza tem para oferecer – e novas pesquisas exploram as principais razões para isso.

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Ao revisar e consultar mais de uma centena de estudos anteriores e colocar robôs contra animais em categorias como potência, estrutura, atuação, detecção e controle, a conclusão foi bastante surpreendente.

agilidade e os robôs
Os animais foram classificados contra os robôs em categorias como agilidade. (Burden et al., Science Robotics, 2024)

“Não é que nossos robôs mais avançados estejam muito atrás em qualquer categoria específica”, diz o engenheiro mecânico Kaushik Jayaram, da Universidade do Colorado em Boulder. “No nível do sistema, os robôs não são tão bons.”

Como exemplo, Jayaram aponta um robô inspirado em baratas que ele ajudou a desenvolver em 2020. Ele se move rapidamente para frente e para trás, mas tem dificuldade na hora de mudar de direção ou se mover sobre uma superfície que não é plana.

Os pesquisadores também apontam que mesmo os menores insetos superam a maioria dos robôs na detecção do mundo ao seu redor e na adaptação de suas ações a ele; flexibilidade e agilidade são cruciais se você deseja se mover de maneira rápida e segura.

animais e robôs
Os robôs conseguem vencer os animais em certas áreas específicas – mas não no conjunto do sistema.

E ainda há a energia. Embora os motores e as baterias possam vencer tecidos e músculos em determinadas métricas, nos animais a energia está totalmente integrada com a informação sensorial nas mesmas subunidades celulares.

Uma das motivações por trás da nova pesquisa publicada na Science Robotics,  é que ela inspirará os engenheiros a criar robôs mais flexíveis e ágeis, e mais capazes de adaptar sua maneira de se mover dependendo do cenário.

A sugestão da equipe de investigação é que possamos concentrar-nos em tentar melhorar a construção de ‘subunidades funcionais’, onde diferentes elementos são combinados tal como acontece nas células animais – elementos como energia, sensação e movimento.

Esta tática proporcionaria mais oportunidades para explorar compensações negativas e potenciais propriedades emergentes. Até conseguirmos uma melhor compreensão desses fatores, as chitas e as baratas ainda terão vantagem.

“A natureza é uma professora realmente útil”, diz Jayaram. “Os animais são, em certo sentido, a personificação deste princípio de design definitivo – um sistema que funciona muito bem em conjunto.”

“Como engenheiro, é meio perturbador”, diz Jayaram. “Ao longo de 200 anos de intensa engenharia, conseguimos enviar naves espaciais à Lua e a Marte e muito mais. Mas é confuso que ainda não tenhamos robôs que sejam significativamente melhores que os sistemas biológicos na locomoção em ambientes naturais.”

Brendon Gonçalves

Brendon Gonçalves

Sou um nerd racionalista, e portanto, bastante curioso com o que a Ciência e a Filosofia nos ensinam sobre o Universo Natural... Como um autodidata e livre pensador responsável, busco sempre as melhores fontes de conhecimento, o ceticismo científico é meu guia em questões epistemológicas... Entusiasta da tecnologia e apreciador do gênero sci-fi na arte, considero que até mesmo as obras de ficção podem ser enriquecidas através das premissas e conhecimentos filosóficos, científicos e técnicos diversos... Vida Longa e Próspera!