Quão sério é o vazamento de radiação da usina nuclear na China?

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A Central Nuclear de Taishan ao redor da cidade de Taishan em Cantão, China, em 2013. Créditos: Peter Parks / Agence France-Presse via Getty Images.

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Uma das empresas envolvidas em um novo reator nuclear em Taishan em Cantão, China, escreveu ao governo dos EUA alertando sobre uma “ameaça radiológica iminente” na usina. O memorando da empresa francesa Framatome ao Departamento de Energia dos Estados Unidos, relatado pela primeira vez na CNN, disse que as autoridades chinesas estavam aumentando os limites aceitáveis ​​de radiação na usina para evitar o fechamento do reator. Qual é a gravidade do problema e você deve se preocupar?

Nós sabemos o que está causando o problema?

A EDF, empresa parceira da Framatome, que tem uma participação de 30 por cento na empresa proprietária da usina, disse no meio do mês que o problema parece ser com uma ou mais barras de combustível. Parece que há um buraco no revestimento das barras de combustível, que contêm o urânio usado para criar uma reação de fissão. Em nota, a EDF disse que houve um “aumento na concentração de certos gases nobres no circuito primário” do reator número um da usina. O circuito primário é a parte da usina que transfere calor do reator para a água, gerando vapor e produzindo eletricidade. Os gases nobres incluem criptônio e xenônio.

Houve um vazamento de radiação?

Sim. A New Scientist confirmou que houve um vazamento de radiação na usina. No entanto, é apenas dentro do circuito primário, que está dentro de várias camadas de contenção. O vazamento de radiação não se estende além do circuito e nenhum material radioativo foi detectado fora da usina. “Se os gases inertes estiverem no sistema de refrigeração primário, é improvável que qualquer radioatividade seja liberada para fora do reator”, disse Claire Corkhill, da Universidade de Sheffield, no Reino Unido.

Há quanto tempo isso está acontecendo?

A EDF recebeu pela primeira vez relatórios de aumentos de contaminação no circuito primário em outubro de 2020. O governo de Hong Kong, que fica a 130 quilômetros da usina, disse em 8 de abril que havia um “evento operacional” na usina em 5 de abril, que envolveu a liberação de uma “quantidade muito pequena de gás”. O gás não foi nomeado.

As pessoas estão em risco?

Parece que não. Carrie Lam, líder do governo de Hong Kong, disse esse mês que o monitoramento dos níveis de radiação ao redor da cidade mostra que “tudo está normal”. A EDF mantém o nível de radioatividade observado na usina abaixo dos níveis exigidos pelas autoridades chinesas. Framatome descreveu os problemas na usina como “um problema de desempenho”. “De acordo com os dados disponíveis, a usina está operando dentro dos parâmetros de segurança”, afirmou em nota.

O que os outros especialistas dizem?

“Essa situação, em princípio, não representa nenhum perigo imediato”, disse Mycle Schneider, analista nuclear em Paris e editor do World Nuclear Industry Status Report. “Devemos nos preocupar? Não está claro se há motivo de preocupação nesta fase, mas é claro que a situação precisa ser monitorada”, disse Corkhill.

Quais são as ramificações disso?

A usina de Taishan tem um perfil incomumente alto, devido ao seu projeto de reator, conhecido como EPR. A usina tem dois desses reatores, projetados em conjunto pela Siemens da Alemanha e pela EDF da França, e o reator número um de Taishan foi o primeiro EPR do mundo a se tornar operacional quando foi conectado à rede em 2018. A EDF espera construir usinas nucleares em outras partes do mundo usando o projeto do EPR, que é a base de uma dupla de reatores que está construindo em Hinkley Point em Somerset, Reino Unido.

O que o Reino Unido fará?

Paul Dorfman, da Colégio Universitário de Londres, disse que a agência reguladora nuclear do Reino Unido, o Office for Nuclear Regulation, precisa receber detalhes significativos sobre o incidente devido às aspirações de Hinkey Point e da EDF de construir uma usina baseada em EPR em Sizewell em Suffolk, Reino Unido. No entanto, parece que o problema não é o projeto do reator, mas um fenômeno conhecido como falha de combustível – a possibilidade de um furo na barra de combustível – que tem sido amplamente observado no Reino Unido e na França.

O que acontece depois?

Eventualmente, a barra de combustível precisará ser substituída. Por enquanto, a usina continuará operando, pois a contaminação no circuito primário não é considerada significativa o suficiente para desligar o reator. Limpar a contaminação pode ser financeiramente caro para as empresas estatais chinesas e francesas proprietárias da usina, disse Schneider.