Quarentenas adotadas por causa da COVID-19 mudaram a maneira de como a Terra se move

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Moradores de Bruxelas foram instruídos a ficar em casa, deixando as ruas da cidade vazias. Créditos: Jonathan Raa / NurPhoto via Getty Images.

Por Elizabeth Gibney
Publicado na Nature

A pandemia de Coronavírus trouxe um caos à vidas e à economia em todo o mundo. Mas os esforços para conter a propagação do vírus podem significar que o próprio planeta está se movendo um pouco menos. Pesquisadores que estudam o movimento da Terra estão relatando uma queda no ruído sísmico – o zumbido das vibrações na crosta do planeta – que pode ser o resultado das redes de transportes e outras atividades humanas. Eles dizem que isso pode permitir que os detectores detectam tremores menores e melhora a os esforços para monitorar a atividade vulcânica e outros eventos sísmicos.

Uma redução de ruído dessa magnitude ocorre apenas, e brevemente, no Natal, diz Thomas Lecocq, um sismólogo do Observatório Real da Bélgica em Bruxelas, onde a queda foi observada.

Assim, os eventos naturais, como os terremotos, fazem com que a crosta terrestre se mova, o mesmo ocorre com veículos em movimento e máquinas industriais. E embora os efeitos de fontes individuais possam ser pequenos, juntos eles produzem ruído de fundo, o que reduz a capacidade dos sismólogos de detectar outros sinais que ocorrem na mesma frequência.

Crédito: Observatório Real da Bélgica.

Dados de um sismômetro no observatório mostram que medidas para conter a propagação da COVID-19 em Bruxelas, fizeram com que o ruído sísmico induzido por humanos caísse cerca de um terço, diz Lecocq. As medidas incluíram o fechamento de escolas, restaurantes e outros locais públicos a partir de 14 de março e a proibição de todas as viagens não essenciais a partir de 18 de março (consulte ‘Ruído sísmico’).

A queda atual aumentou a sensibilidade do equipamento do observatório, melhorando sua capacidade de detectar ondas na mesma faixa de alta frequência do ruído. O sismômetro de superfície da instalação, agora, é quase tão sensível a pequenos terremotos e explosões de pedreiras quanto um detector de contrapartida enterrado em um poço de 100 metros, acrescenta. “Está realmente ficando muito quieto agora na Bélgica”.

Aumento de informação

Se os bloqueios continuarem nos próximos meses, os detectores de cidades em todo o mundo podem ser melhores do que o habitual na detecção de locais de tremores secundários a terremotos, diz Andy Frassetto, sismólogo das Instituições de Pesquisa Incorporadas para Sismologia em Washington DC. “Você receberá um sinal com menos ruído no topo, permitindo extrair um pouco mais de informações desses eventos”, diz ele.

A queda no ruído também pode beneficiar sismólogos que usam vibrações de fundo naturais, como as que causam ondas do mar, para sondar a crosta terrestre. Como a atividade vulcânica e a mudança dos lençóis freáticos afetam a velocidade com que essas ondas naturais viajam, os cientistas podem estudar esses eventos monitorando quanto tempo leva uma onda para alcançar um determinado detector. Uma queda no ruído induzido por humanos pode aumentar a sensibilidade dos detectores às ondas naturais em frequências semelhantes, diz Lecocq, cuja equipe planeja começar a testar isso. “Existe uma grande chance de que isso possa levar a melhores medições”, diz ele.

Os sismólogos belgas não são os únicos a notar os efeitos do bloqueio. Celeste Labedz, estudante de geofísica no Instituto de Tecnologia da Califórnia em Pasadena, twittou que uma queda semelhante no ruído foi detectada por uma estação em Los Angeles. “A queda é seriamente selvagem”, disse ela.

No entanto, nem todas as estações de monitoramento sísmico terão um efeito tão pronunciado quanto o observado em Bruxelas, diz Emily Wolin, geóloga do US Geological Survey em Albuquerque, Novo México. Muitas estações estão localizadas propositadamente em áreas remotas ou furos profundos para evitar ruídos humanos. Eles devem ter uma diminuição menor, ou nenhuma mudança, no nível de ruído de alta frequência que registram, diz ela.