Segunda pessoa é curada do HIV através de tratamento com transplante de células-tronco

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Crédito: Pixabay.

Publicado no The Japan Times

Um segundo paciente foi curado do HIV após passar por um tratamento com transplante de células-tronco, disseram uma equipe de médicos na terça-feira depois de não encontrar vestígios da infecção 30 meses depois da interrupção do tratamento tradicional.

O “paciente de Londres”, um paciente com linfoma de Hodgkin originário da Venezuela, ganhou as manchetes no ano passado quando pesquisadores da Universidade de Cambridge, Reino Unido, relataram que não haviam encontrado vestígios do vírus causador da Aids em seu sangue em 18 meses.

Ravindra Gupta, principal autor do estudo publicado no The Lancet HIV, disse que os novos resultados dos testes foram “ainda mais evidentes” e provavelmente demonstraram que o paciente estava curado.

“Fizemos testes em um conjunto considerável de lugares nos quais o HIV costuma se esconder e todos deram praticamente negativos para um vírus ativo”, disse Gupta à AFP.

O paciente Adam Castillejo, de 40 anos, que revelou sua identidade nesta semana, foi diagnosticado com HIV em 2003 e tomava medicamentos para manter a doença sob controle desde 2012.

Mais tarde naquele ano, ele foi diagnosticado com linfoma avançado de Hodgkin, um câncer mortal.

Em 2016, ele foi submetido a um transplante de medula óssea para tratar o câncer de sangue, recebendo células-tronco de doadores com uma mutação genética – presente em menos de 1% dos europeus – que impede o HIV de se estabelecer.

Ele se torna a segunda pessoa a ser curada do HIV depois que o estadunidense Timothy Brown, conhecido como “Paciente de Berlim”, se recuperou do HIV em 2011 após um tratamento semelhante.

Os testes virais do líquido cerebral, tecido intestinal e tecido linfoide de Castillejo não mostraram infecção ativa mais de dois anos após a interrupção do tratamento retroviral.

Gupta disse que os testes descobriram os “fósseis” do HIV – fragmentos do vírus que agora eram incapazes de se reproduzir e, portanto, não eram mais prejudiciais a saúde.

“Esperávamos isso”, disse ele. “É muito difícil imaginar que todo vestígio de um vírus que infecta bilhões de células fosse eliminado do corpo”.

Os pesquisadores alertaram que tal progresso não representa a cura generalizada para o HIV, doença responsável por quase 1 milhão de mortes a cada ano.

O tratamento de Castillejo foi um “último recurso”, pois seu câncer de sangue provavelmente o mataria sem intervenção, segundo Gupta.

O médico de Cambridge disse que havia “vários outros” pacientes que haviam passado por tratamento semelhante, mas que estavam em menor remissão.

“Provavelmente haverão mais [como Castillejo], mas levará um tempo”, disse ele.

Atualmente, os pesquisadores estão avaliando se os pacientes que sofrem de formas de HIV resistentes a drogas podem ou não ser elegíveis para transplantes de células-tronco no futuro, algo que Gupta disse que exigiria cuidadosa consideração ética.

“Você teria que considerar o fato de haver uma taxa de mortalidade de 10% ao fazer um transplante de células-tronco contra o evidente risco de morte presente se não fizéssemos nada”, disse ele.

Comentando o estudo da Lancet, Sharon Lewin, especialista em doenças infecciosas da Universidade de Melbourne, Austrália, disse que as descobertas podem proporcionar conforto aos pacientes. Mas ela aconselhou cautela.

“Dado o grande número de células amostradas aqui e a ausência do vírus intacto, o paciente de Londres está curado?”, ela disse. “Infelizmente, no final, só o tempo dirá”.