Síndrome de Kessler: O fim da exploração espacial e da vida moderna como nós a conhecemos

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Por Paul Ratner
Publicado no Big Think

A exploração espacial é uma das atividades mais promissoras da humanidade: Em direção ao grande desconhecido esperamos ampliar nosso alcance, encontrar novos recursos e formas de vida, enquanto resolvemos muitos de nossos problemas terrenos.

Mas não deveríamos dar como certa a continuidade destes programas indefinidamente, pois eles podem realmente se tornar impossíveis em algum momento. Existe um cenário chamado Síndrome de Kessler, que pode causar o fim de toda a exploração espacial e impactar dramaticamente nossas vidas e o nosso dia a dia.

Em 1978, o cientista da NASA Donald J. Kessler propôs que uma reação em cadeia da explosão de detritos espaciais pode acabar tornando atividades espaciais e o uso de satélites impossíveis por gerações. Ele previu que o número de objetos que lançamos na Órbita Terrestre Baixa pode criar um ambiente tão denso acima do planeta que colisões inevitáveis poderiam causar um efeito cascata. O lixo espacial e os estilhaços gerados por uma colisão podem tornar as colisões ainda mais prováveis. E se você tiver colisões suficientes, a quantidade de detritos espaciais pode sobrecarregar completamente o espaço orbital.

O que torna essa situação possível é o fato de que existem milhões de micro-meteoróides, bem como detritos produzidos pelo homem, que já estão orbitando a Terra. É fácil verificar o perigo que um pequeno fragmento viajando em alta velocidade representa: um “ponto de tinta” de 1 centímetro viajando a 10km/s pode causar o mesmo dano que um objeto de 115 kg viajando a 100 km/h na Terra. Se o tamanho do fragmento fosse aumentado para 10 centímetros, tal projétil teria a força de 7 quilos de dinamite. Agora imagine milhares desses objetos voando em velocidades alucinantes e colidindo uns com os outros.

Se uma reação em cadeia de explosão de lixo espacial ocorresse, enchendo a área orbital com escombros, o programa espacial estaria de fato em perigo. Viagens que vão além da órbita terrestre baixa, como uma missão a Marte, seriam mais desafiadoras, mas ainda assim possíveis.

O que, naturalmente, seria afetado se as piores previsões da Síndrome de Kessler se concretizassem, seriam todos os serviços que dependem de satélites. Aspectos centrais de nossa vida moderna – GPS, televisão, pesquisa militar e científica – tudo isso estaria sob ameaça.

A Nasa experimentou um incidente de síndrome de Kessler em pequena escala na década de 1970, quando os foguetes Delta que foram deixados em órbita começaram a explodir em nuvens de estilhaços. Isso inspirou Kessler, um astrofísico, a mostrar que há um ponto em que a quantidade de detritos em uma órbita chega à massa crítica. Nesse ponto, a colisão em cascata começaria mesmo que não fossem lançadas mais coisas no espaço. E uma vez que a cadeia de explosões começa, ela pode continuar até que o espaço orbital não possa mais ser usado.

Na estimativa de Kessler, levaria de 30 a 40 anos para atingir esse limite. A Nasa diz que seus especialistas alertam que já estamos em massa crítica na órbita baixa da Terra, que fica a cerca de 900 a 1.000 quilômetros de distância.

De acordo com estimativas da NASA, a órbita da Terra atualmente tem 500.000 pedaços de detritos espaciais de até 10 cm de comprimento, mais de 21.000 pedaços de detritos maiores que 10 cm e mais de 100 milhões de fragmentos de espaço menores que 1 cm.

Um incidente de 2009 apelidado de colisão Cosmos-Iridium apresentou uma colisão espacial entre os satélites de comunicação russos e americanos, que forneceram uma prévia das possíveis atrações no enorme campo de destroços que ele criou. O acidente resultou em mais de 2.000 peças de lixo espacial relativamente grande.

Embora existam algumas medidas de segurança sendo tomadas, como a Rede de Vigilância Espacial executada pelos militares, a grande quantidade de coisas já flutuando no espaço faz com que o efeito dominó de explosões seja uma possibilidade provável.

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