Tatuagens encontradas em mulheres egípcias antigas parecem pedir proteção durante o parto

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Tatuagens detalhadas encontradas no pescoço de uma múmia em Deir Almedina. (Créditos: Anne Austin/Universidade de Missouri-St. Louis, The Journal of Egyptian Archaeology (2022). DOI: 10.1177/03075133221130089)

Traduzido por Julio Batista
Original de Bob Yirka para o Phys.org

Uma dupla de pesquisadoras, uma da Universidade de Missouri em Saint Louis, a outra da Universidade Johns Hopkins, ambas nos EUA, encontrou evidências de tatuagens nos corpos de mulheres que viveram no Egito há milhares de anos. Em seu paper publicado no The Journal of Egyptian Archaeology, Marie-Lys Arnette e Anne Austin, descrevem as tatuagens e suas ideias sobre por que as mulheres as tinham.

No início da década de 1920, arqueólogos descobriram uma antiga cidade chamada Deir Almedina, perto do rio Nilo, no Egito. Pesquisas anteriores mostraram que a cidade foi ativa ao longo dos anos de 1550 a 1070 a.C. e serviu como uma comunidade para abrigar os homens (e suas famílias) que construíam túmulos para a realeza egípcia. Ao longo dos anos, os pesquisadores descobriram que a cidade foi bem planejada com ruas e casas para as pessoas que moravam lá. Nesse novo esforço, as pesquisadoras estavam estudando múmias encontradas na cidade quando encontraram evidências de tatuagens.

As pesquisadoras estavam estudando duas múmias femininas retiradas de dois túmulos na aldeia. Um havia sido saqueado e a múmia desembrulhada. Ao estudar a pele mumificada, as pesquisadoras encontraram evidências de uma tatuagem. Elas conseguiram desvendar representações de uma tigela, um ritual de purificação e uma representação de Bes, um deus egípcio cujo papel era proteger mulheres e crianças, principalmente durante o parto.

A segunda múmia, ainda embrulhada, foi estudada usando fotografia infravermelha (os arqueólogos já não estudam múmias desembrulhando). Acabou sendo os restos mortais de uma mulher de meia-idade com outra tatuagem. Esta tatuagem mostrava um Udyat (olho de Hórus) e Bes, desta vez usando uma coroa feita de penas. Também tinha uma linha em ziguezague abaixo das outras figuras, o que provavelmente representava um pântano, onde as pessoas da época iam para se refrescar e às vezes aliviar a dor, como a que é sentida durante o parto. As pesquisadoras sugerem que as duas tatuagens parecem representar um pedido daqueles que as carregam para proteção durante o parto.

As pesquisadoras observam que figuras de barro também foram encontradas no local, representando tatuagens na parte inferior das costas e na parte superior das coxas de mulheres, que também tinham imagens de Bes.