URGENTE: Temos a primeira imagem do buraco negro no centro da nossa galáxia

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O buraco negro supermassivo no centro de SgrA*. Crédito: EHT.

Por Michelle Starr
Publicado na ScienceAlert

Há quatro bilhões e meio de anos, nosso pálido ponto azul nasceu nos escombros que sobraram do nascimento de uma estrela. Desde então, estamos presos em uma dança cósmica; a Terra gira em torno do Sol; e o Sol gira em torno do centro galáctico, o coração escuro e misterioso da Via Láctea.

Contido nesse coração escuro, em torno do qual toda a galáxia gira, está um buraco negro supermassivo chamado Sagitário A*, com cerca de 4,3 milhões de vezes a massa do Sol. Conseguimos inferir sua presença e medi-la com base nos movimentos dos objetos ao seu redor, mas nunca vimos o objeto em si.

Nunca, isto é, até agora. Essa imagem no topo da tela – parecendo uma gloriosa rosquinha laranja embaçada – é a poeira ao redor e a sombra do próprio Sgr A*, vista pela humanidade pela primeira vez, graças ao trabalho árduo da colaboração do Event Horizon Telescope.

“Ficamos surpresos com o quão bem o tamanho do anel estava de acordo com as previsões da Teoria da Relatividade Geral de Einstein”, disse o cientista do projeto EHT Geoffrey Bower, da Academia Sinica em Taipei (Taiwan). “Essas observações sem precedentes melhoraram muito nossa compreensão do que acontece no centro de nossa galáxia e oferecem novas perspectivas sobre como esses buracos negros gigantes interagem com seus arredores”.

Você pode assistir à coletiva de imprensa ao vivo aqui e ver comentários em tempo real abaixo, para descobrir exatamente qual é a descoberta ao mesmo tempo que fazemos.

Linha do tempo do anúncio no horário de Brasília (12/05)

9h41: Para aqueles que estão se atualizando, aqui está o que sabemos até agora sobre o anúncio. Os resultados são do Telescópio do Horizonte de Eventos (EHT, na sigla em inglês), que nos deu nossa primeira imagem de um buraco negro há quase três anos. Também sabemos que os resultados dizem respeito à nossa Via Láctea… o que sugere que talvez estejamos prestes a ver a primeira imagem do buraco negro supermassivo no centro da nossa galáxia, Sagitário A* (Sgr A*).

Se os astrônomos conseguiram produzir uma imagem direta do horizonte de eventos de Sgr A*, será um momento histórico… Você não vai querer perder isso.

9h43: Não é apenas o fato de este buraco negro estar em nossa galáxia que tornaria este anúncio tão legal. Na verdade, é um feito incrivelmente difícil de ser realizado. Sgr A* tem cerca de 4,3 milhões de vezes a massa do Sol, com um horizonte de eventos de 25,4 milhões de quilômetros de diâmetro e está a 25.800 anos-luz de distância. Tente imaginar seria como tentar fotografar uma bola de tênis na Lua.

9h44: Os buracos negros são extremamente difíceis de visualizar na melhor das hipóteses, porque são literalmente invisíveis, absorvendo toda a radiação eletromagnética. Mas Sgr A* é ainda mais complicado de estudar porque está obscurecido por uma nuvem de poeira e gás.

Sgr A* foi um dos principais alvos da campanha de observação do EHT em abril de 2017. Se os astrônomos tiverem imaginado o horizonte do buraco negro, ele deve aparecer como uma rosquinha brilhante. Este é o disco de acreção do buraco negro, um anel de gás e poeira que emite radiação enquanto orbita Sgr A*.

10h01: É ISSO! Estamos realmente prestes a conhecer Sgr A*!

10h02: O Diretor Geral do Observatório Europeu do Sul (OES), Xavier Barcons, está nos apresentando aos procedimentos…

Já estivemos muito perto de Sgr A* muitas vezes antes, disse ele, com telescópios estudando os movimentos das estrelas ao redor do centro galáctico, permitindo-nos analisar o buraco negro supermassivo.

“No entanto, ainda estamos para ver imagens diretas deste objeto”, disse Barcons.

13h04: Barcons está falando sobre os mais de 300 cientistas internacionais, com muito mais gente na equipe de apoio e oito observatórios de rádio ao redor do mundo trabalhando em colaboração para alcançar este resultado incrível. É um lembrete oportuno do que podemos alcançar quando os países trabalham juntos, acrescentou.

10h05: Vem aí! Aqui está Huib van Langeveld Diretor de Projeto do EH com a imagem.

10h06: Vamos voar para o coração da galáxia para encontrar o nosso centro galáctico, desde as planícies do Chile onde está localizado o telescópio ALMA.

10h07: CARACA OLHA ISSO!!!

O buraco negro supermassivo no centro de SgrA*. Crédito: EHT.

10h08: Nossa, isso é incrível. Para ser claro, não podemos ver o buraco negro em si – mas está lá, naquela mancha escura no meio de um disco de material brilhante.

10h14: Sara Issaoun de Harvard está falando agora. “Nós agora”, disse ela, “pela primeira vez, temos evidências diretas de que Sgr A* é um buraco negro. A mancha escura no centro é a sombra do buraco negro; ao seu redor, redemoinhos de gás quente, aquecidos por fricção. Este gás emite radiação de rádio que podemos detectar”.

Seu tamanho é de cerca de 52 segundos de arco no céu, equivalente à imagem de uma rosquinha na Lua. Como o tamanho da sombra de um buraco negro está relacionado à sua massa, podemos usá-lo para confirmar que sua massa é cerca de 4 milhões de vezes a do Sol. Isso está exatamente de acordo com as previsões de Einstein da Relatividade Geral!

Sgr A* se parece muito com a primeira imagem de um buraco negro já obtida, a de M87*, embora os dois sejam muito diferentes e estejam em ambientes muito diferentes. Isso nos revela que, não importa o tamanho do ambiente, o espaço ao redor de um buraco negro será dominado pela gravidade.

10h17: Thomas Krichbaum do Instituto Max Planck de Radioastronomia na Alemanha está agora compartilhando os detalhes técnicos desta incrível conquista. Levou 25 anos para desenvolver e refinar as técnicas para combinar telescópios ao redor do mundo em um telescópio gigante do tamanho da Terra que pode atingir a resolução necessária para criar imagens de buracos negros.

O resultado é um interferômetro 3 milhões de vezes mais nítido que o olho humano. Para a imagem de Sgr A*, foram obtidos seis terabytes de dados – a análise desses dados levou vários anos e exigiu o desenvolvimento de novas ferramentas.