Veja esses incríveis fósseis de uma alga de um bilhão de anos

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Créditos: Tang et al., Nature Ecology & Evolution, 2020.

Traduzido e adaptado por Julio Batista
Original de Michelle Starr no ScienceAlert

Sombras estranhas que lembram veias em rochas antigas são algumas das evidências mais importantes já reunidas na linha do tempo da fotossíntese. Com um bilhão de anos, esses minúsculos fósseis mostrados na imagem são o exemplo mais antigo de alga verde já descoberto.

Mesmo após todos esses éons, os fósseis mostram evidências de características em comum com as algas modernas. Eles representam organismos multicelulares com estruturas ramificadas e até sistemas radiculares.

Os paleontólogos nomearam a alga antiga recentemente descoberta como Proterocladus antiquus, e ela supera o recordista anterior – também um Proterocladus, com 800 milhões de anos (é possível que sejam as mesmas espécies).

Essa descoberta sugere que as algas marinhas já estavam prosperando no oceano, muito antes das plantas migrarem para a terra seca.

“Toda a biosfera é amplamente dependente de plantas e algas para a alimentação e pelo oxigênio, mas as plantas terrestres não evoluíram até cerca de 450 milhões de anos atrás”, disse o paleontólogo Shuhai Xiao, pesquisador da Virginia Tech.

“Nosso estudo mostra que as algas verdes evoluíram há pelo menos 1 bilhão de anos, marcando um novo recorde para as algas verdes superando o antigo em cerca de 200 milhões de anos”.

Créditos: Tang et al., Nature Ecology & Evolution, 2020.

Os fósseis em si são minúsculos, com apenas alguns milímetros de comprimento – são manchas do tamanho de pulgas em rochas sedimentares encontradas na Formação Nanfen na Província de Liaoning, norte da China. Porém, quando estudadas sob um microscópio, suas formas delicadas e ramificadas são bastante evidentes.

Fósseis de algas mais antigos foram encontrados – uma alga vermelha chamada Bangiomorpha pubescensdatada de cerca de 1.047 bilhões de anos atrás. Também é um achado importante para a nossa compreensão da fotossíntese, mas o P. antiquus é diferente porque é verde.

Pensa-se que as plantas verdes – Viridiplantae – surgiram em algum momento entre 2,5 bilhões e 635 milhões de anos atrás. Como fósseis de plantas antigas são raros, restringir essa linha do tempo tem sido extremamente difícil. Os cientistas também não sabem quando evoluíram de organismos unicelulares para multicelulares, ou mesmo de onde surgiram.

Alguns acreditam que, assim como os animais multicelulares, as viridiplantaes surgiram no oceano como algas marinhas antes de passar para terra firme e evoluir para todas as diferentes plantas que temos hoje, desde a mais poderosa sequoia até o menor musgo.

Outros, no entanto, acreditam que rios e lagos de água doce deram à luz a essas plantas; de lá, elas se mudaram para o oceano, antes de finalmente irem parar na terra.

O P. antiquus sustenta a teoria de origem oceânica – porque é extremamente semelhante às algas marinhas existentes atualmente.

Reconstrução artística do P. antiquus. Crédito: D. Yang.

“Existem algumas algas verdes modernas que se parecem muito com os fósseis que encontramos”, disse Xiao. “Um grupo de algas verdes modernas, conhecidas como sifonocladaleanas, são particularmente semelhantes em forma e tamanho com esses fósseis”.

As estruturas de ramificação e os tamanhos minúsculos levaram a equipe a supor que P. antiquus é um tipo de sifonocladalino antigo, embora observem que não se pode descartar que o P. antiquus tenha desenvolvido uma morfologia sifonocladaleana de forma independente e agora está extinto.

No entanto, mesmo que fossem espécies distintas, suas semelhanças sugerem um ambiente em comum; isto é, o oceano. Essa descoberta, por sua vez, também pode nos ajudar a entender o ambiente oceânico há bilhões de anos.

E, é claro, nos revela um pouco mais sobre a complicada e misteriosa árvore genealógica das plantas.

“Essas algas marinhas exibem vários ramos, crescimentos verticais e células especializadas conhecidas como acinetos, que são muito comuns nesse tipo de fóssil”, disse Xiao.

“Em conjunto, essas características sugerem fortemente que o fóssil é uma alga verde com multicelularidade complexa com uma idade de 1 bilhão. Elas provavelmente representam o fóssil mais antigo das algas verdes”.

A pesquisa foi publicada na Nature Ecology & Evolution.

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