Verme marinho ‘Excalibur’ de 400 milhões de anos foi encontrado na Austrália

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O fóssil do 'verme Excalibur'. Crédito: Universidade de Missouri.

Por Brandon Specktor
Publicado na Live Science

De acordo com a antiga lenda inglesa, Excalibur é uma espada mágica empunhada pelo lendário Rei Artur – provedor dos Cavaleiros da Távola Redonda e protetor da Grã-Bretanha nos séculos V e VI. Hoje, a lenda daquela lâmina encantada continua viva… em nome de um verme pré-histórico que você poderia esmagar entre dois dedos.

Conheça Lepidocoleus caliburnus. Medindo apenas uma fração de polegada de comprimento, este antigo e assustador ser rastejante pode não atingir a estatura de seu homônimo arturiano – mas, como um novo estudo no periódico Papers in Palaeontology  aponta, ele pelo menos parecia com um cavaleiro de armadura pesada, coberto por placas sobrepostas de cristais de calcita que se estendiam ao longo de todo o comprimento do corpo da criatura.

Junto com sua espécie aparentada L. shurikenus – batizada com o nome de shuriken (uma estrela ninja pontuda ninja) e também descrita pela primeira vez no novo estudo – L. caliburnus viveu cerca de 400 milhões de anos atrás, durante o período Devoniano, no que é agora Austrália.

Ambos os vermes provavelmente viveram em recifes de corais em águas rasas que agora fazem parte do continente australiano, escreveram os autores do estudo. Eles provavelmente se alimentavam de resíduos orgânicos e usavam suas placas de blindagem para se defenderem de predadores.

Para saber o quão bem protegidas essas criaturas eram, os autores do estudo fizeram microtomografias computadorizadas dos fósseis de vermes para criar modelos 3D digitais de suas placas de blindagem.

Um modelo 3D do verme ‘Shuriken’. Crédito: Universidade de Missouri.

“Usando micro-TC, podemos virtualmente separar os componentes individuais da armadura”, disse a autora principal do estudo, Sarah Jacquet, professora assistente de ciências geológicas da Universidade de Missouri, em um comunicado. “Somos capazes de manipular os modelos virtuais para determinar como as peças individuais da armadura se movem em relação umas às outras, bem como determinar o grau de sobreposição entre elas”.

Os pesquisadores descobriram que os vermes tinham dois sistemas de armadura sobrepostos: um percorrendo o comprimento do esqueleto de cada verme e o outro cobrindo os dois lados das criaturas.

Os vermes podem ter sido capazes de se enrolar em uma bola para melhor afastar os predadores – mas, em última análise, essas defesas impressionantes não os salvaram de desaparecer em um “grande evento de extinção”, disse Jacquet.

A iminente extinção em massa no final do período Devoniano exterminou 75 por cento da vida na Terra, começando 365 milhões de anos atrás.

Não mais perdidos na história, esses dois vermes – Excalibur e Shuriken – talvez possam descansar mais facilmente agora, sabendo que histórias de suas vidas perigosas e ousadas ainda estão sendo contadas 400 milhões de anos depois. O Rei Artur tem esse mesmo paralelo.