Achamos fósseis jurássicos de uma lula comendo um crustáceo enquanto é comida por um tubarão

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Cenário possível que explica a tafonomia do belemnite. Hybodus hauffianus é conhecido por se alimentar de belemnites, embora não esteja claro se alguns indivíduos aprenderam a evitar engolir o rostro calcítico. O belemnite Passaloteuthis laevigata segura nos tentáculos os restos da exúvia do Proeryon. Crédito: Swiss Journal of Palaeontology (2021). DOI: 10.1186/s13358-021-00225-z

Por Bob Yirka
Publicado na Phys.org

Uma equipe de pesquisadores descobriu um conjunto de fósseis que está sendo descrito como um remanescente de um evento onde uma criatura estava em processo de comer outra criatura que não foi consumida. Em seu estudo publicado no Swiss Journal of Palaeontology, o grupo descreve a descoberta fossilizada e o que ela lhes ensinou sobre o comportamento entre antigos cefalópodes e predadores vertebrados.

Ao longo de muitos anos, os paleontólogos desenterraram fósseis de criaturas que se interagiram no momento de sua morte – um desses tipos de interação envolve a captura de presas por um predador. Pesquisadores anteriores chamaram fósseis de criaturas pouco antes de serem consumidas de “pabulitas” (derivado do latim para “sobras”). Neste novo esforço, os pesquisadores estudaram uma pabulita de um crustáceo antigo que estava prestes a ser consumido por uma criatura semelhante a uma lula chamada de belemnite.

Os fósseis foram descobertos por um colecionador amador que os encontrou em uma pedreira na Alemanha. Recentemente, um dos membros da equipe de pesquisa encontrou a coleção e providenciou para que o Museu Estadual de História Natural de Stuttgart comprasse os espécimes. Logo depois disso, uma equipe de pesquisa foi montada e o grupo começou a estudar a descoberta.

Ambos os espécimes ainda estavam incrustados no sedimento fossilizado – um era um belemnite, o outro um crustáceo do gênero Proeryon – tinha um corpo que lembrava uma lagosta com garras longas e finas. A belemnite estava em excelentes condições, permitindo aos pesquisadores ver que uma grande parte de seu corpo mole superior havia sido arrancada por um predador. O Proeryon, por outro lado, estava em más condições e os pesquisadores acreditam que estava em processo de ecdise. Ambos os fósseis foram datados de aproximadamente 180 milhões de anos atrás.

Após um estudo cuidadoso do posicionamento dos dois fósseis, os pesquisadores concluíram que o belemnite estava em processo de perfurar o crustáceo, ou talvez a pele que estava se desprendendo. E enquanto fazia isso, o próprio belemnite foi mordido por um predador maior – possivelmente um tubarão antigo. A mordida acabou sendo letal. o belemnite, ainda com a pele do crustáceo na boca, afundou no mar e morreu.

Tafocoenose de um Passaloteuthis bisulcata com a coroa do tentáculo preservada e restos de sua presa, SMNS 70514, início do Toarciano, Zona Tenuicostata, Subzona Semicelata, Ohmden, Alemanha. a) Foto do espécime e sua presa. b) Desenho da câmera lúcida a partir da foto a). Tradução da imagem: partes moles fosfatizadas (phosphatized soft parts); bivalve; fragmentos de rostro (rostrum fragments); rostro (rostrum); pereópodes de Proeyron (pereoiopod of Proeyron); musculatura do manto fosfatizada? (phosphatized mantle musculature?); ganchos grandes [oniquitas] (large hooks [onchytes]); esternito de crustáceo (crustacean sternite). Crédito: Swiss Journal of Palaeontology (2021). DOI: 10.1186/s13358-021-00225-z