Caçadores de fósseis encontram pássaro congelado de 46.000 anos que parece ter morrido ontem

0
2358
Este pássaro congelado de 46.000 anos foi tão bem preservado que os caçadores de fósseis o confundiram com uma criatura infeliz que 'morreu ontem' - até perceberem que haviam encontrado a primeiro espécime de pássaro da Era do Gelo de todos os tempos. Créditos: Valeri Plotnikov / Kennedy News.

Publicado no The Telegraph

Um grupo de caçadores de fósseis na Sibéria descobriu um pássaro de 46.000 anos tão bem preservado pelo gelo que inicialmente pensou-se que o animal havia morrido no dia anterior.

O “pássaro do gelo”, também o primeiro pássaro encontrado da Era do Gelo, foi identificado como uma cotovia com chifres (Eremophila alpestris) que vivia entre rinocerontes, mamutes e leões das cavernas.

Love Dalén, professor de genética evolutiva do Museu Sueco de História Natural, encontrou a criatura em uma expedição com caçadores locais de fósseis marfinizados dentro de um túnel de gelo na Sibéria.

Ele disse que a criatura parecia “ter morrido ontem” e estava muito bem preservada, provavelmente porque deve ter congelado “relativamente rápido” sem chance de se decompor.

Nicolas Dussex, principal autor do artigo sobre o pássaro – um ancestral das subespécies modernas de cotovia da Rússia e da Mongólia – disse: “É uma coisa doida trabalhar com o primeiro pássaro congelado já descoberto da última Era do Gelo”.

“O interessante é que poderíamos obter DNA suficiente dessa espécime antiga para fazer análises muito mais interessantes”.

A descoberta “abre uma nova janela” que permite aos pesquisadores voltar mais no tempo do que antes pensava-se ser possível, disse ele. “Parece meio surreal trabalhar nisso, porque estamos trabalhando em nosso laboratório com coisas que têm alguns milhares ou centenas de anos”, disse Dussex.

“Costumava pensar que o limite de idade de nossos objetos de estudo seria de dez a 15 mil anos, já que depois disso fica muito difícil obter dados autênticos”.

Ele disse que obter o genoma do pássaro pode melhorar a compreensão sobre a evolução ou o impacto das mudanças climáticas durante esse período.

“Qual será o próximo pássaro que vamos encontrar? Poderíamos encontrar uma águia ou algo extinto que não sabíamos que existia?”, disse ainda.