Como a cloroquina afeta o coração?

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O coração tem quatro cavidades, dois átrios e dois ventrículos, que se contraem em sincronia. O sangue chega ao coração pelos átrios e é bombeado ao restante do corpo pelos ventrículos.

O processo de movimentação das câmaras acontece por meio de processos chamados de polariação, despolarização e repolarização. A polarização representa a célula muscular em repouso, a despolarização, a contração, e a repolarização, a recuperação da célula para uma nova contração.

Toda essa fisiologia acontece por meio da movimentação de cargas, o que gera uma corrente elétrica, medida pelo eletrocardiograma (ECG). Esse exame, basicamente, tem 5 ondas: P, Q, R, S e T. A P representa a contração atrial, as Q, R e S, a ventricular e a T, a repolarização ventricular. A repolarização atrial ocorre no momento das ondas Q, R e S, motivo pelo qual não é visível no ECG.

Fonte: Wikimedia.

Entre as ondas Q e T, há um intervalo chamado de QT, que indica toda a atividade ventricular. Esse intervalo precisa ser pequeno, pois qualquer interferência elétrica poderá gerar um desbalanço no coração, causando uma arritmia. Drogas como cloroquina, hidroxicloroquina, haldol e eritromicina podem aumentar esse intervalo, portanto, aumentam a probabilidade de interferência elétrica, logo, de arritmia, especialmente, a chamada taquicardia ventricular Torsade de Pointes.

Esse tipo de alteração é potencialmente fatal, portanto, o uso dessas drogas deve ser bem orientado de um ponto de vista médico e científico. É um ponto a se considerar ao adotar protocolos utilizando cloroquina ou hidroxicloroquina durante esta pandemia.

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