Como saber se um planeta é habitável?

Impressão artística mostra a possível aparência do planeta Kepler-452b, o primeiro mundo que tem quase o tamanho da Terra encontrado na zona habitável de uma estrela semelhante ao nosso sol.Créditos: NASA/JPL-Caltech/T. Pyle.

Por Lucina Melesio
Publicado na Scientific American

A NASA anunciou, na quinta-feira passada, que sua missão Kepler tinha encontrado um planeta com a sua respectiva estrela – Kepler-452b -, sendo, até agora, o mais parecido com a Terra e o nosso Sol. A agência espacial, também, informou ter encontrado outros 11 planetas candidatos que também se encontram na zona habitável. Mas, como os cientistas determinam a “habitabilidade” de um novo planeta?

Abel Méndez, diretor do Laboratório de Habitabilidade Planetária da Universidade de Porto Rico, em Arecibo, é a pessoa indicada para responder essa pergunta. Ele é um dos criadores do Índice de Similaridade com a Terra (ESI, sigla em inglês), algoritmo matemático que atribui um número para os planetas com base em certos parâmetros físicos, como o raio do planeta, sua densidade, a velocidade que um corpo precisa para escapar da gravidade do planeta e a temperatura de sua superfície, para determinar o quanto se parece com a Terra.

O índice pode assumir valores entre 0 e 1, em que 0 é diferente e 1 é o gêmeo idêntico à Terra. Assim, por exemplo, Urano e Netuno têm um ESI em cerca de 0,2 – muito pouco parecidos -, enquanto que Vênus tem cerca de 0,5 e Marte tem 0,7. Para considerar “habitável” ou similar à Terra, os planetas devem ter qualificações acima de 0,8. O Kepler-452b tem um ESI de 0,83.

“O que sabemos é que [esse novo planeta] se parece com a Terra, de acordo com a pouca informação que temos”, disse Méndez a Scientific American. “Se tivesse cerca de 0,95; eu estaria quase comemorando!”, acrescenta Méndez.

Apesar de sabermos que Kepler-452b está a cerca de 1400 anos-luz de distância de nós, orbita uma estrela do tipo G – do tipo que sua temperatura seja semelhante ao nosso Sol -, seu ano dura 385 dias, o seu raio é 60% maior do que a Terra e recebe 10% a mais de luz que a Terra recebe do Sol, ainda faltam mais dados para completar a fórmula.

Para saber se um planeta é habitável, é necessário conhecer a composição de sua atmosfera, se sua superfície é rochosa e possui uma quantidade apropriada de água, entre outras características.

Telescópios como o Kepler não podem fazer observações que permitam determinar essas qualidades nos exoplanetas. De fato, para calcular o ESI para esses planetas fora do nosso Sistema Solar, Méndez utiliza uma versão simplificada do índice que inclui apenas o seu raio e a quantidade de luz que o planeta recebe de sua estrela.

“Nós vamos ficar com essa dúvida [se ele é realmente habitável] para sempre, porque ele está muito longe”, disse Méndez. “Mas, ainda assim, é encorajador encontrar um planeta parecido que também orbita uma estrela semelhante ao Sol”, completa.

Um “gêmeo” de nosso Sol

O catálogo ESI de exoplanetas, que inclui 31 mundos fora do Sistema Solar, integra cinco planetas que se classificam melhor do que Kepler-452b – como o Kepler-438b que lidera a lista com um ESI de 0,88. No entanto, é a estrela desse planeta recém-descoberto que o torna realmente especial.

“O que mais gostei em Kepler-452b é que ele está orbitando em torno de uma estrela parecida com o Sol”, disse Méndez, explicando que a relevância disso é que é bem provável que o planeta tenha evoluído de uma forma semelhante à Terra, uma vez que os outros planetas com maior ESI orbitam estrelas anãs vermelhas – e o índice ESI não leva em conta o tipo de estrela para o cálculo.

Isso é importante, pois, mesmo se a quantidade de luz que recebem os planetas pudessem ser as mesmas que a da Terra, o fato de suas estrelas serem distintas afetaria a evolução e a estabilidade dos planetas. “As anãs vermelhas emitem muitas explosões solares no início, e isso poderia causar o esgotamento da água”, disse o especialista. Outra possibilidade com esse tipo de estrelas é devido à distância que as separa, o planeta poderia sempre dar a mesma cara, então haveria sempre um lado escuro e um iluminado nesses mundos, acrescentou.

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Douglas Rodrigues Aguiar de Oliveira
Fundador do projeto de divulgação científica e filosófica Universo Racionalista. Pós-graduação em Ethical Hacking e Cybersecurity do Centro de Inovação VincIT (UNICIV) pela Faculdade Eficaz. Pós-graduação em andamento em Filosofia pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS). Especialização em Epidemiology in Public Health Practice pela Johns Hopkins University (Coursera Specialization). Especialização em Fundamentals of Computing Network Security pela University of Colorado System (Coursera Specialization). Especialização em Journey of the Universe: A Story for Our Times pela Yale University (Coursera Specialization). Especialização em andamento em Computational Social Science pela University of California, Davis (Coursera Specialization). Graduação em Tecnologia em Redes de Computadores pela Universidade de Franca (UNIFRAN). Graduação em andamento em Tecnologia em Radiologia pela Universidade Nove de Julho (UNINOVE). Editor-chefe do Instituto Ética, Racionalidade e Futuro da Humanidade. Colaborador da revista cética argentina Pensar, uma publicação da organização internacional Center for Inquiry. Endereço do Currículo Lattes e do Catarse.