Em defesa do cientificismo

Marquês de Condorcet não meramente elogiou o cientificismo: ele o praticou por meio da fundação da ciência política matemática.

Mario Bunge

Tradução de Douglas Rodrigues Aguiar de Oliveira
O artigo foi publicado na revista Free Inquiry (vol. 35, 2014) e aparece nas obras Doing Science: In The Light of Philosophy (2016) e Elogio del Cientificismo (2017).

Por “cientificismo” refiro-me à tese de que todos os problemas cognitivos são melhores resolvidos adotando uma abordagem científica, também chamada de “método científico”, “espírito da ciência” e “atitude científica”. Embora a maioria dos filósofos contemporâneos rejeite o cientificismo, é provável que todos os cientistas o pratiquem, mesmo aqueles que nunca se depararam com a palavra. Este artigo oferece uma defesa de um tipo particular de cientificismo: a visão de que a ciência é o tipo mais verdadeiro e profundo de conhecimento da natureza e da sociedade.

Cientificismo, anticientificismo e semicientificismo

O conjunto de pessoas que escreve sobre ciência pode ser dividido em três grupos: cientificista, anticientificista e semicientificista. Por exemplo, o polímata Nicolas Condorcet, o psicólogo e sociólogo Jean Piaget e o sociólogo Robert K. Merton pertencem ao primeiro grupo, enquanto Hegel, Nietzsche e Heidegger pertencem ao segundo. Finalmente, o grupo de pensadores semicientificistas inclui Kant, Marx e os positivistas lógicos. Todos esses últimos pensadores elogiaram a ciência, em particular sua racionalidade e sua universalidade, mas se mantiveram apegados a dogmas anticientíficos: o fenomenalismo nos casos de Kant e dos positivistas lógicos, e a dialética hermética de Hegel no caso de Marx.

A palavra cientificismo foi popularizada pelo embriologista Félix le Dantec por volta de 1912. Em 1939, ela havia recebido uma definição clara no clássico Vocabulaire de André Lalande. No entanto, o conceito surgira muito antes pela ala radical do Iluminismo francês. E tanto a palavra quanto o conceito ocorreram em outros contextos — particularmente na propaganda religiosa, onde foi usado pejorativamente.

Em um artigo de 2013, Peter Schöttler relatou que, na virada do século XX, as palavras “ciência” e “cientificismo” eram geralmente acompanhadas pelos seguintes epítetos na relevante Literatura Francesa: abstrato, antirreligioso, falido, frio, dogmático, exagerado, falso, bruto, pesado, laico, materialista, limitado, pedante, positivista, pretensioso, racionalista, socialista, estúpido e vulgar — assim como durkheimiano e alemão. Um estudo contemporâneo talvez produzisse resultado semelhante: após um século, a ciência e o cientificismo continuam sendo dois dos bêtes noires dos obscurantistas.

O cientificismo é amiúde comparado ao positivismo, em particular ao de Comte. Embora seja verdade que Comte afirmou que a sociologia (uma palavra que ele cunhou) poderia ser científica, ele não contribuiu para com isso. Tampouco apreciou os ensaios de Condorcet em ciências sociais matemáticas. Além disso, Comte acreditava que a sociologia e a biologia deveriam testar suas hipóteses por comparação em vez de experimentação. Pior ainda, em consonância com o fenomenalismo de Hume e Kant, Comte (e mais tarde Ernst Mach) condenou toda conversa sobre átomos, o interior de estrelas, intenções e outros itens que não aparecem aos sentidos humanos por meio de aparências externas. Nesta visão, tudo o que existe (ou, pelo menos, tudo o que pode ser conhecido) é o que aparece (para alguém). (Por esse motivo, o erudito Émile Meyerson não perdeu a oportunidade de criticar Comte.) Mesmo assim, até recentemente, o positivismo era mantido vivo por psicólogos comportamentalistas como B. F. Skinner, que estudavam comportamentos sozinhos porque motivos, intenções e experiência subjetiva eram considerados incognoscíveis. Muitos físicos nucleares também criticaram esse conceito ingênuo — mesmo enquanto eles se dedicavam à exploração de coisas imperceptíveis.

Friedrich Hayek — que, de acordo com a tradição austríaca, não gostava do Iluminismo francês — ignorou as definições clássicas de cientificismo. Em seu lugar, ele ofereceu sua própria definição idiossincrática: para ele, o cientificismo seria “a tentativa de imitar as ciências naturais” em questões sociais. Esse conceito enviesado de cientificismo é o que prevaleceu nas ciências humanas, particularmente desde a contrarrevolução pós-moderna que começou por volta de 1950 e recrutou aqueles que foram deixados para trás pelo rápido progresso da ciência, bem como aqueles que culparam a ciência pelos pecados do sistema. Para entender essa mudança radical na avaliação do cientificismo, devemos examinar o histórico de seus antecedentes, bem como a reação que provocou.

Cientificismo iluminista

Juntamente com o secularismo, igualitarismo, humanismo e materialismo, o cientificismo era um componente das visões populares entre os membros da ala radical do Iluminismo francês, incluindo Denis Diderot; Claude Adrien Helvétius; Thiry d’Holbach; Julien Offray de La Mettrie; Anacharsis Cloots; Condorcet; Honoré Gabriel Riqueti; conde de Mirabeau; e Sylvain Maréchal. Essa vertente estava em desacordo com a ala moderada do mesmo vasto movimento (incluindo Jean-Baptiste le Rond d’Alembert, Montesquieu, Jean-Jacques Rousseau, Anne-Robert-Jacques Turgot e Voltaire) e com o Iluminismo escocês muito menor e mais pálido, incorporado por David Hume, Adam Smith e Francis Hutcheson. (Jonathan Isarel descreveu com eloquência as vastas diferenças entre as duas alas francesas.)

Enquanto os radicais franceses acima mencionados eram revolucionários, tanto filosoficamente quanto politicamente — embora do tipo poltrona — os voltairianos e os escoceses eram reformistas. Em particular, eles não compartilhavam o ateísmo nem o republicanismo dos radicais franceses. Tampouco aprovaram o manifesto científico contido no discurso de recepção de Condorcet na Academia Francesa de 1782. Condorcet declarou neste manifesto a sua confiança de que as “ciências morais [sociais]” acabariam “por seguir os mesmos métodos e adquirir uma linguagem igualmente exata e precisa” e “por atingir o mesmo grau de certeza” das ciências físicas (naturais). Condorcet não meramente elogiou o cientificismo: ele o praticou por meio da fundação da ciência política matemática. (Vale a pena notar que alunos desta disciplina ainda discutem a teoria do voto de Condorcet.)

O cientificismo de Condorcet não envolveu o tipo de reducionismo ontológico que vimos exemplificado nos últimos anos pela sociobiologia, pela psicologia evolutiva, pela neuroeconomia e pelo o resto do puramente programático “neuroestardalhaço”. Ao contrário de Condorcet, esses projetos modernos ignoram o fato de esculpirmos o cérebro à medida que aprendemos e de que todas as normais sociais são criadas, não encontradas. É claro que a mente e a sociedade devem ser estudadas cientificamente — mas não como se fossem apenas naturais e físicas como, digamos, corações.

Na mesma palestra, Condorcet observou que, nas ciências “morais” (sociais), “o próprio observador forma parte da sociedade que observa”. Portanto, presumivelmente, ele teria acolhido o chamado teorema de Thomas, de acordo com o qual, em questões sociais, a aparência é a realidade, pois as pessoas reagem não a estímulos externos, mas à maneira como os “percebem”. Portanto, o cientificismo de Condorcet não era naturalista: ele sabia que as máquinas e os sistemas sociais, embora materiais e não espirituais, eram artificiais ou feitas pelo homem e, em razão disso, tão antinaturais quanto a ciência, a ética e a lei. (Note que eu distingo o naturalismo do materialismo. Enquanto o naturalismo sustenta que todos os existentes são naturais, o materialismo inclui, na realidade, coisas e processos artificiais, da construção à computação e à administração. Assim, enquanto o naturalismo, estritamente definido, é reducionista, o materialismo pode abrir espaço para a emergência e, por conseguinte, para visões de mundo “hierárquicas” [multiníveis].)

Concepções semelhantes foram apresentadas pelos companheiros filosóficos de Condorcet, em particular Holbach, que tratou os dois ramos da ciência fática em dois volumes diferentes: Système de la nature (1770) e Système social (1773). Esse cientificismo era metodológico, não ontológico, e é errado, em razão disso, chamá-lo de “naturalismo metodológico”, como Karl Popper fez em 1960. (Aliás, o Iluminismo francês era um ponto cego particular do de Popper, tal como tendia a ser para toda a tradição cultural austríaca à qual Popper pertencia. A Áustria, afinal, havia perdido o Renascimento, a Reforma, a Revolução Científica e o Iluminismo; apenas no século XIX, ela saltou da Idade Média para sua própria Revolução Industrial e para um “Iluminismo tardio” marcado por figuras como Bernard Bolzano, Gregor Mendel, Mach e Ludwig Boltzmann.)

O Círculo de Viena, que operou de 1929 a 1936, adotou todos os princípios da ala radical do Iluminismo francês, exceto o materialismo: permaneceu acorrentado ao fenomenalismo de Hume, Kant, Comte e Mach. Além disso, com exceção de Otto Neurath, os membros do Círculo eram indiferentes às ciências sociais, o que, de um modo geral, pelo menos adulava à tradição científica do Iluminismo.

Enquanto isso, os teóricos da economia padrão [standard economics] — em particular Carl Menger, Frank Byron Jevons, Léon Wlaras e Alfred Marshall — praticaram o cientificismo no sentido pejorativo da palavra: seu cientificismo é melhor descrito como “ciência falsa”. Eles produziram um corpo volumoso de trabalho — a saber, microeconomia neoclássica — repleta de símbolos que intimidavam não matemáticos, mas não eram matematicamente bem definidos ou apoiados empiricamente. Em particular, os membros dessa escola não sujeitaram suas hipóteses a testes empíricos, como Daniel Kahneman e o grupo de economistas experimentais de Zurique vêm fazendo nos últimos anos — infelizmente, com maus resultados para a ortodoxia econômica.

ContraIluminismo e Anticientificismo

O filósofo alemão Wilhelm Dilthey (1833-1911) escreveu um manifesto anticientificismo em 1883 que provou ser influente ao extremo. Fortemente influenciado por Kant e por Hegel, o trabalho de Dilthey tinha um componente ontológico e um metodológico. O primeiro consistia na tese de que tudo o que é social é geistig (espiritual, moral) e não material. Seu parceiro metodológico é óbvio: os estudos sociais são Geisteswissenschaften (ciências espirituais), portanto, merecem um método próprio. Dilthey apelidou esse método de Verstehen — compreensão ou interpretação — em oposição à explicação com base em mecanismos e em leis.

De acordo com Dilthey, Verstehen consiste no “entendimento” por intuição ou por empatia dos processos mentais de um ator. O raciocínio tácito subjacente à visão de Dilthey é o seguinte: de acordo com a opinião vulgar, a história é obra de grandes homens — principalmente homens fortes e gênios. Portanto, é preciso simpatizar com eles ou colocar-se no lugar deles, caso se queira entender os eventos. Segundo Dilthey, Verstehen consiste em empatia ou em sentimento de companheirismo (mit-gefühl); Max Weber utilizou o mesmo termo com uma ênfase ligeiramente diferente, definindo Verstehen como intenções de adivinhação ou de metas.

Dada essa visão, é compreensível que Dilthey tenha argumentado pela necessidade de fazer estudos verstehende (interpretativos) ou “humanistas” — em vez de científicos — do social. É claro que nem Dilthey nem seus seguidores suspeitaram de que o problema de “inferir” (na verdade, adivinhar) estados mentais a partir do comportamento observado é um problema inverso e, como tal, um para o qual nenhum algoritmo está disponível, de modo que qualquer solução proposta para ele é especulativa, como observei no meu livro de 2006, Caçando a Realidade: A Luta Pelo Realismo. Basta pensar nas várias maneiras pelas quais uma piscada de olhos ou uma revolta nas ruas pode ser “interpretada”!

Supõe-se em geral que Weber era o mais famoso dos praticantes da “sociologia interpretativa”, refletindo o subtítulo de sua obra-prima de 1921, Economia e Sociedade: Fundamentos da Sociologia Compreensiva. Em outros lugares, Weber se identificou explicitamente como seguidor de Dilthey. Mas, pelo menos, desde sua admirável defesa do objetivismo ou realismo (1904), Weber tentou praticar o método científico. Em um artigo de 1907, ele submeteu o idealismo histórico a um ataque devastador; em 1924, ele chegou a propor uma explicação materialista do declínio da Roma antiga.

Em suma, Weber iniciou sua carreira sociológica como um oponente do cientificismo, apenas para se tornar um praticante ocasional, ainda que inconsistente, deste. Por outro lado, seu rival, Émile Durkheim, foi durante toda a vida um defensor notório — e praticante consistente — do cientificismo. Como tal, ele seria o objeto de grande parte da dura retórica anticientífica de seu tempo.

Mas voltando a Wilhelm Dilthey e a longa e estranha vida após a morte de suas ideias. A hermenêutica, ou textualismo, emergiu das teses de Dilthey de que (1) tudo que é social é espiritual ou cultural e (2) de que o centro da vida social é a produção e a circulação de símbolos, que devem ser interpretados da mesma maneira que os teólogos interpretam escrituras enigmáticas. É por isso que seus principais seguidores — Claude Lévi-Strauss, Paul Ricoeur e Charles Taylor — sustentaram que as sociedades são “linguagens ou linguagens semelhantes”. Destarte, o estudo da sociedade deve se concentrar no simbólico e ter como objetivo captar “significados”, quaisquer que sejam. (No alemão coloquial, Deutung [interpretação] pode denotar sentido ou intenção — uma polissemia que facilita pular da meta de um agente para o significado de suas expressões e ações. Da mesma forma, obscurantista é a invocação ritual de Franz Brentano da fama da “intencionalidade”, apenas porque ele confundiu “referência” ou “atinência” com “intensão” [ou sentido, ou conotação] e “intenção” em seu sentido psicológico.)

Mas, é claro, se alguém se concentra nas palavras, e não nas necessidades básicas nem nos interesses investidos, nunca conseguirá entender por que as pessoas trabalham, cooperam ou lutam. Não é de admirar que a hermenêutica não tenha nada a dizer sobre as principais questões sociais de nosso tempo, desde as guerras do petróleo ao desaparecimento de empregos, da China até o declínio dos impérios.

Pior, a hermenêutica desviou a atenção dos estudantes do social de ações para palavras — por exemplo, da política para a narrativa política. Em razão desse tipo de desvio, a hermenêutica tem sido um ingrediente importante do movimento obscurantista conhecido como “pós-modernismo” — bastante criticado pelo palavreado pomposo e vazio por Paul R. Gross e Norman Levitt em seu magistral Higher Superstition: The Academic Left and Its Quarrels with Science (1994). Por outro lado, uma ciência social que é científica no sentido que eu defendo — focada em grupos em vez de indivíduos e armada de estatísticas em vez de metáforas literárias — deve ter muito a dizer sobre esses enormes eventos sociais. Como Hans Albert observou em 1988, a hermenêutica é puro escapismo livresco e, como tal, totalmente inútil para os cientistas sociais.

A guerra contra a ciência

O cientificismo pressupõe a concepção estrita da ciência que Robert K. Merton, o pai da sociologia da ciência, propôs em seu artigo clássico “Science and the Social Order” (1938). Merton argumentou que as peculiaridades da ciência básica são o desinteresse, a universalidade, o comunismo epistêmico e o ceticismo organizado — não a dúvida do pesquisador isolado, mas o escrutínio crítico de uma comunidade inteira.

A visão de Merton da ciência prevaleceu até que Thomas Kuhn e Paul Feyerabend lançaram a sua fórmula “tudo vale!”. Michael Foucault e seus seguidores (em particular, Bruno Latour) publicaram sua própria tese: “Ciência é política por outros meios”.

Ambos os grupos obscurantistas evitaram utilizar palavras como conhecimento e verdade. Eles negaram que a pesquisa científica fosse principalmente a busca da verdade objetiva, alegando, em vez disso, que buscava riquezas ou poder. Eles também negaram que as controvérsias científicas, embora algumas vezes distorcidas pela autoridade política, são resolvidas pela própria ciência. Na realidade, é claro, a verdade vence mais cedo ou mais tarde. Quando isso não acontece, a pesquisa científica é interrompida. É por isso que aqueles que desejam ganhar poder entram na política ou nos negócios, não na ciência. Mas verdades óbvias como essas não têm lugar nos mundos de fantasia dos pós-modernos.

As ideias de que a ciência é apenas a serva do poder político e de que os cientistas trabalham principalmente para alcançar o poder são absurdas. Por um lado, os cientistas são motivados pela curiosidade, como disse Aristóteles, e pelo reconhecimento dos colegas, como acrescentou Merton. Mas eles geralmente evitam assumir posições de poder porque podem destruir suas agendas científicas. Segundo, a ciência tende a capacitar outras pessoas além dos cientistas: tecnólogos, gestores, estadistas e outros. Terceiro, a elite do poder pode nutrir ou desnutrir a ciência, mas não pode produzi-la, pois as ideias científicas nascem de cérebros bem treinados, que trabalham em ambientes favoráveis, e não em escritórios estatais. Em resumo, a principal direção do fluxo entre as duas atividades em questão é ciência → poder, não o contrário.

No entanto, em raras ocasiões, a política lutou contra a ciência e até a dominou. Basta lembrar o ataque dos primeiros cristãos à cultura pagã, em particular à ciência grega; a política radical dos jacobinos, apoiada pela adoção da exaltação de Rousseau pelo excesso de “sentimento”; a bem-sucedida penalização nazista do cientificismo, que proibiu a pesquisa social e rejeitou teorias abstratas com base no fato de [cientistas] serem judeus; a tentativa stalinista de passar sua ideologia desatualizada e distorcida como cientificismo, enquanto rejeitava as novidades científicas como genética, teoria sintética da evolução, relatividade geral e especial, física quântica e sociologia; e a contracultura juvenil, que entrou em erupção violentamente na revolta estudantil parisiense em maio de 1968, combinando o hedonismo com a rejeição do status quo e, em particular, o método científico.

Finalmente, as pretensas guerrilhas científicas, que ocorreram desde que Kuhn publicou The Structure of Scientific Revolutions em 1962, envolveram um grande número de cientistas, jornalistas e ideólogos na direita tradicional e na nova esquerda. Lamentavelmente, a maioria dos filósofos manteve-se em segurança acima dessa briga filosófica, e quase nenhum periódico acadêmico publicou artigos que defendiam a ciência e o cientificismo. Que contraste com a guerra científica anterior que culminou no julgamento de Galileu ou com a luta travada pelos pensadores do Iluminismo e darwinistas contra as ideias dominantes de seus respectivos tempos!

Testando o anticientificismo

Como foi a abordagem interpretativa ou humanista? Vamos avaliar as controvérsias fundamentais do movimento anticientificismo, da Verstehen de Dilthey à hermenêutica de meados do século XX.

1. A suposta dicotomia natural/cultural estava natimorta. De fato, mesmo quando Dilthey proclamou essa dicotomia em 1883, várias ciências híbridas já haviam surgido, notadamente a geografia humana, a psicofísica, a epidemiologia e a demografia. Pouco tempo depois, surgiram ainda mais outras ciências híbridas, como a sociologia médica, a psicologia fisiológica, a neurociência cognitiva do desenvolvimento, a neurociência cognitiva social e a socioeconomia.

Por exemplo, explicar processos de baixo para cima como Puberdade → Sentimentos alterados → Comportamentos sociais alterados e de cima para baixo como Subordinação → Nível mais alto de corticoide → Mais baixa imunidade exigem a fusão da neurociência, neurociência cognitiva e sociologia (ver figura 1).

Figura 1. A fusão de uma ciência biológica, uma biossocial e uma social — uma clara quebra da divisão natural/cultural decretada pelo anticientificismo.

Os exemplos anteriores devem refutar a acusação de que o cientificismo envolve reducionismo, como no fisicalismo ou no biologismo. Pelo contrário, quando acompanhado por uma ontologia orientada para a ciência como a do autor (veja meu The Furniture of the World and A World of Systems), o cientificismo favorece a fusão ou convergência de diferentes disciplinas, em vez de um nivelamento simplista. (Argumentei isso meu Emergence and Convergence.) A razão é que uma visão de mundo científica é sistêmica, em vez de individualista ou holística, uma clara sugestão de que as fronteiras entre as disciplinas são parcialmente artificiais. De qualquer forma, o surgimento das ciências biossociais mostra que a parede natureza/cultura erguida pela escola interpretativa ou humanista impede o avanço da ciência.

2. O método Verstehen se mostrou infrutífero. De fato, nenhum estudante interpretativo (ou humanista) da sociedade jamais apresentou conjecturas verdadeiras sobre nenhum processo econômico, político ou cultural importante, como o surgimento e a corrupção da democracia. Max Weber, o membro mais eminente da escola, perdeu o maior dos eventos marcantes da época: a ascensão da democracia, o sindicalismo, o colonialismo, as corporações, a ciência e a tecnologia — junto com o declínio da religião. (Afinal, ele era o pai da sociologia da religião, não da ciência.) Atualmente, os escritos de membros dessa escola são publicados apenas em periódicos marginais.

No entanto, alguns estudantes da sociedade no campo humanista produziram algum trabalho perspicaz. Basta lembrar os brilhantes ensaios de Norberto Bobbio, Albert O. Hirschman e Thorstein Veblen. Por outro lado, Bronislaw Malinowksy, Margaret Mead, Clifford Geertz e Napoléon Chagnon escreveram descrições altamente legíveis, embora muito disputadas, de certas práticas exóticas. No entanto, suas conclusões foram criticadas, e nenhum desses escritores estava particularmente interessado na vida cotidiana, além do sexo: seus assuntos pareciam subsistir no ar. (Veja Artifacts and Ideas [2003] de Bruce G. Trigger para obter um contrapeso explicitamente realista e materialista.)

Para ver os estudos sociais modernos da melhor maneira possível, é preciso olhar para o trabalho de antropólogos, arqueólogos, sociólogos e historiadores de persuasão científica. Exemplos incluem a escola de Annales, o monumental e influente American Dilemma de Gunnar Myrdal, o inventário de peças arqueológicas feitas antes de serem afogadas pela Aswan High Dam (Represa de Assuã) e o estudo maciço The American Soldier. A publicação deste último trabalho, em 1949, provocou a ira da escola humanista, mas também marcou o início da era científica da sociologia americana, com Robert Merton à frente e a American Sociological Review como seu carro-chefe.

Por que o anticientificismo malogrou? Indiscutivelmente, malogrou porque condenou o método científico, que caracterizou todos os empreendimentos científicos desde a revolução científica. Além disso, ao enfrentar novos problemas cognitivos, todo pesquisador contemporâneo presume o cientificismo, como será discutido abaixo.

A matriz filosófica de pesquisa científica

Muitos filósofos presumem que ciência e filosofia não se cruzam: que os cientistas partem de dados ou hipóteses com as quais lidam sem preconcepções filosóficas. Uma olhada na história da ciência deve ser suficiente para indicar que essa tese é um mito. Um exame rápido de alguns problemas em aberto corroborará esse veredicto severo.

Imaginemos de que modo um cientista lidaria com um problema em aberto tal como: (a) se “matéria escura” e “energia escura” desafiam todas as leis físicas conhecidas; (b) quais, se houver, características adquiridas são herdáveis; (c) se alguns animais podem estar em estados conscientes; (d) como gerenciar sistemas sociais, como empresas de negócios e exércitos, de uma forma racional; e (e) se a lei e os tribunais podem e devem utilizar evidências científicas em conjunto com os métodos e os procedimentos tradicionais.

Será que o nosso cientista hipotético se recusaria a investigar esses problemas ao se juntar a Chomsky e seus novos colegas “misterianistas” (céticos radicais) ao sustentar que a matéria e a mente são misteriosas e assim permanecerão para sempre? Acaso ele ou ela começaria pelo meio ou em vez de começar pela revisão do conhecimento relevante? Ele ou ela fantasiaria sobre eventos anômalos, poderes anormais ou mesmo sobrenaturais, ou deixaria de lado as fantasias espiritualistas? Ele ou ela permaneceria satisfeito com a compilação de listas de aparências, de sintomas ou de conjecturas de possíveis padrões e de seus mecanismos subjacentes? Ele ou ela permaneceria satisfeito com palpites ou procuraria uma confirmação empírica? Ele ou ela restringiria a atenção ao objeto de sua pesquisa ou o colocaria em seu contexto ou sistema mais amplo? Por fim, ele ou ela descartaria de imediato todas as preocupações sobre o possível efeito prejudicial de quaisquer resultados subsequentes?

Reconhecidamente, todas as perguntas anteriores são complexas. Mas esse é o objetivo do nosso exercício: sugerir que cientistas genuínos não investiguem o primeiro palpite que vem à mente, nem questionem todo o conhecimento antecedente. Vejamos de que modo um estudante pró-cientificismo provavelmente lidaria com os cinco problemas listados acima.

1. A “matéria escura” é anômala ou é apenas uma matéria pouco conhecida? A única maneira de descobrir se existe e, caso exista, o que é, é utilizando ferramentas teóricas e experimentais conhecidas para coletar amostras e tentar detectar algumas de suas propriedades. No momento da redação deste artigo, essa é uma pergunta “quente”, e há um consenso crescente de que a matéria escura é um amontoado de detritos deixados pelos raios cósmicos ao atravessar a matéria comum, em vez de minúsculos buracos negros, como havia sido conjecturado anteriormente. Fique ligado.

2. Lamarck estava certo, afinal? Nos últimos anos, a genética e a biologia evolutiva foram enriquecidas com a epigenética, o mais novo ramo da genética. Isso mostrou conclusivamente que algumas experiências, como a nutrição materna (ou negligência), causam a metilação das moléculas de DNA, alteração química hereditária. No entanto, essa descoberta não justificou Lamarck: apenas mostrou que o mecanismo darwiniano (variação-seleção) vem em mais de uma versão.

3. Os animais podem estar em estados conscientes? A literatura popular, começando com Aesop, está cheia de história sobre a consciência em animais de várias espécies. Mas as anedotas não são dados científicos concretos. Alguns dos melhores dados foram obtidos recentemente efetuando inativações talâmicas e corticais reversíveis — intervenções delicadas que estão além do conhecimento dos psicólogos “humanista”. Acontece que há evidências crescentes da hipótese de que animais de várias espécies podem ser conscientes.

4. Os sistemas sociais podem ser gerenciados cientificamente? A pesquisa operacional, a fase mais sofisticada da ciência da administração, nasceu durante a noite a partir do trabalho de uma equipe multidisciplinar reunida no Almirantado Britânico no início da II Guerra Mundial para enfrentar as grandes perdas que os submarinos alemães estavam infligindo à marinha mercante ao transportar alimentos e munições para a Inglaterra. O problema era determinar o tamanho ideal de um comboio naval. O modelo matemático construído pela equipe, liderada pelo físico Patrick Blackett, mostrou que razoável tamanho ideal era o médio: grande o suficiente para justificar a cobertura aérea, mas não grande o suficiente para convidar uma grande concentração de submarinos inimigos — um resultado que deve ter decepcionado os economistas que adoravam maximizar. A marinha aceitou esse resultado — obtido pelos que não estavam familiarizados com estratégia militar, mas estavam com a ciência e a matemática — e as perdas navais diminuíram significativamente. Esse resultado incentivou os especialistas em negócios a construírem modelos matemáticos para problemas semelhantes, como encontrar o tamanho ideal dos inventários. Assim, o cientificismo marcou outra vitória sobre o partido tradicional ou humanista, pela primeira vez no campo da sociotecnologia.

5. A lei pode se tornar científica? Nos últimos anos, a criminologia e a jurisprudência, bem como sua prática nos tribunais, se beneficiaram da biologia, psicologia e sociologia. De fato, o teste de DNA agora é admissível nos tribunais, a justiça criminal juvenil muda lentamente para melhor à medida que aprendemos que o córtex frontal adolescente ainda não está totalmente maduro, e o direito criminal como um todo muda à medida que as causas sociais do crime são reveladas e as técnicas de reabilitação são aperfeiçoadas. Tudo isso são realizações do cientificismo.

De fato, todos os cinco problemas estão sendo investigados atualmente no pressuposto científico de que o método científico é o caminho real para a verdade objetiva e a eficiência em todo campo científico ou tecnológico. Além disso, em todos os cinco casos, pressupõe-se mais do que o cientificismo: realismo, materialismo, sistemismo e humanismo também estão pressupostos, como observei em 2012 no meu livro Evaluating Philosophies. Por exemplo, o estudo da consciência animal assume (a) a hipótese realista de que os processos nos animais experimentais são reais, em vez de invenções da imaginação do experimentador; (b) a tese materialista de que estados mentais são estados cerebrais; (c) o princípio sistêmico de que o problema em estudo, como todas as grandes questões, faz parte de um conjunto de problemas a serem enfrentados tanto de modo anatômico quanto de modo comportamental; e (d) a liminar humanista de respeitar o bem-estar animal — o que, por sua vez, sugere abster-se de cutucar a esmo o cérebro do animal apenas para ver o que acontece.

Sugiro que todos os quatro princípios acima se juntam ao cientificismo para constituir nada menos do que a matriz filosófica da pesquisa científica: veja a figura 2.

Figura 2. A matriz filosófica do progresso científico. De Mario Bunge, Matter and Mind (2010).

Se a pesquisa científica pressupõe as teses filosóficas mencionadas acima que acompanham habitualmente o cientificismo, essa visão não se opõe às humanidades, como costuma ser reivindicado. Aquilo a que os proponentes do cientificismo se opõem é a postura anticientífica adotada por Hegel, Schopenhauer, Nietzsche, Dilthey, Bergson, Husserl, Heidegger, a Escola de Frankfurt e os estruturalistas, hermenêuticos e pós-modernos de Althusser a Derrida e Deleuze. Será que esses inimigos da racionalidade merecem ser chamados de “humanistas” se aceitarmos a definição de Aristóteles de “homem” como “animal racional”?

Pseudocientificismo

É sabido que qualquer coisa pode ser falsificada. A principal razão é que os crédulos, de longe, superam o número de céticos. Além disso, o falso costuma ser mais rentável do que os artigos genuínos. Isso vale até para a ciência: testemunhe o sucesso comercial da psicanálise e da medicina alternativa.

O que acontece com a ciência também ocorre com o cientificismo. O pseudocientificismo é a prática de desfilar as pseudociências como se fossem ciências genuínas apenas porque elas utilizam alguns dos atributos da ciência — em particular, o uso conspícuo de símbolos matemáticos — enquanto não detêm suas propriedades essenciais — em especial, a compatibilidade com o conhecimento antecedente e a preocupação com testes empíricos.

O pseudocientificismo é prejudicial sobretudo quando aliado ao poder político: recorde a luta dos filósofos soviéticos contra a ciência “burguesa” e a reputação que ganhou o contabilista Robert McNamara, Secretário de Defesa dos Estados Unidos da América nos governos de Kennedy e Johnson, por garantir que a sua equipe venceria a Guerra do Vietnã porque a travariam “cientificamente”. O que ele chamou de “guerra científica” era programação de computador que utilizava teorias que pareciam científicas, mas, na verdade, não o eram.

A teoria da decisão e a teoria dos jogos eram peças-chave no conjunto de ferramentas intelectuais de McNamara. Essas teorias pressupõem a tese individualista de que a sociedade é uma coleção de indivíduos livres, motivados por interesses pessoais, assim como dotados com a capacidade de calcular a probabilidade e a utilidade dos resultados de todas suas ações possíveis, além da capacidade de descobrir a melhor estratégia para maximizar o produto de ambos os números. Não existe ciência em nenhuma aplicação dessas teorias à política, porque (a) os indivíduos que ela postula são imaginários; (b) o que importa na política não é o indivíduo isolado, mas o grupo ou sistema social; e (c) todos os números envolvidos nesses cálculos são inventados e o experimento com pessoas reais não confirmou a conjectura da maximização.

De qualquer forma, se os invasores americanos realmente aplicaram essas teorias na Guerra do Vietnã, eles superestimaram grosseiramente suas próprias utilidades e probabilidades, enquanto subestimaram as do “inimigo”. Isso foi observado antes mesmo da derrota americana — por exemplo, pelo autor em um artigo de 1973. Mas é claro que o desastre americano no Vietnã não foi uma derrota para a ciência, muito menos para o cientificismo: os verdadeiros perdedores foram a arrogância imperial e a falsa ciência.

O que há de tão especial na ciência?

Por que o cientificismo é preferível à sua alternativa “humanista”? A resposta usual é que a abordagem científica funciona muito melhor do que suas alternativas: tradição, intuição ou instinto (em particular, Verstehen), tentativa e erro e contemplação do próprio umbigo (em particular, modelagem matemática a priori). Mas essa resposta gera, por sua vez, a pergunta: por que a ciência funciona melhor?

Minha própria resposta é a seguinte: a pesquisa científica funciona melhor para encontrar verdades objetivas ou impessoais sobre o mundo, porque combina com o mundo e com o nosso aparato cognitivo. De fato, o mundo não é uma colcha de retalhos de aparências desconexas, como acreditavam Ptolomeu, Hume, Kant, Comte, Mill, Mach, Pierre Duhem, Bertrand Russell e Carnap; pelo contrário, o mundo é o sistema de todos os sistemas materiais. E os seres humanos podem aprender a usar não apenas seus sentidos — que produzem não mais do que aparências —, mas também sua imaginação para verificar o mundo de quatro maneiras diferentes: através da observação, experimentação, computação e consiliência, ou seja, compatibilidade com outros itens do fundo de conhecimento antecedente, como observei em 1967 no meu Scientific Research.

Além disso, diferentemente da superstição, da ideologia ou da especulação tentativa e erro, a ciência pode crescer exponencialmente através do conhecido mecanismo de feedback positivo (retroalimentação positiva), onde parte da produção é devolvida ao sistema, como juros que cluem para uma conta poupança. Mas é claro que a continuação desse processo exige que um país invista cerca de 3% do PIB em pesquisa e desenvolvimento, algo que os políticos vendidos ao anticientificismo não estarão dispostos a fazer.

Isso se aplica, sobretudo, à pesquisa em ciência política, que a National Science Foundation deixou de apoiar após uma restrição de “mal gasto” imposta pelo Senado dos EUA em 2013. (Não é emblemático que Condorcet, um grande cientista político e autor do primeiro manifesto científico, tenha tirado a própria vida para evitar que fosse guilhotinado pelo sanguinário Robespierre, um fã de Rousseau, que preferia a autoridade dos sentimentos à da razão?)

Em suma, a adesão ao cientificismo tem sido muito rentável tanto culturalmente quanto economicamente, ao passo que a obediência ao anticientificismo tem ameaçado o crescimento do conhecimento que está em andamento, embora com alguns retrocessos temporários, desde os tempos de Galileu, Descartes e William Harvey.

Reconhecimento

Agradeço a Tom Flynn por suas críticas construtivas.

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