Estudantes brasileiros ganham medalha de prata em competição do MIT

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Em abril de 2016, o Universo Racionalista divulgou o projeto Hydrargium feito por estudantes de medicina e biotecnologia da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e da Universidade Federal do Amazonas (UFAM). O projeto havia modificado geneticamente uma bactéria, a Escherichia coli, para que passasse a decompor mercúrio de águas contaminadas. A equipe ganhou medalha de prata na Competição Internacional de Máquinas Geneticamente Modificadas (Igem) no último fim de semana.

A equipe, comporta por Julie Lima, estudante da UEA, e os demais colegas Maria Letícia,Anderson Lima, Marcia Clara Astolgi, Geovanna Macklouf, Wlademir Salgado, Marcelo Valente e Leon Manickhand contou com um aporte pequeno de última hora cedido pela UFAM. Mesmo assim, os alunos tiveram que fazer uma campanha na internet, também divulgada pelo Universo Racionalista, para irem até a competição sediada no Instituto de Tecnologia de Massachussettes (MIT). A campanha, que visava arrecadar R$ 19 mil, arrecadou mais de R$ 40 mil reais.

“Acharam o nosso projeto relevante, aplicável e que a pesquisa pode proporcionar um benefício real para a sociedade. Foi a realização de um sonho porque além de agregar muito ao nosso conhecimento e carreira acadêmica, podemos dizer que não seremos as mesmas pessoas depois dessa experiência.”, conta Julie Lima. “Tivemos contato com pesquisas que estão sendo desenvolvidas ao redor do mundo. São ideias fascinantes e que também nos deram outras ideias de como seguir nossa carreira futuramente”.

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Os alunos durante a premiação (Créditos: Julie Lima)

Utilizando a E. coli, os acadêmicos desenharam um projeto de biodetecção e biorremediação de mercúrio. A bactéria, geneticamente modificada, detecta a presença do mercúrio e a degrada deixando a água até 70% mais pura.

O mercúrio é utilizado sem controle em locais de extração de ouro. Na Amazônia, há pelo menos 3000 toneladas de mercúrio e, a maioria dessa quantidade, está armazenada em organismos como o peixe e, consequentemente, dentro dos moradores da região. Cada pessoa em toda a região amazônica consome pelo menos 30 quilos de peixe por ano.

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As alunas Julie e Maria Letícia da UEA (Créditos: Julie Lima)

O mercúrio apresenta grandes danos de saúde aos humanos e principalmente danos neurológicos. A pesquisa tem um grande potencial social uma vez que os grandes afetados são os ribeirinhos que tiram seu sustento e base da alimentação dos peixes da região.

Veja mais:

Estudantes modificam bactéria para a extração de mercúrio das águas: https://goo.gl/Yq39Qz

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Yara Laiz Souza
Estudante de Ciências Biológicas na Universidade do Estado do Amazonas (UEA). Divulgadora Científica nas redes sociais, escreve para diversos sites e revistas online, tem uma modesta página no Facebook (Ciência em Pauta - Por Yara Laiz Souza) e, nas horas vagas, cultua fotos do Benedict Cumberbatch no celular.